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TUDO CULPA DO BIG BROTHER

Veja a mensagem secreta por trás da candidatura de Felipe Neto

A internet foi surpreendida na noite desta quinta-feira ao anuncio feito por Felipe Neto de que ele planeja concorrer à presidência em 2026. O vídeo, entretanto, se revela uma sátira ao controle de informação, fake news e o livro 1984, o famoso Big Brother

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Imagem ilustrativa da notícia Veja a mensagem secreta por trás da candidatura de Felipe Neto camera Felipe Neto vem como candidato? Impossível afirmar. Mas que o vídeo dele como pré-candidato foi sobre outra coisa, isso foi. | Divulgação

Em cerca de três semanas, os telespectadores brasileiros irão se reunir na frente das televisões, celulares, computadores e demais telas para esperar o resultado de uma votação bem específica: quem será o campeão do Big Brother Brasil, programa que faz parte do imaginário popular há mais de duas décadas. Mesmo com o reality estando longe de ser sucesso de audiência esperado pela Globo, a definição desse vencedor poderá ter relação direta com o vencedor de outro pleito, bem mais significativo: quem será eleito presidente do Brasil em 2026.

Mas o que um reality show sobre pessoas confinadas em uma casa, sem informação externa, tem a ver com as eleições presidenciais no próximo ano? Muito, na verdade. Pelo menos teve na noite desta quinta-feira (3), após o youtuber Felipe Neto publicar um vídeo anunciando sua pré-candidatura à Presidência da República. A gravação pegou muitos internautas de surpresa, mas quem esteve mais atento conseguiu entender a mensagem por trás da gravação: o que ocorria ali era o Big Brother.

1984

Não, o vídeo não é uma publicidade do programa da Globo, mas a algo mais antigo. Uma obra literária de 76 anos, para ser mais exato. Em 1949, o escritor e jornalista George Orwell publicou o livro "1984", que apresentava um futuro distópico, com o planeta dividido em três grandes nações em uma guerra infinita. Na trama, acompanhamos o personagem Winston Smith, morador da nação Oceânia, lugar de um governo totalitarista, comandado pelo “Grande Irmão” (ou Big Brother, no original), um ditador que vigia a todos e concentra todo o poder em suas mãos, incluindo sobre os meios de informação.

Na trama, todos os habitantes possuem em suas casa um aparelho chamado Tele-Tela, uma espécie de TV que nunca pode ser desligada e que, além de passar mensagens com as informações que o Grande Irmão quer que sejam publicadas - e não necessariamente reais - tem uma câmera que vigia o tempo todo cada cidadão na nação.

O livro, como você já deve saber ou talvez tenha entendido agora, é a referência para o nome do BBB, em que os participantes são vigiados o tempo todo, com cada uma de suas ações julgadas por quem assiste, tal qual no mundo de 1984. O que você pode não ter percebido é que o livro também foi a base para o anúncio feito por Felipe Neto.

REFERÊNCIAS

Para quem já teve contato com a obra de Orwell, o vídeo em que Felipe Neto se apresenta como pré-candidato à Presidência é uma clara sátira ao livro, e por consequência, o cenário atual do mundo real. Não que Felipe Neto não possa concorrer nas próximas eleições, mas a mensagem mais clara no vídeo parece ser a crítica ao uso de redes sociais para controlar a informação que chega ao leitor, principalmente através de fake news, que foram bastantes usadas nos últimos pleitos, se tornando uma das principais preocupações da Justiça Eleitoral.

Confira algumas das referências feitas por Felipe Neto ao livro 1984:

“Como em toda a minha carreira, eu baseio minhas opiniões no domínio da informação e no meu enorme anseio de ser guardião da verdade”:

A fala de Felipe Neto nesse trecho faz referência ao controle de informação feito pelo governo ditatorial do Grande irmão. Na obra, toda a mídia que circula na nação é controlada pelo Estado, que pode passar à população apenas as informações que o partido quer, incluindo informações falsas. Ao povo, sem ter outra fonte de informação, só basta aceitar tudo como verdade. O controle da informação chega ao ponto, inclusive, de mudar fatos históricos para servir a interesses atuais do governo. “O passado era apagado, o apagado era esquecido, a mentira se tornava verdade”, diz a obra.

A frase pode ser entendida como uma crítica de Felipe Neto ao uso das redes sociais para disseminar fake news, que muitos usuários de aplicativos compartilham sem checar a veracidade da informação.

“(...) profunda reflexão e estudos documentados no meu diário, que me acompanha desde o começo dessa jornada”.

Em 1984, todo cidadão é proibido de escrever qualquer coisa sem autorização do governo. Na obra, Winston possui um diário secreto, no qual escreve clandestinamente informações e pensamentos, alguns contra o partido do Grande Irmão, o que é configurado como crime.

“Eu tenho ao meu lado a maior arma do nosso tempo: o uso das redes”

A frase de Felipe se parece com o discurso apresentado pelo Grande Irmão, que embora tenha a seu dispor o poder militar e político, tem como a maior arma para o controle social o domínio total da informação. O paralelo pode ser feito com o uso das redes sociais no nosso mundo, em que diversas pessoas usam celulares e aplicativos como Instagram e TikTok para se manterem informados, sem procurar as fontes oficiais.

“Todas as plataformas têm acesso aos nossos gostos, aos nossos interesses, as nossas ideologias. Não há escapatória”

Assim como todas nossas informações pessoais são compartilhadas pelas redes sociais, voluntariamente ou não, na obra de Orwell todas as pessoas são vigiadas pelas tele-telas, sem que nada possa ser feito escondido do sistema - para nós, sem que as empresas que detêm os dados das redes sociais fiquem sabendo.

“Estou lançando uma nova rede social: a Nova Fala”.

Em 1984, uma das principais formas da ditadura controlar a população é alterando a língua e lançando um novo idioma, a “Nova Fala”, com um vocabulário cada vez menor. Na obra, os líderes do partido defendem que, se uma população possui maior dificuldade de se comunicar, então não consegue se organizar para fazer reivindicações e lutar contra o sistema.

“Essa rede seria algo como um ministério. Ainda vou definir qual, talvez o da Verdade”.

No mundo de 1984, o governo ditatorial possui três ministérios: o Ministério da Paz, responsável por travar as guerras; o Ministério do Amor, responsável pela vigilância dos cidadãos e tortura de presos políticos; e o Ministério da Verdade, responsável pela manipulação de informação e controle da mídia.

“Ela ajudaria a gente a entender qual é a opinião da maioria sobre cada momento da história, e aí os livros didáticos retratariam a vontade da maioria”

O Ministério da Verdade altera dados históricos passados para que encaixem melhor com a "realidade" estabelecida pelo Grande Irmão. Por exemplo, se a Nação Oceânia entra em guerra com a nação Eurásia, os livros didáticos são alterados para dar a informação de que os dois países sempre estiveram em guerra, apagando o passado em que as nações viviam em paz, tornando mais aceitável para a população a ideia de travar a guerra. “Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado”, diz a obra.

“Assim como um pai precisa vigiar o filho para educá-lo bem, é isso que precisa fazer um líder de uma nação”

A referência mais clara do vídeo ao governo autoritário e controlador apresentado no livro, em que o Grande Irmão elimina opositores e impõe comportamentos sob um discurso de “defesa nacional”.

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