
Vista de cima, a grande massa verde formada pelas copas das árvores se impõe entre a área urbanizada e encanta quem tem a oportunidade de conhecer o Bosque Rodrigues Alves, na avenida Almirante Barroso. Além da beleza inquestionável do resquício de floresta nativa preservado, o jardim botânico que neste mês completa 142 anos de existência também guarda parte da memória da cidade de Belém e de uma região que, à época da inauguração do bosque, era conhecida como Marco da Légua.
Ainda no final do século XIX, a área verde preservada que hoje dá lugar ao parque ainda era conhecida como Bosque do Marco da Légua. Mas foi apenas em 25 de agosto de 1883 que se inaugurou o parque municipal que viria a ser chamado Bosque Rodrigues Alves, em uma área de 15 hectares que permanece no cenário da cidade até hoje, mais de 140 anos depois.
O historiador e professor do curso de licenciatura em História da Universidade do Estado do Pará (UEPA), Diego Pereira Santos, explica que há um decreto por volta de 1870 que trata da implantação do bosque, mas ele só foi inaugurado como parque municipal, efetivamente, em 1883. Para entender melhor o cenário de surgimento do parque, o historiador convida a conhecer um pouco do contexto histórico da cidade naquele momento.
“Em meados de 1883, eu tenho um contexto de transformações econômicas na Amazônia que vai se iniciar a partir de 1870. É quando a exportação da borracha passa a atingir níveis interessantes do ponto de vista econômico e a Amazônia passa, então, a um processo que lá na frente será conhecido como Belle Époque, a bela época no sentido das transformações urbanas que passam a acontecer diretamente relacionadas a essa economia gomífera, essa economia de borracha na Amazônia”.
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O cenário dessas transformações urbanísticas irá se refletir, mais à frente, no surgimento do bairro que abriga o bosque, o então Marco da Légua, hoje bairro do Marco. “A gente pode pensar que aquela era uma área distante do centro da cidade, naquele contexto, principalmente do início do século XX. Era uma área que não estava articulada diretamente ao centro da cidade. Daí ser chamado de Bosque do Marco da Légua, que era exatamente o bairro que vai surgir, principalmente a partir do século XX”, pontua Diego Pereira. “Era uma área de muito trânsito, até porque ali era a Belém-Brasília, onde passava o trem que saía de São Brás e era deslocado até a Estrada de Ferro de Bragança. E é neste contexto que ocorre essa transformação e o Bosque surge exatamente nessa via”.
Ainda que o bosque não tenha surgido durante o governo de Antônio Lemos, o intendente será responsável por fazer algumas modificações fundamentais na estrutura do local, principalmente a partir do final do século XIX e a primeira década do século XX. “Algumas transformações foram idealizadas durante o governo Lemos, com destaque para algumas construções que até hoje nós temos dentro do bosque. É o caso das grutas, dos riachos, das cascatas, os viveiros também foram desse contexto o governo Antônio Lemos”, aponta o historiador. “Ele vai passando por reformas até o momento em que ele passa a ser pensado, de fato, como Jardim Botânico, já dentro de um contexto mais contemporâneo do século XXI”.
O nome atual foi conferido apenas no século XX, em 17 de dezembro de 1906, quando através de uma resolução do Conselho Municipal se decide prestar homenagem ao correligionário de Antônio Lemos, o então Presidente da República do Brasil, Francisco de Paula Rodrigues Alves. Já a titulação de Jardim Botânico se deu mais recentemente, em julho de 2002, quando o Bosque recebeu da Rede Brasileira de Jardins Botânicos o registro provisório de Jardim Botânico da Amazônia na categoria “C”. Já em 2008 o espaço recebeu o certificado de Jardim Zoobotânico da Amazônia pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama).
Bosque Rodrigues Alves – Jardim Zoobotânico da Amazônia
O Bosque Rodrigues Alves – Jardim Zoobotânico da Amazônia compõe uma área de 15 hectares de floresta amazônica preservada ao longo de séculos. Antes do início do processo de expansão da cidade de Belém para a área que hoje compreende o bairro do Marco, o cenário encontrado no local era de mata e parte dessa floresta encontrada no local séculos atrás é, hoje, a área do Bosque. Ao todo, o espaço tem 150 mil metros quadrados de vegetação nativa da Amazônia, originária, com cerca de 10 mil árvores, distribuídas em mais de 300 espécies da flora, além de abrigar 435 animais.
Programação tem entrada gratuita neste final de semana. Confira!
Em comemoração aos 142 anos do Bosque Rodrigues Alves, o espaço terá entrada gratuita nestes dias 30 e 31 de agosto, sábado e domingo. O final de semana também será marcado por uma programação especial. Confira:
30/08/2025 (sábado) – Horário: 8h às 12h
- Apresentação da capivara “Cap30”, a nova moradora do Bosque
- Apresentação do Herpetário (espaço de exposição zoológica para répteis e anfíbios)
- Conheça o novo recinto do Gavião-Gato e o novo Lago dos Cágados
- Trilha monitorada com alunos do projeto “Visitas Monitoradas em Parques Urbanos da Grande Belém”, com saída pelo portão principal em dois horários: 10h e 11h
- Apresentação da nova fauna do Bosque, exposição de sementes e de animais taxidermizados
- Plantio simbólico de ipê amarelo nos canteiros às 10h
- Vetkids – Petvet: atividade lúdica em que as crianças se “transformam” em miniveterinários
- Ação do Instituto Descarte Correto, com ponto de coleta de resíduos eletrônicos e eletrodomésticos próximo ao portão da travessa Perebebuí, de 8h às 16h
31/08/2025 (domingo) – Horário: 8h às 12h
- Trilha monitorada com alunos do projeto “Visitas Monitoradas em Parques Urbanos da Grande Belém”, com saída do portão principal em dois horários: 10h e 11h
- Apresentação da nova fauna do Bosque, exposição de sementes e de animais taxidermizados
- Plantio simbólico de ipê amarelo nos canteiros às 10h.
- Laboratório de sementes, com exposição de sementes Amazônicas e atividade de colagem com sementes para o público infantil
- Vetkids – Petvet: atividade lúdica em que as crianças se “transformam” em miniveterinários
- Atividades educativas com alunos do projeto de extensão “Toxoplasmose em parque urbano”
- Exposição de fotos realizadas no parque nas Ruínas do Castelo
- Urban Sketchers Belém (USK Belém), grupo de desenhistas que fazem seus desenhos in loco, por meio da observação direta; local: Ruínas do Castelo
Fonte: Prefeitura de Belém.
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