Empreender por necessidade é uma realidade para milhares de brasileiros e brasileiras que buscam alternativas para equilibrar trabalho, renda e responsabilidades familiares. Em muitos casos, pequenos negócios iniciados dentro de casa acabam se transformando em importantes fontes de sustento, impulsionados pela criatividade, dedicação e persistência.
Foi esse o caminho seguido por Monaliza Joyce Silva, de 34 anos, moradora de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo. Mãe de sete filhos, ela encontrou na produção de sorvetes artesanais uma oportunidade de garantir o sustento da família após deixar o emprego formal que ocupava durante o período noturno.
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Mudança de rotina motivou novo caminho profissional
Antes de se dedicar ao próprio negócio, Monaliza trabalhava como operadora de máquina em uma empresa, cumprindo jornada no turno da noite. A rotina exigia longas horas em pé e precisava ser conciliada com os cuidados dos filhos durante o dia.
Segundo relato publicado em abril de 2026, a situação tornou-se ainda mais desafiadora durante a gravidez dos filhos gêmeos, os mais novos da família. O desgaste físico e a necessidade de acompanhar consultas médicas contribuíram para a decisão de buscar uma atividade que permitisse maior flexibilidade.
Influência da infância despertou interesse pela produção
O contato com os sorvetes artesanais começou ainda na infância. Monaliza acompanhava a avó na preparação de receitas tradicionais, como os sabores de milho e coco, aprendendo técnicas básicas de produção.
Com o passar dos anos, o conhecimento adquirido permaneceu guardado até que a necessidade de gerar renda trouxe a cozinha novamente para o centro da rotina familiar.
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Investimento inicial foi de apenas R$ 86
A empreendedora iniciou o negócio com um investimento considerado modesto. Com R$ 86, adquiriu embalagens e bases para os primeiros sorvetes, apostando em sabores como morango, maracujá e menta.
Para divulgar os produtos, instalou uma placa no portão de casa e passou a vender diretamente aos moradores da vizinhança. Antes disso, já comercializava doces e salgados de maneira informal, experiência que ajudou a identificar a boa aceitação dos produtos gelados.
Primeiros meses foram marcados por dificuldades
O início da atividade foi cercado por desafios. A falta de estrutura adequada para armazenamento e conservação dos produtos provocava perdas e dificultava a expansão das vendas.
Em 2025, Monaliza passou a utilizar plataformas de entrega para ampliar o alcance dos clientes. Apesar de receber o primeiro pedido poucos dias após o cadastro, os meses iniciais apresentaram resultados instáveis. Em determinado período, ela chegou a passar duas semanas sem registrar vendas.
Capacitação ajudou a profissionalizar a produção
Buscando melhorar a qualidade dos produtos, a empreendedora investiu em capacitação profissional. Um curso técnico voltado para a produção de sorvetes contribuiu para o aperfeiçoamento de aspectos relacionados à textura, conservação e armazenamento.
A experiência também levou à adoção de medidas para separar os alimentos destinados ao consumo da família daqueles produzidos para comercialização, fortalecendo os cuidados com higiene e organização.
Ampliação do cardápio impulsionou as vendas
A diversificação dos sabores foi um dos fatores que contribuíram para o crescimento do negócio. Inicialmente restrito a poucas opções, o cardápio ganhou novos produtos, especialmente versões com chocolate, que registraram boa aceitação entre os consumidores.
Com a expansão gradual da produção, o número de itens disponíveis aumentou até alcançar 23 opções, incluindo sorvetes em pote e picolés recheados.
Estrutura e divulgação ampliaram faturamento
O crescimento da demanda exigiu melhorias na estrutura de trabalho. A aquisição de um freezer horizontal permitiu ampliar a capacidade de produção, melhorar a conservação dos produtos e organizar o estoque.
Além da atuação em aplicativos de entrega, Monaliza passou a utilizar as redes sociais para divulgar o processo de fabricação e os lançamentos do cardápio. As iniciativas contribuíram para ampliar a visibilidade do negócio e atrair novos clientes.
De acordo com a publicação, o faturamento mensal alcançou aproximadamente R$ 6 mil, com maior movimento entre sexta-feira e segunda-feira.
Loja física está entre os próximos objetivos
Com o negócio consolidado como principal fonte de renda da família, a empreendedora agora planeja novos passos. Entre as metas está a abertura de uma loja física, projeto que permitiria ampliar a operação e oferecer mais opções aos consumidores.
A expectativa é encerrar o ano com faturamento acumulado próximo de R$ 80 mil, resultado que dependerá da manutenção das vendas e da expansão da estrutura produtiva.
Exemplo de empreendedorismo por necessidade
A trajetória de Monaliza Joyce Silva evidencia uma realidade comum entre muitos brasileiros que encontram no empreendedorismo uma alternativa para enfrentar desafios financeiros e conciliar responsabilidades familiares.
O que começou com um investimento de R$ 86 e vendas realizadas no portão de casa tornou-se uma atividade capaz de sustentar uma família numerosa, demonstrando como pequenos negócios podem representar oportunidades de geração de renda e transformação social.
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