
O varejo brasileiro vive um momento de transformação que vai muito além do preço das prateleiras. Nos últimos anos, consumidores, sobretudo os mais jovens, passaram a considerar fatores como impacto ambiental, responsabilidade social e posicionamento das marcas antes de decidir suas compras. Nesse cenário, embalagens recicláveis, logística reversa e produtos reutilizáveis deixaram de ser simples iniciativas para se tornarem diferenciais competitivos.
Em artigo recente para a revista SuperVarejo, a especialista na área fiscal Joyce Silva analisa os impactos dessa tendência no setor. Inicialmente, ela cita um levantamento recente da ESG Insights (2024), que mostra a força dessa mudança: 95% dos consumidores brasileiros preferem marcas que investem em sustentabilidade. A tendência é mundial. O Future Consumer Index aponta que a disposição de pagar mais por produtos sustentáveis subiu de 24% para 32% entre 2022 e 2023. A Geração Z lidera o movimento (37%), seguida de perto pelos Millennials (35%).
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PADRÕES GLOBAIS
Segundo Joyce Silva, esse avanço ganhou ainda mais relevância com a entrada em vigor dos padrões globais IFRS S1 e S2, que buscam ampliar a transparência das informações de sustentabilidade. No Brasil, a partir de 2026, companhias abertas de Categoria A, fundos listados e securitizadoras terão de divulgar dados sobre riscos climáticos, emissões e práticas ESG em toda a sua cadeia de valor.
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Embora a norma seja voltada inicialmente para grandes empresas, o impacto será amplo. Pequenos fornecedores - como transportadoras, prestadores de serviços e até o comércio local - precisarão apresentar informações confiáveis ou correm o risco de serem excluídos de contratos.
FIDELIZAÇÃO DE CLIENTES
O varejo, por estar em contato direto com o consumidor, tende a sentir o impacto mais cedo. Grandes redes já começam a exigir relatórios ambientais e sociais de seus parceiros, enquanto negócios de menor porte podem ter de comprovar ações básicas, como gestão de resíduos, eficiência energética e participação em programas de logística reversa. Quem se antecipar ao processo poderá conquistar vantagens em fidelização de clientes, acesso a crédito e competitividade.
Para se adaptar, a especialista recomenda que os varejistas iniciem medidas práticas: mensuração de emissões de carbono, análise de riscos climáticos que afetam os negócios, políticas de diversidade e inclusão com governança estruturada, além do estabelecimento de metas claras e mensuráveis, como reduzir determinado percentual de emissões ou aumentar o uso de materiais recicláveis.
SUSTENTABILIDADE ESTRATÉGICA
Esse movimento se conecta diretamente a outra agenda em curso no Brasil: a reforma tributária. Mais do que um desafio, o novo sistema pode se tornar um aliado estratégico para empresas alinhadas à sustentabilidade. Entre as mudanças estão: incidência do Imposto Seletivo sobre produtos e processos prejudiciais ao meio ambiente, incentivos fiscais para biocombustíveis, estímulo à economia circular com créditos para quem adquirir materiais recicláveis de cooperativas e a redução de 60% na alíquota de produtos florestais e serviços ambientais.
Diante desse cenário, Joyce Silva afirma que revisar portfólios, repensar embalagens e alinhar práticas ambientais ao planejamento tributário deixaram de ser uma opção e passaram a representar uma oportunidade concreta de ganhos no curto e médio prazo para o varejo brasileiro.

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