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BUSCA E SALVAMENTO

Como a FAB atua em acidentes aéreos como o que matou o cantor Rick

Sistema coordenado pela Força Aérea Brasileira mobiliza equipes, aeronaves e órgãos de emergência para localizar vítimas e realizar o resgate após quedas aéreas

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A busca e salvamento de vítimas de acidentes aéreos, como o que matou o cantor Rick Sollo e outras quatro pessoas, na última segunda-feira (21/09), em Santa Catarina, segue protocolos coordenados pela Força Aérea Brasileira (FAB). Esse tipo de operação é organizado pelo Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico (SISSAR), responsável por reunir informações sobre a ocorrência, localizar a aeronave e mobilizar os recursos necessários para atender as vítimas.

O trabalho começa assim que uma possível emergência aeronáutica chega aos centros responsáveis pelo monitoramento. A partir das informações disponíveis, as equipes avaliam a situação e definem quais meios serão empregados na localização da aeronave e, posteriormente, no atendimento aos ocupantes.

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COMO A OPERAÇÃO É ACIONADA

A aeronave SC-105 Amazonas, conhecida como Persuader, da Força Aérea Brasileira (FAB), foi responsável por localizar os destroços do helicóptero que transportava o cantor Rick Sollo e outras quatro pessoas em Santa Catarina.
📷 A aeronave SC-105 Amazonas, conhecida como Persuader, da Força Aérea Brasileira (FAB), foi responsável por localizar os destroços do helicóptero que transportava o cantor Rick Sollo e outras quatro pessoas em Santa Catarina. |Sgt Müller Marin/FAB

O SISSAR é administrado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), órgão responsável por normatizar, coordenar e controlar as atividades de Busca e Salvamento (SAR, na sigla em inglês para Search and Rescue) no país.

A estrutura funciona permanentemente. Militares dos Centros de Coordenação de Salvamento Aeronáutico (SALVAERO) permanecem em alerta 24 horas por dia, durante todo o ano. As unidades estão distribuídas estrategicamente pelo território nacional, incluindo Atlântico, Brasília, Curitiba, Manaus e Recife.

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Os SALVAERO estão subordinados aos Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (CINDACTA), estruturas que também atuam no controle do tráfego aéreo, na vigilância do espaço aéreo brasileiro e nas ações relacionadas à defesa aérea.

A operação, porém, não fica restrita à FAB. Dependendo das características da ocorrência, Marinha, Exército, polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e outras instituições públicas, privadas e organizações não governamentais podem participar das ações.

INFORMAÇÃO PODE ACELERAR LOCALIZAÇÃO DA AERONAVE

Uma ocorrência pode chegar ao conhecimento dos centros de coordenação por diferentes caminhos. De acordo com o Major Aviador Bruno Vieira Passos, chefe da Divisão de Busca e Salvamento do DECEA, os alertas podem partir de órgãos de controle, rádios e torres de controle, além de equipamentos instalados nas próprias aeronaves.

Outro recurso importante são as balizas de emergência, capazes de emitir sinais que ajudam na localização da aeronave. Familiares, pilotos, proprietários do avião ou pessoas que tenham testemunhado o acidente também podem comunicar a ocorrência.

Todas essas informações passam por análise antes da confirmação da emergência. Uma vez constatada a necessidade de intervenção, o Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) é acionado para disponibilizar os meios aéreos que serão empregados na missão.

A qualidade das informações recebidas pode fazer diferença no tempo de resposta. Por isso, o DECEA destaca a necessidade de que os dados das balizas de emergência estejam corretamente registrados e atualizados no banco de dados do Centro Brasileiro de Controle de Missão (BRMCC).

PRIMEIRO OBJETIVO É ENCONTRAR A AERONAVE

A operação é dividida em etapas. Inicialmente, quando o paradeiro da aeronave ainda é desconhecido, entram em ação os chamados meios de busca. O objetivo é identificar o local onde ocorreu a queda ou onde a aeronave foi localizada pela última vez.

Depois que a posição é determinada, são empregados os meios de salvamento, responsáveis por chegar ao ponto identificado e retirar os sobreviventes da área do acidente.

A prioridade das equipes é localizar e resgatar pessoas com vida. Quando há sobreviventes, eles são encaminhados para atendimento médico. Em situações nas quais é confirmada a morte dos ocupantes, a operação segue os procedimentos necessários relacionados às vítimas e à ocorrência.

As buscas podem ser suspensas quando os ocupantes não são encontrados, mas o encerramento não significa necessariamente o abandono definitivo da operação. Novos indícios podem levar à retomada das ações.

HELICÓPTEROS SÃO PREPARADOS PARA RESGATES COMPLEXOS

Helicóptero H-60L Black Hawk da Força Aérea Brasileira, empregado em missões de busca e salvamento, como nas operações para localizar aeronaves desaparecidas.
📷 Helicóptero H-60L Black Hawk da Força Aérea Brasileira, empregado em missões de busca e salvamento, como nas operações para localizar aeronaves desaparecidas. |Divulgação/Agência Força Aérea Brasileira/Sargento Johnson

Depois de reunir informações como matrícula da aeronave, localização provável da queda e possibilidade de existência de sobreviventes, o SALVAERO pode acionar os Esquadrões de Busca e Salvamento da FAB.

As unidades contam com militares especializados e aeronaves preparadas para missões que podem envolver áreas de difícil acesso, longas distâncias e operações tanto durante o dia quanto à noite.

Entre os helicópteros utilizados nesse tipo de atividade estão os modelos H-36 Caracal e H-60L Black Hawk. As aeronaves são empregadas por suas características de voo e pela capacidade de executar diferentes tipos de operação de resgate.

A FAB possui dez Esquadrões de Busca e Salvamento distribuídos por diferentes regiões do país. Eles estão localizados em Campo Grande (MS), Parnamirim (RN), Rio de Janeiro (RJ), Santa Maria (RS), Manaus (AM), Canoas (RS) e Belém (PA).

MILITARES PASSAM POR TREINAMENTO ESPECÍFICO

Militares da FAB passam por treinamentos constantes para atuar em operações de busca e salvamento, com exercícios que simulam situações de emergência e resgate em diferentes condições.
📷 Militares da FAB passam por treinamentos constantes para atuar em operações de busca e salvamento, com exercícios que simulam situações de emergência e resgate em diferentes condições. |Divulgação/Agência Força Aérea Brasileira

Uma operação de busca e salvamento exige equipes especializadas em diferentes funções. Segundo o Tenente-Coronel Aviador Bruno Cesar Guimarães de Oliveira, comandante do Esquadrão Puma (3º/8º GAV), os profissionais envolvidos passam por uma preparação extensa antes de estarem aptos a participar dessas missões.

A formação inclui cursos destinados a coordenadores, pilotos, mecânicos, operadores de equipamentos especiais, observadores SAR e homens de resgate. Cada função exige capacitações específicas, além de anos de formação profissional.

Mesmo depois da formação, os militares participam de treinamentos periódicos para manter a capacidade de resposta diante de situações reais.

TECNOLOGIA AMPLIA CAPACIDADE DE RESGATE

Helicópteros, drones com câmeras térmicas e sistemas de rastreamento são utilizados para ajudar as equipes a localizar aeronaves desaparecidas.
📷 Helicópteros, drones com câmeras térmicas e sistemas de rastreamento são utilizados para ajudar as equipes a localizar aeronaves desaparecidas. |Divulgação/Agência Força Aérea Brasileira

A estrutura utilizada pela FAB também envolve equipamentos desenvolvidos para operações em condições adversas. O Esquadrão PUMA, por exemplo, utiliza helicópteros H-36 equipados para missões diurnas e noturnas.

As aeronaves contam com sensores térmicos e radares que auxiliam as equipes durante a localização e o resgate. O modelo também possui capacidade para realizar operações a centenas de quilômetros da costa.

O treinamento realizado em conjunto com a Marinha do Brasil ampliou ainda mais as possibilidades de atuação do esquadrão, permitindo operações embarcadas em navios.

TRABALHO CONTINUA MESMO EM SITUAÇÕES DE GRANDE DIFICULDADE

O preparo permanente das equipes tem como objetivo garantir uma resposta rápida quando ocorre um acidente aeronáutico. Os militares envolvidos nas operações são mantidos em condições de pronto emprego para atender diferentes tipos de emergência.

No caso de acidentes com múltiplas vítimas, como o que vitimou Rick Sollo e outras quatro pessoas, a estrutura de busca e salvamento é mobilizada de acordo com as informações disponíveis e com as características do local da ocorrência.

Além do treinamento, a FAB mantém investimentos em equipamentos e aeronaves utilizados tanto em atividades militares quanto em ações de atendimento à população em períodos de paz.

A lógica que orienta essas missões é direta: localizar a aeronave, identificar a situação dos ocupantes e, quando houver sobreviventes, chegar até eles no menor tempo possível para realizar o resgate e encaminhamento para atendimento.

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