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QUINZE MORTOS

"Maldição" de túmulo de 500 anos envolve rei, papa e morte de exploradores  

Em 1973, arqueólogos acessaram a tumba do rei Casimiro IV Jaguelão e poucos dias após a expedição, morreram. Entenda a história!

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Imagem ilustrativa da notícia "Maldição" de túmulo de 500 anos envolve rei, papa e morte de exploradores   camera Embora a sequência de acontecimentos tenha alimentado especulações sobre uma suposta "maldição", pesquisadores buscaram explicações científicas para os caso. | Foto: Reprodução

A abertura da tumba do rei Casimiro IV Jaguelão, um dos principais monarcas da história da Polônia, deu origem a um dos episódios mais curiosos da arqueologia europeia. Em 1973, uma equipe de pesquisadores recebeu autorização para acessar a cripta localizada na Capela do Castelo Real de Wawel, em Cracóvia, com o objetivo de examinar os restos mortais do soberano e ampliar os estudos sobre o período em que viveu.

Poucos dias após a entrada na tumba, quatro dos 12 integrantes da expedição morreram. Nas semanas seguintes, outras mortes foram registradas e, ao longo dos anos, o total de óbitos entre pessoas que participaram diretamente da exploração da cripta ou do manuseio dos restos mortais em laboratório chegou a 15.

Embora a sequência de acontecimentos tenha alimentado especulações sobre uma suposta "maldição", pesquisadores buscaram explicações científicas para os caso.

A suposta "maldição" do rei

A sequência de mortes alimentou especulações sobre uma suposta "maldição", em uma comparação frequente com o episódio da abertura da tumba do faraó Tutancâmon, no Egito, em 1922. Na época, a morte de Lord Carnarvon, financiador da expedição liderada pelo arqueólogo Howard Carter, poucas semanas após a descoberta do túmulo, ajudou a popularizar a crença de que antigos sepulcros seriam protegidos por forças sobrenaturais.

Anos depois, no entanto, pesquisadores passaram a buscar explicações baseadas na ciência. No caso da tumba de Casimiro IV, estudos apontam que as mortes podem estar relacionadas à exposição a altas concentrações de fungos microscópicos preservados no ambiente fechado da cripta por cerca de cinco séculos. A hipótese mais aceita é que esses microrganismos representavam um risco à saúde dos integrantes da expedição, especialmente durante o contato direto com o interior do túmulo e com os restos mortais.

Na época da abertura da tumba, o acesso a monumentos históricos na Polônia era rigorosamente controlado pelo governo. Mesmo diante das restrições, o então arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyła — que anos mais tarde se tornaria o papa João Paulo II — autorizou a entrada dos pesquisadores na cripta para a realização dos estudos arqueológicos.

De acordo com relatos, alguns integrantes da equipe chegaram a fazer comentários em tom de brincadeira sobre uma possível maldição antes de acessar a câmara funerária. A atmosfera descontraída, porém, mudou após o registro das primeiras mortes, o que contribuiu para o surgimento de rumores que ganharam força na imprensa e entre a população.

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Explicações científicas

Anos mais tarde, com o avanço dos estudos em microbiologia, pesquisadores conseguiram compreender melhor o que poderia ter causado as mortes. Análises realizadas no interior da tumba do rei identificaram altas concentrações de fungos capazes de representar riscos à saúde humana, incluindo espécies dos gêneros Aspergillus e Penicillium, como Penicillium rubrum e Penicillium rugulosum.

A descoberta ajudou a afastar as teorias sobre uma suposta maldição e reforçou a hipótese de que a exposição prolongada aos microrganismos presentes no ambiente fechado da cripta teria contribuído para os casos registrados.

Esses micro-organismos normalmente estão presentes no ambiente e, em indivíduos saudáveis, costumam provocar apenas reações alérgicas, irritações respiratórias ou quadros leves de inflamação. Entretanto, quando seus esporos são inalados em quantidades excepcionalmente altas — especialmente em ambientes fechados e sem ventilação, como criptas lacradas durante séculos —, eles podem causar infecções graves, principalmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Embora a sequência de mortes tenha reforçado histórias sobre uma suposta “maldição de múmia”, especialistas apontam que o episódio está mais relacionado aos riscos biológicos encontrados em ambientes arqueológicos fechados por longos períodos.

Atualmente, expedições em locais desse tipo seguem protocolos rigorosos de segurança, com uso de equipamentos de proteção, como máscaras de alta filtragem e roupas adequadas, além da análise da qualidade do ar antes do acesso a câmaras funerárias antigas. As medidas ajudam a reduzir os riscos de exposição a microrganismos presentes nesses espaços.

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