O avanço acelerado da tecnologia transformou a internet em um espaço cada vez mais presente no cotidiano de crianças e adolescentes. Jogos on-line, redes sociais e aplicativos de comunicação se tornaram ambientes naturais de convivência para a nova geração. No entanto, esse universo virtual, apesar de atrativo e dinâmico, também esconde riscos que nem sempre são percebidos pelos mais jovens. Diante desse cenário, especialistas reforçam: proteger crianças na internet exige diálogo, acompanhamento e informação.
Nos últimos dias, uma situação inusitada chamou a atenção de pais, educadores e autoridades. Manifestações organizadas por crianças dentro do jogo on-line Roblox viralizaram após a plataforma anunciar mudanças nas regras de segurança. A empresa passou a exigir verificação de idade para acesso ao chat e restringiu a comunicação para menores de 9 anos, bloqueando chats de texto e voz sem autorização dos responsáveis.
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A medida, adotada globalmente e implementada recentemente no Brasil, tem como objetivo reduzir riscos como assédio, aliciamento e interações inadequadas. Apesar disso, a alteração gerou forte reação entre o público infantil. Sem poder utilizar o chat para reclamar, os próprios jogadores criaram protestos virtuais, levantando cartazes dentro do jogo com mensagens como “Roblox, libera o Brasil”.
Parte das manifestações acabou direcionada ao influenciador Felca, que foi erroneamente responsabilizado pelas mudanças, mesmo sem qualquer relação com as decisões da plataforma. O episódio evidenciou como crianças podem se mobilizar rapidamente no ambiente digital, mas também como estão expostas à desinformação e conflitos on-line.
A repercussão levou o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) a reforçar orientações sobre o uso seguro da internet por crianças e adolescentes. Em campanha educativa divulgada nesta semana, o órgão destacou que as novas regras do Roblox estão alinhadas à Lei nº 15.211/2025, que busca combater a adultização precoce e fortalecer mecanismos de proteção digital.
Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, citados pelo MPPA, mostram que 60% das crianças entre 9 e 10 anos já possuem ao menos uma rede social, embora a maioria das plataformas exija idade mínima de 13 anos. Para o Ministério Público, esse cenário reforça a necessidade de maior vigilância por parte das famílias.
Entre os principais riscos apontados pelo órgão estão cyberbullying, assédio, aliciamento, exposição a conteúdos impróprios, estímulo ao consumismo e uso indevido de dados pessoais e imagens. Segundo o MPPA, a prevenção começa com informação e presença ativa dos responsáveis.
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A campanha também orienta pais e responsáveis a estabelecer regras claras para o uso da internet, como definição de horários, utilização de filtros de conteúdo e controle parental, além do acompanhamento das interações virtuais das crianças. “Proibir não educa. Acompanhar e orientar protege”, destaca um dos materiais informativos divulgados.
Para o Ministério Público, o episódio dos protestos no Roblox é um exemplo concreto de como o ambiente digital influencia comportamentos e emoções na infância. Mais do que simplesmente liberar ou restringir acessos, o desafio está em construir uma cultura de uso consciente da tecnologia.
O MPPA reforça na campanha que a proteção de crianças e adolescentes também passa pelo meio virtual e que a participação das famílias é indispensável. “O diálogo é a principal ferramenta de proteção”, alerta o órgão, lembrando que a internet pode ser um espaço de aprendizado e diversão — desde que usada com responsabilidade e segurança.
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