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INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO

PF mira Flávio Bolsonaro após emenda para ONG ligada aos irmãos Brazão

Senador enviou R$ 199 mil para instituto investigado por suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo aliados de Domingos e Chiquinho Brazão.

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Imagem ilustrativa da notícia PF mira Flávio Bolsonaro após emenda para ONG ligada aos irmãos Brazão camera PF investiga repasse de emenda de Flávio Bolsonaro para ONG citada em apuração sobre suposto esquema ligado aos irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão no Rio de Janeiro. | Jefferson Rudy/Agência Senado

Nos bastidores da política fluminense, uma nova frente de investigação da Polícia Federal lança luz sobre a relação entre emendas parlamentares e organizações sociais que orbitavam o grupo político dos irmãos Brazão. O foco agora recai sobre um repasse feito pelo senador Flávio Bolsonaro a uma ONG da Zona Oeste do Rio de Janeiro, apontada pela PF como uma das entidades beneficiadas por um suposto esquema de captação e desvio de resursos públicos.

A transferência, realizada em novembro de 2023, destinou R$ 199 mil ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), entidade sediada na Taquara, região considerada área de influência política dos irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão. Ambos foram condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

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Segundo os investigadores, o envio da emenda ocorreu cerca de um mês após uma assessora do gabinete de Flávio trocar mensagens com Robson Calixto Fonseca, conhecido como "Peixe". O policial militar da reserva, também condenado por organização criminosa no caso Marielle, é apontado pela PF como operador responsável por articular interesses políticos e financeiros ligados ao grupo dos Brazão.

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Na época do repasse, porém, Domingos e Chiquinho ainda não haviam sido formalmente associados às execuções de Marielle e Anderson. A prisão dos irmãos só ocorreu em março de 2024, durante operação da Polícia Federal.

A investigação sustenta que Peixe atuava diretamente na busca por recursos públicos destinados a entidades alinhadas ao grupo político dos Brazão. Relatórios da PF apontam que ele fazia contatos com parlamentares para direcionar emendas a ONGs previamente selecionadas.

PF INVESTIFA SUPOSTO ESQUEMA MILIONÁRIO COM ONGS

As suspeitas surgiram após a quebra do sigilo telefônico de Peixe no inquérito que investigava a morte de Marielle Franco. Ao analisar conversas do ex-assessor do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, os agentes encontraram indícios de um esquema de captação de verbas públicas por meio de organizações sociais.

De acordo com a PF, as entidades relacionadas ao grupo receberam aproximadamente R$ 268 milhões em recursos parlamentares entre 2020 e 2024. Os investigadores afirmam que, após o repasse das emendas e a liberação do dinheiro pelos ministérios, representantes das ONGs eram pressionados a custear despesas ligadas ao grupo político dos Brazão.

Entre os exemplos citados pela investigação estão mensagens em que Peixe solicita a compra de 20 bicicletas e até a disponibilização de um helicóptero. Pouco depois dessas conversas, Chiquinho Brazão participou de um evento político em Jacarepaguá, na Zona Oeste carioca, onde bicicletas foram distribuídas como brindes durante ato de campanha em favor de um sobrinho candidato à Câmara Municipal.

TRANSFERÊNCIA E EMPRESAS LIGADAS À INVESTIGAÇÃO

Outro trecho do relatório aponta que Peixe pediu a um representante de ONG o depósito de R$ 100 mil para uma empresa registrada em nome de sua filha. Os comprovantes da operação teriam sido enviados diretamente ao celular do policial reformado.

No caso específico da emenda de Flávio Bolsonaro, a PF identificou uma conversa entre Peixe e uma assessora do senador no dia 24 de outubro de 2023. Pouco mais de um mês depois, em 29 de novembro, o governo federal registrou o pagamento de R$ 199 mil ao Ifop.

Criado em 2008, o instituto afirma atuar em projetos sociais voltados ao esporte, educação e inclusão social. Em 2023, a entidade recebeu da Câmara Municipal do Rio um título de utilidade pública concedido pelo então vereador Waldir Brazão. Além da verba destinada por Flávio, o Ifop também recebeu uma emenda de R$ 1,5 milhão enviada por Chiquinho Brazão em agosto de 2024, quando ele ainda exercia mandato parlamentar.

DEFESA DE FLÁVIO E POSICIONAMETO DA ONG

Em nota, Flávio Bolsonaro declarou que a finalidade da emenda era apoiar um projeto esportivo voltado a crianças em situação de vulnerabilidade social. Segundo o senador, os relatórios apresentados pela entidade indicavam que o projeto havia alcançado resultados positivos. A defesa do parlamentar afirmou ainda que não cabe ao gabinete fiscalizar a execução detalhada dos recursos por terceiros.

Já o Ifop negou possuir qualquer relação formal ou informal com Peixe ou com os irmãos Brazão. A entidade declarou que as prestações de contas foram encaminhadas ao Ministério do Esporte e informou ter devolvido parte dos valores não utilizados.

Apesar disso, a PF identificou que parte do dinheiro recebido pelo instituto foi transferida para uma empresa ligada à dirigente de outra ONG investigada. Os investigadores também apontaram pagamentos feitos a uma consultoria registrada em Águas Claras, no Distrito Federal, em um endereço onde atualmente funciona um salão de beleza.

NOVO PEDIDO DE VERBA E INGRESSOS PARA O SAMBÓDROMO

As investigações mostram que, um ano após o primeiro repasse, Peixe voltou a procurar o gabinete de Flávio Bolsonaro solicitando novos recursos para o Ifop. Em mensagem enviada em novembro de 2024, ele pediu que “o senador agracie o instituto para que o projeto não termine”. Não há, porém, registro de novo pagamento.

Os diálogos analisados pela PF também incluem conversas sobre ingressos para o desfile das campeãs do Carnaval do Rio. Em fevereiro de 2024, uma assessora de Flávio teria pedido quatro entradas para o Sambódromo a Peixe, solicitação que, segundo os investigadores, foi atendida.

LIGAÇÃO ANTIGA COM OS BRAZÃO

Antes de atuar no Tribunal de Contas do Estado, Peixe trabalhou no gabinete de Domingos Brazão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Para a Procuradoria-Geral da República, ele exerceu papel estratégico no caso Marielle Franco, funcionando como elo entre os executores do crime e os supostos mandantes do assassinato da vereadora e de seu motorista.

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