A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta sexta-feira (4) uma resolução que incentiva a adoção de um novo modelo de mapa-múndi. A proposta recomenda a substituição gradual da tradicional projeção de Mercator, criada no século 16, pela Equal Earth, conhecida em português como “Terra Igual”.
A nova projeção busca representar os continentes de forma mais proporcional às suas dimensões reais. O mapa de Mercator, apesar de ainda ser amplamente utilizado, aumenta visualmente o tamanho de regiões próximas aos polos e reduz a percepção sobre a dimensão de territórios localizados em áreas mais próximas à linha do Equador.
África é um dos territórios mais afetados
Uma das principais distorções pode ser observada na comparação entre a Groenlândia e a África. Na projeção de Mercator, a ilha localizada no norte do continente americano aparenta ter tamanho semelhante ao continente africano.
Na realidade, porém, a África é aproximadamente 14 vezes maior que a Groenlândia.
A projeção Equal Earth foi desenvolvida justamente para diminuir esse tipo de distorção e apresentar uma representação mais próxima das proporções reais dos territórios.
Proposta foi liderada pelo Togo
A iniciativa foi liderada pelo Togo, com apoio da União Africana. O país lançou uma campanha chamada “Corrija o mapa” para defender a utilização de representações cartográficas consideradas mais proporcionais.
A proposta também recebeu apoio de países da União Europeia.
Segundo o chanceler do Togo, Robert Dussey, os mapas influenciam a maneira como as pessoas compreendem o mundo e podem ter impactos educacionais, culturais e geopolíticos.
Em declaração à Reuters, ele afirmou que representações distorcidas podem perpetuar percepções equivocadas sobre os territórios ao longo das gerações.
Mapa de Mercator não será proibido
A resolução aprovada pela ONU não determina o fim da utilização da projeção de Mercator. O modelo continua sendo considerado útil para determinadas finalidades, principalmente por preservar características importantes para a navegação marítima e aérea.
A intenção é estimular a adoção da Equal Earth por governos, organizações internacionais, instituições de ensino e empresas de tecnologia.
EUA foram único país contra
A resolução recebeu 164 votos favoráveis, seis abstenções e apenas um voto contrário.
Os Estados Unidos foram o único país a votar contra a proposta. O governo norte-americano argumentou que a iniciativa promove uma “agenda ideológica” e estaria relacionada a uma distorção de princípios como paz internacional e prosperidade.
Togo quer novo mapa nas escolas
O governo togolês pretende iniciar a mudança pelos materiais utilizados nas escolas. A expectativa é que os livros e conteúdos de geografia do país sejam atualizados até o fim de 2026.
Também está prevista uma reunião com representantes da União Africana nos próximos seis meses para discutir a possibilidade de ampliar a adoção da Equal Earth.
Por que o mapa de Mercator distorce os tamanhos?
Criada pelo cartógrafo Gerardus Mercator no século 16, a projeção foi desenvolvida principalmente para facilitar a navegação. Para isso, ela preserva determinadas características das direções e dos ângulos, mas acaba distorcendo o tamanho e o formato de algumas regiões.
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Quanto mais próximo dos polos, maior é a distorção. Por isso, países e territórios do norte e do sul do planeta podem parecer muito maiores do que realmente são.
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