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INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Novo vídeo da série Revelando aborda ataques a Nossa Senhora Aparecida

Episódio apresentado por Juliette lembra episódios históricos de hostilidade contra a padroeira do Brasil e investiga a relação entre religião e poder político.

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Imagem ilustrativa da notícia Novo vídeo da série Revelando aborda ataques a Nossa Senhora Aparecida camera Novo episódio da série Revelando, apresentado por Juliette, debate ataques a Nossa Senhora Aparecida, intolerância religiosa e a relação entre fé e política. | Reprodução/YouTube/Calma Uregente!

A história de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é o ponto de partida do novo vídeo da série Revelando, publicado no canal do YouTube Calma Urgente!, nesta segunda-feira (12/10), feriado nacional em homenagem à padroeira do Brasil. Apresentado por Juliette, o episódio "A Guerra à Santa" aborda casos de intolerância religiosa, relembra ataques contra a imagem da santa e examina como discursos religiosos podem ser utilizados em disputas políticas. A produção também discute a influência de lideranças religiosas e políticas na propagação de ideias que colocam diferentes crenças em conflito.

O vídeo recupera episódios de hostilidade contra Nossa Senhora Aparecida, incluindo o caso de 12 de outubro de 1995, quando o bispo Sérgio von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou uma imagem da santa durante um programa exibido pela televisão.

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A produção também relembra outros episódios de desrespeito religioso, como a música Um Chute na Heresia, lançada em 1998 e associada a Marcelo Crivella, além de publicações que atacaram a devoção católica e religiões de matriz africana.

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O episódio menciona ainda o livro Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?, de Edir Macedo, que foi alvo de uma ação do Ministério Público Federal. Na ocasião, o órgão apontou que a obra dedicava grande parte de suas páginas a ofensas contra religiões afro-brasileiras. A produção relaciona esse histórico ao cenário de intolerância religiosa enfrentado por praticantes dessas tradições.

A ORIGEM DE NOSSA SENHORA APARECIDA

Para contextualizar a importância da santa, o vídeo revisita a narrativa tradicional de sua origem. Em outubro de 1717, três pescadores que tentavam conseguir peixes para um banquete em homenagem ao governador da capitania de São Paulo e Minas Gerais encontraram, no rio Paraíba do Sul, primeiro o corpo e depois a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição.

Segundo a tradição, após o encontro das duas partes da imagem, os pescadores conseguiram uma grande quantidade de peixes. A peça, escurecida pelo tempo que teria permanecido submersa, passou a ser venerada na casa de um dos homens, onde moradores da região se reuniam para rezar.

A devoção popular se espalhou e, em 1745, a santa ganhou sua primeira capela. O vídeo também destaca a história de Zacarias, um homem escravizado que, segundo a tradição religiosa, teve as correntes soltas enquanto rezava diante da capela. O episódio associa essa narrativa à dimensão simbólica da liberdade na história da padroeira.

Em 1904, Nossa Senhora Aparecida foi coroada, com uma coroa e um manto doados pela princesa Isabel. Em 1930, o papa Pio XI declarou a santa padroeira do Brasil. No ano seguinte, uma grande celebração no Rio de Janeiro reuniu, segundo o vídeo, cerca de um milhão de pessoas.

DEVOÇÃO QUE ATRAVESSA DIFERENTES CRENÇAS

Outro eixo do episódio é a maneira como Nossa Senhora Aparecida ultrapassou os limites da devoção católica. A produção cita pessoas que participam de celebrações por tradição familiar, mesmo sem professar a mesma religião, e lembra que, em alguns terreiros, o dia 12 de outubro também é associado a Oxum, orixá das águas doces.

O vídeo destaca que o feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida foi instituído por lei em 1980 e informa que, no ano anterior à produção, mais de 10,5 milhões de pessoas passaram pelo santuário dedicado à padroeira.

A apresentadora utiliza a imagem de uma família com diferentes crenças para defender a convivência religiosa. Nessa perspectiva, católicos, evangélicos, espíritas, praticantes de religiões de matriz africana e pessoas sem religião podem compartilhar espaços e laços familiares sem que a fé de um precise anular a do outro.

RELIGIOSOS E DISPUTAS POLÍTICOS

O episódio amplia a discussão ao abordar a aproximação entre grupos religiosos e setores políticos. A produção remonta ao final dos anos 1960, quando setores da Igreja Católica latino-americana passaram a defender maior compromisso com os pobres e a denunciar violações de direitos humanos durante ditaduras, incluindo a brasileira.

Nesse contexto, o vídeo menciona a atuação de organizações religiosas norte-americanas, como o grupo conhecido como The Family, e a oposição à Teologia da Libertação. A narrativa sustenta que determinadas correntes religiosas passaram a tratar a disputa por influência política, cultural e educacional como parte de uma estratégia de poder.

A produção também aborda o livro A Bomba: A Verdade Pode Ser Explosiva, atribuído ao bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações. Obra que apresenta Nossa Senhora Aparecida como uma representação disfarçada de uma divindade pagã associada a Satanás e critica a devoção à padroeira, além de atacar religiões de origem africana.

O episódio lembra que, em 2007, o deputado federal Victório Galli apresentou um projeto para retirar de Aparecida o título de padroeira do Brasil. A proposta foi rejeitada e arquivada em 2008. A produção também cita homenagens posteriores recebidas por JB Carvalho, incluindo uma medalha da Câmara dos Deputados, em 2016, e a Ordem de Rio Branco, em 2021.

FLÁVIO BOLSONARO E A DISCUSSÃO SOBRE LIBERDADE RELIGIOSA

A relação entre religião e política contemporânea aparece novamente quando o vídeo aborda Flávio Bolsonaro. A produção lembra que o senador foi batizado na Comunidade das Nações, igreja liderada por JB Carvalho, e que escolheu o mesmo espaço para uma aparição pública em dezembro de 2025, dois dias depois de lançar sua pré-candidatura à Presidência da República.

O episódio também recupera uma declaração de Flávio, feita em vídeo, na qual ele afirma que, caso seja eleito presidente, um de seus primeiros atos será decretar que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo. Segundo a produção, a fala provocou preocupação entre católicos, que a interpretaram como uma possível ameaça simbólica à posição de Nossa Senhora Aparecida. O senador, por sua vez, negou a interpretação e afirmou não ter intenção de retirar da santa o título de padroeira do Brasil.

A apresentadora argumenta que a discussão vai além do reconhecimento oficial da padroeira e envolve o posicionamento de lideranças religiosas diante da diversidade de crenças. O vídeo observa que Flávio Bolsonaro não teria esclarecido publicamente se concorda ou discorda das afirmações atribuídas ao líder religioso de sua igreja.

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA TAMBÉM ATINGE TERREIROS E IMAGENS SACRAS

A produção relaciona o debate histórico a episódios recentes de violência. De acordo com o vídeo, entre março e setembro de 2026, imagens de santos e terreiros foram destruídos em pelo menos sete estados brasileiros. Entre os casos citados está a queima de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida que servia de proteção simbólica a caminhoneiros na BR-163, no Pará.

Ao abordar esses episódios, o vídeo chama atenção para os efeitos concretos da intolerância religiosa e para a necessidade de distinguir a liberdade de professar uma crença do direito de desrespeitar ou perseguir quem segue outra tradição.

MENSAGEM FINAL É DE RESPEITO ENTRE DIFERENTES RELIGIÕES

No encerramento, Juliette retoma a imagem de Nossa Senhora Aparecida como símbolo de uma convivência em que diferentes pessoas podem compartilhar a mesma família, comunidade e sociedade, mesmo quando não acreditam nas mesmas coisas.

A mensagem é direcionada também aos evangélicos, com a defesa de que o respeito à padroeira não exige adesão à devoção católica. O argumento central é que a liberdade religiosa precisa valer para todos, independentemente de quem ocupe a Presidência da República.

O episódio termina com uma interpretação de "Romaria", canção de Renato Teixeira, como símbolo de união entre diferentes grupos sociais e religiosos, em contraposição a projetos que busquem impor uma única crença aos demais. A produção defende que o enfrentamento da intolerância passa pelo diálogo e pelo respeito mútuo, e não pela transformação das diferenças religiosas em conflitos entre brasileiros.

Calma Urgente
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