Nesta semana, uma abordagem policial em Piracicaba, no interior de São Paulo, virou alvo de denúncias após três jovens detidos por suspeita de tráfico de drogas aparecerem usando camisetas alusivas à campanha de Lula. De acordo com relatos de testemunhas e familiares, as peças teriam sido colocadas nos envolvidos pelos próprios policiais.
A ocorrência de tráfico foi registrada na quarta-feira (21/10), na Comunidade Pantanal, após uma denúncia pelo telefone 190. Segundo a PM, o denunciante relatou que três pessoas comercializavam drogas, vestiam camisetas relacionadas ao então candidato à Presidência e que uma delas estaria armada.
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A corporação informou à imprensa que vai apurar as acusações. Segundo a PM, durante a abordagem, foram apreendidos um revólver calibre .32 com numeração suprimida, 160 porções de cocaína, além de R$ 340. Dois homens, de 21 e 24 anos, e um adolescente de 17 anos foram presos.
Contudo, segundo relatos de moradores feitos à imprensa, os jovens não usavam camisetas do PT antes da abordagem. Além disso, uma das testemunha relatou que acordou com o barulho da ação e disse ter visto os policiais colocarem os três sentados em um corredor e agredi-los. Ela também afirmou que uma adolescente de 14 anos, irmã de um dos detidos, teria levado um soco ao chamar a mãe.
De acordo com o relato da mãe do adolescente apreendido à portais de imprensa, o filho é usuário de drogas, mas não traficante, e negou que ele participasse de atividades de campanha política. Segundo ela, os policiais entraram na residência e a orientaram a não procurá-los. A mulher também denunciou agressões contra a filha.
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O caso ganhou repercussão após o senador Guilherme Derrite publicar um vídeo da chegada dos detidos à delegacia. Em nota, ele afirmou que o objetivo era chamar a atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico e que não fez referência às camisetas.
Além dele, a deputada Professora Bebel afirmou ter recebido denúncias de duas mulheres sobre agressões e a retirada de camisetas de militantes do PT na Comunidade Pantanal. Segundo ela, as peças usadas pelos detidos seriam uniformes de campanha distribuídos exclusivamente a pessoas contratadas para trabalhar nas atividades eleitorais do partido. Diante da situação, a parlamentar informou que apresentou representação à Corregedoria da PM.
Além dela, o PT também acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para solicitar que o Ministério Público Eleitoral (MPE) investigue o caso, justificando que as camisetas teriam sido colocadas nos jovens após a detenção para produzir um vídeo falso, repercutir nas redes sociais e prejudicar a campanha. Além disso, a legenda também denunciou supostas agressões contra os detidos e familiares, além de ameaças a pessoas que tentaram acompanhar a abordagem.
Em nota enviada à portais de imprensa, a PM confirmou que tomou conhecimento das acusações de agressão e de que os jovens teriam sido obrigados a vestir as camisetas. De acordo com a corporação, os relatos serão analisados por meio dos procedimentos de apuração cabíveis.
Já a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que eventuais denúncias sobre a conduta dos policiais serão investigadas, mas que, até o momento, não havia registro formal da ocorrência relacionada às acusações.
O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Piracicaba como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e ato infracional. O adolescente foi encaminhado a uma unidade da Fundação Casa. Após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (22/10), o homem de 21 anos foi solto, enquanto o de 24 anos permaneceu preso.
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