Uma operação contra anabolizantes clandestinos foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (12) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Batizada de Operação Narciso, a ação investiga uma organização criminosa suspeita de produzir, distribuir, promover e escoar anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados para diferentes regiões do país. Ao todo, a Justiça autorizou 45 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas ligadas ao esquema.
Além das prisões e buscas, os investigadores conseguiram o bloqueio de R$ 32 milhões em contas bancárias, instituições financeiras e empresas relacionadas ao grupo suspeito. A Justiça também determinou o sequestro de 11 veículos de luxo.
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BENS DE ALTO VALOR SÃO APREENDIDOS

Entre os veículos apreendidos estão um modelo elétrico de uma fabricante alemã, um carro esportivo, duas berlinas de marcas premium europeias, duas caminhonetes de grande porte, um SUV e uma motocicleta de alta cilindrada. A decisão judicial permite ainda que outros bens móveis de alto valor encontrados durante o cumprimento das ordens sejam apreendidos.
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A ofensiva também atingiu 13 estabelecimentos comerciais e laboratórios de manipulação, que tiveram as atividades suspensas e foram fechados por determinação judicial.
Outro braço do esquema funcionava nas redes sociais. 22 perfis usados para anunciar os produtos e conquistar consumidores foram bloqueados, com determinação para que as páginas fossem excluídas das plataformas.
PRODUÇÃO OCORRIA EM LOCAIS IMPROVISADOS
De acordo com a investigação, a estrutura criminosa começou a ser desvendada após uma operação de busca na residência de um dos suspeitos, apontado como integrante da liderança de um dos núcleos.
No celular apreendido durante a diligência, os policiais encontraram um grande volume de mensagens que, segundo a PCDF, ajudou a revelar como a organização era dividida e como seus diferentes núcleos atuavam.
Os investigadores descobriram que hormônios, diuréticos e estimulantes eram produzidos em casas e depósitos improvisados, sem procedimentos adequados para garantir esterilidade, pureza ou segurança sanitária dos produtos.
Depois da fabricação, o grupo utilizava estratégias para tentar conferir aparência de legitimidade às mercadorias.
RÓTULOS SIMULAVAM PRODUTOS IMPORTADOS
As embalagens recebiam nomes em idiomas estrangeiros e bandeiras de outros países. Segundo a polícia, a intenção era criar a aparência de que os produtos haviam sido fabricados ou importados por laboratórios estrangeiros.
Em alguns casos, os criminosos reproduziam marcas já conhecidas no mercado. Em outros, utilizavam referências a supostos laboratórios que não existiam.
A cadeia de produção e comercialização envolvia pessoas de diferentes profissões. Designers eram responsáveis pela identidade visual das marcas clandestinas, enquanto nutricionistas e treinadores recomendavam o consumo das substâncias e davam respaldo à comercialização.
A investigação também identificou a participação de médicos veterinários, que seriam responsáveis por emitir receitas falsas utilizadas na aquisição de medicamentos de uso controlado em estabelecimentos agropecuários.
Uma gráfica também teria papel específico na operação. O estabelecimento produzia, sob encomenda, rótulos e embalagens para os produtos clandestinos. Para dificultar uma eventual investigação, os arquivos utilizados na impressão eram apagados das máquinas.
REDES SOCIAIS ERAM USADAS PARA VENDER PRODUTOS

Depois de produzidos e embalados, os anabolizantes e demais substâncias eram anunciados pela internet.
Os perfis utilizados pelo grupo serviam tanto para divulgar os produtos quanto para atrair consumidores e estimular as compras. A estratégia permitia que a organização alcançasse clientes fora das regiões onde mantinha seus pontos físicos de fabricação e armazenamento.
A atuação virtual ajudava, assim, a ampliar o alcance do esquema e contribuiu para seu caráter interestadual.
DINHEIRO PASSAVA POR CONTAS DE TERCEIROS

A investigação também identificou uma complexa estrutura montada para ocultar o dinheiro obtido com a venda das substâncias.
Segundo a PCDF, o principal núcleo da organização mantinha uma relação financeira com uma fornecedora situada em uma região de fronteira. Doleiros auxiliavam na movimentação, indicando contas de terceiros e empresas de fachada no Brasil para receber e distribuir os valores.
Os investigadores também encontraram o uso de contas bancárias e chaves Pix pertencentes a parentes dos suspeitos, que funcionariam como "laranjas" para receber pagamentos feitos pelos consumidores.
Em outra frente, uma empresa era utilizada para movimentar recursos entre diferentes estados.
APOSTAS E JOGOS TAMBÉM ENTRAVAM NA MOVIMENTAÇÃO
O esquema financeiro ia além das contas bancárias tradicionais. Conforme a investigação, os suspeitos utilizavam contas mantidas em casas de apostas e plataformas de jogos on-line.
De acordo com os investigadores, essas plataformas permitiam converter, dividir e transferir rapidamente os valores, criando novas camadas de dificuldade para o rastreamento da origem do dinheiro.
A estratégia fazia parte do mecanismo de lavagem de dinheiro identificado pela polícia.
OPERAÇÃO ALCANÇA QUATRO REGIÕES DO PAÍS
Coordenada pela Corf (Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes), a Operação Narciso mobiliza policiais em diferentes estados. A dimensão territorial das diligências levou a PCDF a classificar a organização como de atuação interestadual e transnacional.
No Distrito Federal, estavam concentradas as principais estruturas de fabricação e armazenamento. A região também reunia academias relacionadas à divulgação dos produtos e a gráfica apontada como responsável pela produção das embalagens.
Em Goiás, os investigadores identificaram depósitos usados para receber insumos na região de divisa com o Distrito Federal. As diligências também atingiram uma farmácia de manipulação ligada ao esquema e estruturas utilizadas para movimentação financeira.
LABORATÓRIO FUNCIONAVA EM IMÓVEL DE ALTO PADRÃO NA PARAÍBA
Em João Pessoa, na Paraíba, a polícia identificou uma espécie de filial do laboratório. A estrutura funcionava a partir de uma mansão alugada.Um dos líderes também mantinha uma residência de alto padrão à beira-mar, que, segundo a investigação, era utilizada dentro da estrutura criminosa. Familiares e uma parceira local ajudavam no recebimento de insumos enviados do exterior por meio do serviço postal.
Já no Paraná, as diligências se concentraram em Foz do Iguaçu, região estratégica para o esquema. Segundo a polícia, uma fornecedora instalada na área de fronteira e o marido dela coordenavam o abastecimento das substâncias destinadas a diferentes estados.
PRODUTOS TAMBÉM ERAM ENVIADOS PARA ACRE E MINAS GERAIS
A estrutura de distribuição alcançava ainda outros pontos do país. Em Rio Branco, no Acre, e Uberlândia, em Minas Gerais, foram identificadas estruturas utilizadas para o escoamento dos produtos. Essas cidades também aparecem na investigação como locais onde os suspeitos mantinham patrimônio.
Com prisões, bloqueios financeiros, apreensão de veículos, fechamento de estabelecimentos e retirada de perfis das redes sociais, a Operação Narciso busca desmontar os diferentes braços de uma organização que, segundo a Polícia Civil, combinava produção clandestina, falsificação de identidade comercial, venda pela internet, distribuição interestadual e lavagem de dinheiro.
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