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DICAS DE APRESENTAÇÃO

Fique atento às palavras que podem prejudicar seu currículo sem você perceber

Especialista em Recursos Humanos explica por que excesso de adjetivos pode enfraquecer a apresentação profissional

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Imagem ilustrativa da notícia Fique atento às palavras que podem prejudicar seu currículo sem você perceber camera Para a especialista, características como proatividade, organização e perfeccionismo são muito genéricas | Reprodução/ Magnific

Na hora de elaborar um currículo, é comum que candidatos tentem valorizar a própria trajetória profissional utilizando palavras que consideram sofisticadas ou que possam chamar a atenção dos recrutadores. Termos como “perfeccionista”, “proativo”, “comunicativo”, “organizado” e “líder nato” aparecem com frequência em objetivos profissionais e descrições de qualificações.

Embora essas características possam ser importantes no ambiente de trabalho, o excesso de adjetivos e a utilização de expressões genéricas podem ter o efeito contrário e não contribuir para que o candidato se destaque em um processo seletivo.

Segundo Ana Luiza Melo, psicóloga com 13 anos de atuação na área de Recursos Humanos e experiência em recrutamento e seleção, o principal problema está em afirmar determinadas qualidades sem apresentar evidências que demonstrem como elas aparecem na prática profissional.

“Eu acredito que é um excesso de adjetivos no currículo. Você colocar muitos adjetivos, ‘eu sou perfeccionista’, ‘eu sou exigente’, ‘eu sou uma líder nata’, ‘eu sou muito comunicativo’. São informações que você está apenas falando ali, colocando no seu currículo, sem evidência”, explica.

Para a especialista, características como proatividade, organização e perfeccionismo são muito genéricas quando aparecem apenas como afirmações. Em vez de dizer ao recrutador que possui determinada qualidade, o candidato pode utilizar o espaço do currículo para mostrar, por meio de experiências e atividades realizadas, por que aquela característica faz parte do seu perfil profissional.

Ana Luiza Melo é psicóloga com 13 anos de atuação em Recursos Humanos, especialista em recrutamento e seleção, com ampla experiência no desenvolvimento de talentos e gestão de pessoas.
📷 Ana Luiza Melo é psicóloga com 13 anos de atuação em Recursos Humanos, especialista em recrutamento e seleção, com ampla experiência no desenvolvimento de talentos e gestão de pessoas. |Reprodução

Como substituir os adjetivos?

Uma das estratégias é priorizar informações objetivas sobre a experiência profissional. Em vez de escrever que é “extremamente organizado” ou “líder nato”, o candidato pode apresentar as atividades que desempenha, os processos que já conduziu e as ferramentas ou sistemas que domina.

Ana Luiza utiliza a própria experiência como exemplo. Como recrutadora, ela explica que não destacaria no currículo apenas características pessoais, mas informações relacionadas diretamente ao trabalho que realiza.

“Eu vou colocar no meu currículo que eu atuo na área de Recursos Humanos há muitos anos, que tenho experiência com determinado sistema e que já conduzi processos de vagas administrativas, operacionais e até vagas estratégicas de liderança. Então, eu vou pontuar o meu lado profissional”, exemplifica.

Dessa forma, cabe ao próprio recrutador interpretar as competências demonstradas pelo candidato a partir das experiências apresentadas.

“Se essa pessoa consegue conduzir um processo de 50 vagas ao mesmo tempo, então ela deve ser extremamente organizada”, afirma a especialista.

Currículo não é lugar para frases prontas

Outro ponto destacado por Ana Luiza é o uso de informações consideradas uma espécie de “receita de bolo”. Segundo ela, muitos candidatos acabam utilizando expressões prontas e comuns em currículos, sem adaptá-las à própria trajetória.

“O recrutador não vai falar: ‘ela disse aqui no currículo que é extremamente organizada, então ela deve ser’. Não. Ele quer evidência de que aquela pessoa é daquela forma. O que ela faz?”, questiona.

Por isso, até mesmo o espaço destinado ao objetivo profissional pode ser melhor aproveitado. Em vez de preencher o campo com uma sequência de adjetivos, o candidato pode apresentar de maneira objetiva sua área de atuação e as principais atividades que domina.

“Use esse espaço para descrever as atividades que você toma conta, que dá conta de fazer, porque isso vai te promover muito mais do que apenas colocar um adjetivo genérico”, orienta.

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Menos adjetivos, mais evidências

Isso não significa que o candidato não possa demonstrar suas características pessoais no currículo. A recomendação é fazer isso de maneira indireta, por meio de informações concretas.

Assim, em vez de escrever apenas “sou proativo”, por exemplo, é possível apresentar uma situação em que tomou a iniciativa para solucionar um problema. Da mesma forma, a organização pode ser demonstrada pela experiência em administrar diferentes demandas ou processos simultaneamente.

A lógica, segundo a especialista, é simples: mais do que dizer quem você é, o currículo deve mostrar o que você faz e quais resultados ou experiências comprovam suas competências.

Para quem está em busca de uma oportunidade, portanto, revisar o currículo e retirar expressões genéricas pode ser uma forma de tornar o documento mais objetivo e estratégico. Afinal, para o recrutador, exemplos concretos da trajetória profissional podem dizer muito mais do que uma lista de adjetivos.

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