Há tragédias que o tempo não apaga, apenas reorganiza a dor em camadas silenciosas. Quando um nome volta a circular, quando uma imagem reaparece fora de contexto, o passado se impõe com força e desmonta qualquer tentativa de seguir em frente. Para famílias marcadas por crimes que chocaram o país, cada nova exposição pública pode significar a reabertura de feridas que nunca cicatrizaram por completo.
Foi nesse tom que Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, se manifestou nas redes sociais na última terça-feira (6), após a repercussão da informação sobre um passaporte da filha encontrado em um apartamento em Portugal. Em um desabafo publicado no Instagram, ela afirmou viver um momento de "profunda dor e exaustão emocional" ao ver, mais uma vez, o nome e a imagem de Eliza circularem de forma sensacionalista.
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INSTRUMENTO DE AUDIÊNCIA
Sônia criticou duramente a condução da matéria que viralizou nos últimos dias e apontou falta de sensibilidade e ética por parte de profissionais da imprensa. Segundo ela, a exposição não apenas ignora o sofrimento da família, como transforma uma história de violência em instrumento de audiência. “Minha filha tinha sonhos, tinha uma história, e não pode ser reduzida a uma manchete fria”, escreveu.
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"Dói constatar que ainda existam profissionais da imprensa que escolham ignorar a sensibilidade, a ética e a responsabilidade, deixando de investigar os fatos com seriedade e de publicar uma matéria honesta e verdadeira. Aprendi, da forma mais dura possível, que não se pode esperar humanidade, respeito ou atitudes profissionais de pessoas pequenas diante de uma dor que elas nunca precisaram sentir", desabafou.
CRÍTICA À LEO DIAS TV
A mãe também reforçou aquilo que, segundo suas próprias palavras, nenhuma mulher deveria precisar repetir diariamente: Eliza está morta. Para Sônia, cada nova especulação pública intensifica o luto permanente, transformando saudade em revolta e ampliando o vazio deixado pelo crime ocorrido em 2010.
Na publicação, Sônia Moura ainda questionou a narrativa divulgada pela LeoDias TV, responsável por tornar pública a descoberta do documento. Ela afirmou que a história apresenta lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam, alimentando ainda mais a angústia da família. "Há perguntas sem respostas e fatos mal explicados que gritam por esclarecimento", destacou.
Apesar das críticas, Sônia disse que, neste momento, opta pelo silêncio como forma de preservação emocional. Ainda assim, garantiu que seguirá cobrando das autoridades respostas oficiais. Para ela, o caso de Eliza Samudio continua marcado por dúvidas que precisam ser esclarecidas, em nome do respeito, da verdade e da justiça.
ENTENDA O CASO
Eliza Samudio foi assassinada em 2010, em um crime que chocou o Brasil e teve ampla repercussão nacional. Nas últimas semanas, voltou ao centro do debate público após a divulgação da informação de que um passaporte em nome da modelo teria sido encontrado em Portugal.
Segundo as informações reveladas até o momento, o documento foi localizado no fim de 2025 em um apartamento alugado no país europeu, guardado entre livros em uma estante. O homem que afirma ter encontrado o passaporte foi entrevistado pela Leo Dias TV. A identidade dele e da locatária do imóvel não foram divulgadas.
O passaporte foi entregue ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que comunicou o Itamaraty, em Brasília. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o documento está expirado e cancelado e será mantido à disposição da família de Eliza Samudio, caso haja interesse em recebê-lo.
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