O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso na manhã desta quinta-feira (2), durante uma operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do chamado "novo jogo do bicho". A prisão ocorreu em um hotel na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense.
A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da quinta fase da Operação Unha e Carne. Além de Poncio, a ação também teve como alvos o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, que já se encontravam presos e foram alvo de novos mandados judiciais.
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Márcio Poncio é fundador da Igreja da Nuvem, empresário do setor de tabaco e pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio. Conhecido nacionalmente tanto pela atuação religiosa quanto pelos negócios empresariais, ele passou a ser investigado por supostas ligações com organizações criminosas envolvidas no comércio ilegal de cigarros e em esquemas de lavagem de capitais.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam que Poncio teria mantido relações com a estrutura criminosa liderada por Adilsinho, apontado pelas autoridades como um dos principais chefes do jogo do bicho no estado do Rio de Janeiro e responsável por uma rede de fabricação e distribuição de cigarros ilegais.
A operação desta quinta-feira é resultado da análise de documentos e planilhas apreendidos anteriormente com Adilsinho. Segundo a PF, o material contém registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras paralelas utilizadas para ocultar recursos de origem ilícita.
As anotações também levantaram suspeitas sobre possíveis repasses financeiros a agentes públicos e políticos do estado do Rio de Janeiro, ampliando o escopo das investigações para além das organizações criminosas.
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Ao todo, a Polícia Federal cumpre três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O ministro Alexandre de Moraes também determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões.
A atual fase da Operação Unha e Carne é um desdobramento das investigações iniciadas pela Operação Fumus, deflagrada em 2021 para apurar o comércio ilegal de cigarros no estado do Rio de Janeiro. Posteriormente, as investigações passaram a apurar suspeitas de vazamento de informações sigilosas, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do crime organizado, empresários e agentes públicos.
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