O homem suspeito de matar a ex-namorada Ana Clara Soares de Oliveira, de 19 anos, com um tiro na cabeça foi preso na noite da última terça-feira (13/10), em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Matheus Isac Cardoso Silva, de 22 anos, confessou o crime durante o interrogatório e alegou que o disparo ocorreu "sem querer". O caso foi registrado pela polícia como feminicídio.
Em um vídeo gravado durante a abordagem, o suspeito aparece sentado em uma cadeira, chorando e com as mãos posicionadas para trás. Ao falar sobre o assassinato, ele afirma que atirou durante um momento de emoção. A investigação também reúne relatos de que o relacionamento era marcado por ameaças, agressões e pela dificuldade do homem em aceitar o fim da relação.
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SUSPEITO FOI LOCALIZADO APÓS DENÚNCIA ANÔNIMA
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, Matheus foi encontrado por policiais militares em um apartamento no Jardim Salete, em Taboão da Serra. As equipes chegaram ao endereço após receberem uma denúncia anônima e identificaram que havia um mandado de prisão em aberto contra o suspeito.
Durante a ação, os agentes apreenderam três celulares no imóvel. Depois da prisão, Matheus foi levado ao 1º Distrito Policial de Taboão da Serra, onde permaneceu à disposição da Justiça.
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Na gravação do interrogatório, o suspeito tenta explicar o que aconteceu e demonstra estar abalado. "Foi sem querer, num momento de emoção, mano. Que loucura, mano. Pra quê fazer isso com a menina, mano? Cê é louco, mano. Sou homem, senhor", diz.
Questionado por um policial se estava com a arma apontada para o rosto de Ana Clara no momento do disparo, ele negou: "Não, não estava, senhor. Eu estava em pé". Ao ser perguntado sobre o motivo de ter apertado o gatilho, Matheus afirmou que "não consegue mais falar".
COMO ACONTECEU O ASSASSINATO DE ANA CLARA
Segundo informações publicadas pelo Estadão, o crime ocorreu na casa de um amigo de Matheus, onde ele e Ana Clara estavam juntos. Embora tivessem terminado o relacionamento, os dois se encontraram no dia 10 e foram até a residência do colega do suspeito.
Conforme os relatos reunidos na investigação, o dono do imóvel precisou sair por alguns minutos, deixando o ex-casal sozinho. Nesse intervalo, os dois teriam discutido. Matheus, que estava armado, teria disparado contra a cabeça da jovem.
Ao retornar, o amigo teria ouvido do suspeito a confissão do assassinato. Matheus também pediu ajuda para fugir, mas o colega se recusou a colaborar. Em seguida, o proprietário da casa contou o ocorrido à própria mãe, que mora nas proximidades do local. Nesse intervalo, o suspeito teria fugido utilizando a motocicleta do amigo.
De acordo com a Polícia Militar, Matheus também telefonou para a mãe e pediu ajuda para escapar depois de admitir que havia matado Ana Clara. Ela, porém, teria aconselhado o filho a se entregar às autoridades.
TESTEMUNHA RELATA AMEAÇAS ANTES DE FEMINICÍDIO
Os investigadores também apuram informações sobre ameaças feitas pelo suspeito antes do assassinato. Uma testemunha relatou à Polícia Civil que, aproximadamente duas semanas antes do crime, Matheus teria contado a pessoas do bairro que comprara uma arma para matar Ana Clara porque não aceitava o fim do relacionamento.
A jovem teria ficado sabendo das ameaças, mas não acreditava que o ex-namorado realmente colocaria o plano em prática.
Pessoas próximas ao casal relataram aos investigadores que a relação era marcada por conflitos recorrentes, separações, ameaças e agressões. Segundo esses depoimentos, Matheus não aceitava os términos, mesmo quando Ana Clara tentava se afastar.
MÃE DO SUSPEITO TERIA ACONSELHADO JOVEM A TERMINAR
O histórico de comportamento agressivo também aparece nos relatos colhidos durante a apuração. A própria mãe de Matheus afirmou que chegou a aconselhar Ana Clara a encerrar o relacionamento, preocupada com a agressividade do filho e com o sentimento de posse que ele demonstrava em relação à jovem.
Ainda conforme as informações da investigação, cerca de um mês antes do assassinato, Matheus teria enforcado Ana Clara. Na ocasião, a jovem não registrou queixa.
Os relatos sobre ameaças e agressões anteriores integram o contexto investigado pelas autoridades para esclarecer as circunstâncias do feminicídio.
COMO DENUNCIAR VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
A violência contra a mulher é crime e deve ser denunciada. Em situações de emergência, quando a vítima está em perigo imediato, a orientação é ligar para o 190, número da Polícia Militar.
Também é possível procurar o 180, Central de Atendimento à Mulher, para receber orientações e denunciar situações de violência. A vítima ou qualquer pessoa que tenha conhecimento dos fatos também pode buscar uma delegacia comum ou uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, quando disponível.
A denúncia pode ajudar a interromper um ciclo de ameaças e agressões e permitir que as autoridades adotem medidas de proteção antes que a violência se agrave.
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