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FORTES EMOÇÕES

Torcedor morre durante jogo Brasil x Japão; médico alerta para riscos

Entenda os riscos emocionais e físicos envolvidos em assistir a jogos de futebol e como cuidar do seu coração durante a Copa do Mundo.

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Imagem ilustrativa da notícia Torcedor morre durante jogo Brasil x Japão; médico alerta para riscos camera As tentativas de reanimação do homem duraram cerca de uma hora, e o torcedor chegou a voltar quatro vezes, durante o socorro feito pela pessoa e o atendimento da equipe do Samu, mas morreu no local. | Reprodução/Redes Sociais

A morte de um torcedor de 60 anos, que passou mal enquanto assistia à partida entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo de 2026, reacendeu o debate sobre os efeitos das emoções intensas na saúde cardiovascular. O caso ocorreu na segunda-feira (29), justamente durante um jogo marcado por fortes emoções e decidido apenas nos acréscimos, quando a Seleção Brasileira marcou o gol da vitória.

Embora ainda não seja possível afirmar o que provocou a parada cardiorrespiratória sofrida pelo torcedor, especialistas alertam que situações de grande carga emocional, como partidas decisivas de futebol, podem funcionar como gatilho para infartos, arritmias e outras emergências cardíacas em pessoas predispostas.

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Segundo o médico cardiologista Antonio Monteiro, há evidências científicas robustas demonstrando que grandes eventos esportivos podem aumentar a ocorrência de complicações cardiovasculares.

"Existe uma boa quantidade de estudos mostrando que grandes eventos esportivos, especialmente partidas decisivas envolvendo o time do coração, podem estar associados a um aumento de infartos, arritmias, crises hipertensivas e outras emergências cardiovasculares em pessoas predispostas", explica o especialista.

Emoção faz o coração trabalhar mais

De acordo com Antonio Monteiro, durante momentos de intensa tensão, expectativa ou euforia, o organismo libera grandes quantidades de hormônios do estresse, como adrenalina e noradrenalina.

Essas substâncias elevam a frequência cardíaca, aumentam a pressão arterial e fazem o coração demandar mais oxigênio. Em pessoas que já possuem doenças cardiovasculares, mesmo que ainda não diagnosticadas, esse aumento súbito de esforço pode desencadear complicações graves.

Médico cardiologista Antonio Monteiro
📷 Médico cardiologista Antonio Monteiro |Arquivo pessoal

"Em pessoas que apresentam placas de gordura nas artérias do coração, esse aumento da demanda pode favorecer a ruptura dessas placas e a formação de um coágulo, desencadeando um infarto. Já em pacientes predispostos, o excesso de adrenalina pode facilitar o aparecimento de arritmias", afirma o cardiologista.

Ele ressalta, porém, que a emoção, por si só, raramente provoca um infarto em indivíduos saudáveis.

"Na maioria das vezes, ela funciona como um gatilho sobre uma doença cardiovascular já existente, muitas vezes ainda não diagnosticada", acrescenta.

Quem corre mais risco durante jogos decisivos?

Segundo o especialista, alguns grupos exigem atenção especial durante competições esportivas de alta carga emocional, como a Copa do Mundo.

Entre os mais vulneráveis estão pessoas que já tiveram infarto, sofrem de doença coronariana, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, arritmias ou doenças das válvulas cardíacas. Pacientes com diabetes, colesterol elevado, obesidade e fumantes também apresentam maior risco cardiovascular.

Isso, no entanto, não significa que essas pessoas precisem evitar assistir aos jogos. "Esses pacientes podem acompanhar as partidas normalmente, mas devem manter rigorosamente o tratamento prescrito, sem interromper medicamentos por conta da rotina da Copa", orienta Antonio Monteiro.

'Síndrome do coração partido'

O cardiologista destaca ainda uma condição conhecida como síndrome do coração partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo, tradicionalmente associada a situações de grande sofrimento emocional, mas que também pode ser desencadeada por emoções positivas extremas.

"Estudos mostram que acontecimentos muito felizes, como a comemoração de uma vitória esportiva, também podem desencadear essa condição, embora isso seja menos frequente", explica.

Os sintomas são semelhantes aos de um infarto: dor no peito, falta de ar, suor frio, palpitações e, em casos mais graves, perda de consciência.

Fatores de risco

Para o especialista, o perigo durante grandes eventos esportivos não está apenas na emoção da partida, mas na combinação de fatores frequentemente associados ao comportamento dos torcedores.

"O consumo excessivo de álcool, o uso de bebidas energéticas, o cigarro e a privação de sono aumentam significativamente a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular", alerta.

Segundo ele, o álcool pode elevar a pressão arterial e favorecer arritmias, enquanto bebidas energéticas aumentam a frequência cardíaca e potencializam os efeitos da adrenalina, sobretudo quando consumidas junto com bebidas alcoólicas.

Já a falta de sono eleva os níveis de hormônios relacionados ao estresse e dificulta o controle da pressão arterial.

Quais sinais exigem atendimento imediato?

Antonio Monteiro reforça que sintomas cardiovasculares nunca devem ser atribuídos apenas à emoção do jogo.

"Dor ou aperto no peito, falta de ar, suor frio, palpitações persistentes, tontura intensa ou desmaio podem indicar uma emergência cardiovascular e exigem atendimento médico imediato", alerta.

Para a maioria dos brasileiros, assistir aos jogos da Copa do Mundo é uma atividade segura. Mas, segundo o cardiologista, a paixão pelo futebol deve caminhar ao lado do cuidado com a saúde.

"O mais importante é lembrar que a emoção do futebol pode ser vivida intensamente, desde que os cuidados com o coração não sejam deixados de lado", conclui.

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