O céu que desaba sem pedir licença costuma levar mais do que telhas e paredes: arrasta consigo histórias, memórias e a sensação de permanência que sustenta a vida cotidiana. Em momentos assim, a tragédia deixa de ser estatística e ganha rosto, nome e sobrenome, transformando cidades inteiras em territórios de luto e resistência.
Foi sob esse cenário de devastação provocado pelas fortes chuvas em Juiz de Fora que famílias passaram a conviver com a ausência e a incerteza. Entre elas está a de Maria Aparecida Batista, que viu 17 parentes serem engolidos pela tragédia - três mortos e outros 14 ainda desaparecidos sob a lama que soterrou partes dos bairros JK e Parque Jardim Burnier, duas das áreas mais atingidas.
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Em entrevista à TV Integração, Maria contou que nunca havia testemunhado uma destruição dessa magnitude. Segundo ela, o trabalho de resgate tem sido lento e angustiante, prejudicado pelo estado do terreno. "A terra está muito molhada, com muito barro. Eles estão encontrando muita dificuldade para localizar os corpos", relatou, com a voz marcada pelo cansaço e pela dor.
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Mesmo diante das perdas, Maria tenta manter a firmeza para amparar os sobreviventes da família. Ela contou que uma das parentes chegou a desmaiar ao se deparar com a dimensão da tragédia, e que agora todos tentam encontrar forças uns nos outros. "A gente fica triste, mas precisa ser forte para apoiar quem ficou. Só Deus dá força para resistir", disse.
NÚMERO DE MORTES AUMENTA
De acordo com boletim divulgado pelo Corpo de Bombeiros na manhã desta quinta-feira (26), o número de mortos chegou a 49, considerando também ocorrências na cidade de Ubá. Outras 18 pessoas seguem desaparecidas, enquanto 238 foram resgatadas com vida.
As buscas continuam em meio à lama e aos escombros, e também em meio à esperança de famílias que ainda aguardam respostas diante do silêncio deixado pela chuva.
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