
Num cenário cada vez mais competitivo no futebol brasileiro, a figura do executivo de futebol se torna indispensável para a construção de projetos sólidos e sustentáveis dentro dos clubes.
Mais do que um elo entre diretoria, comissão técnica e elenco, o profissional é um gestor estratégico responsável por montar o elenco, liderar negociações, zelar pela saúde financeira do departamento de futebol e garantir a coerência entre o discurso e a prática.
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É dele a missão de planejar, antecipar desafios, captar oportunidades no mercado e assegurar que o clube tenha condições, estrutura e atletas para competir em alto nível. O trabalho, muitas vezes invisível ao grande público, é determinante para o sucesso ou fracasso de uma temporada.
No Paysandu, esse papel é exercido por Felipe Albuquerque, que está à frente do departamento de futebol bicolor pela quarta temporada. Em um momento decisivo da equipe, ele concedeu entrevista detalhando pontos importantes do planejamento do clube e fazendo um balanço da temporada.
"O balanço, até agora, da temporada, é positivo. Chegamos ao 16º jogo com 10 vitórias, cinco empates e apenas uma derrota. Estamos na final do Campeonato Paraense, na final da Copa Verde, na terceira fase da Copa do Brasil e às vésperas da estreia na Série B do Campeonato Brasileiro. Somos o único clube paraense vivo em todas as competições que estão sendo disputadas. Isso é motivo de satisfação, pois nos mostra que estamos no caminho e na direção certa", destacou à Rádio Clube do Pará.

Confira outros trechos da entrevista.
Dificuldades para contratar no futebol do norte:
"Confesso que, quando cheguei, ouvi que contratar para a Série B, estando no norte do Brasil, seria mais difícil. Muitas negociações que fizemos para a montagem deste elenco, um ou outro atleta pontuou a questão da distância, da origem, da moradia fixa ou dos familiares. Posso dizer que não foi o nosso principal gargalo. Entretanto, com os dois maiores clubes do futebol do norte na Série B, a visibilidade é muito maior. O clássico é o mais jogado do mundo e muitos atletas querem viver essa experiência, essa história. Temos, sim, pontos de fragilidade (para contratar), mas temos muitos pontos positivos. Tanto é que conseguimos montar uma equipe competitiva."

Pressão de defender o Paysandu:
"Qualquer profissional que vem trabalhar no Paysandu precisa ter a noção da grandeza do clube. Às vezes, é uma coisa que só é entendida quando se vivencia. É algo que, explicando, muitos não entendem e precisam viver. Para se adaptar à cobrança, é preciso aprender o que é o clube o mais rápido possível. Isso vale para qualquer profissional, pode ser executivo, jogador, treinador, precisa estar ciente de que responde muitos torcedores apaixonados, que são a razão da existência deste clube, pois são os verdadeiros donos do clube. Respondemos e devemos satisfação a uma massa muito grande. Qualquer profissional que chegue ao Paysandu precisa ter essa ciência, pois ele será cobrado durante todo o momento que estiver à frente deste clube."

Série B 2025:
"Tenho convicção de que a Série B será extremamente competitiva, pois é uma competição fantástica, muito bem organizada e todas as equipes se preparam muito bem. Se voltarmos há 5 ou 6 anos no tempo, hoje a Série A virou um campeonato de altíssimo nível, 'batendo de frente' com todas as competições sul-americanas. Já a Série B é a nova Série A, muito bem transmitida, com bons gramados, boas iluminações, atletas de alto nível. Estamos entrando em uma competição que terá um nível altíssimo, que será muito bem disputada. Todos os pontos serão muito comemorados, porque são grandes equipes preparadas. Ano a ano, os clubes estão com orçamentos maiores. Posso garantir que essa Série B tem os elencos mais caros da história por tudo o que vem acontecendo, como a formação das ligas, a quantidade de dinheiro injetado pelas empresas que transmitem o campeonato. É uma série de fatores que faz haver uma injeção maior de dinheiro nesta indústria. Isso se reflete em campo."

CT que rende frutos:
"A cada passo que o clube dá no desenvolvimento da estrutura física, cresce em visibilidade, credibilidade, e falo isso por vivenciar. Em todas as negociações que fizemos, os atletas tiveram o conhecimento dos diferenciais competitivos do clube, de toda a estrutura física, do que tem na Curuzu, de um hotel de qualidade, alimentação, transporte, todos esses diferenciais são de conhecimento dos atletas, quando eles estão no processo seletivo para vir ao Paysandu. Então, quando o clube cresce em estrutura, ele avança no mercado, podendo contratar melhores jogadores, treinadores, porque é um grande diferencial no Brasil."

Trabalho dentro do Paysandu:
"Estou na minha quarta temporada à frente do departamento de futebol do Paysandu. Estive em 2019, 2020, finalizei 2024 e estou iniciando esta de 2025. Uma tônica do meu trabalho sempre foi prezar pela qualidade e não quantidade. Nesta primeira janela de transferência, fizemos 13 contratações. Nesta segunda, que chamamos de janela de exceção, temos três. Foi uma reformulação muito grande da temporada de 2024 para a de 2025. Mesmo assim, temos, hoje, números satisfatórios. São 16 contratações e todas pontuais, bem pensadas, controlando todos os parâmetros que temos como primordiais para a contratação de atletas. Nós ainda estamos buscando algumas peças para esta janela, que fica aberta até o dia 10 de maio. Mas só irão acontecer se preencherem o que queremos. São atletas que devem possuir bom histórico de jogos, de lesões, buscando o máximo de informações. Vamos contratar sempre com convicção."

Saída do meia Juninho e a estratégia para não perder dinheiro:
"Era um desejo do staff do atleta que ele saísse desde a última temporada. Conversei muitas vezes com o Juninho sobre o interesse que tínhamos da permanência dele. Essa negociação dele iniciou em dezembro de 2024. Me lembro com clareza, quando nós fomos campeões da Supercopa Grão-Pará, falei para ele no centro do campo, no Mangueirão: 'Lembra que falei que era melhor você ficar, continuar escrevendo história aqui, levantar mais uma taça'. Então, ele ficou, participou, se eternizou na história do clube, mas eles continuaram manifestando o interesse dessa saída. As negociações foram evoluindo, o ABC demonstrou interesse, cedeu em muitos pontos. É importante ressaltar que o Paysandu não era dono dos 100% dos direitos econômicos dele. Existia uma divisão entre Paysandu, atleta e Amazônia. Outro ponto, estamos no mês de abril e daqui a 60 dias o Juninho estaria livre para assinar um pré-contrato, e com isso o Paysandu perderia todos esses direitos econômicos. Então, buscamos manter parte dos direitos econômicos dele. Nessa nova divisão, entra o ABC. Com o contrato de dois anos lá, conseguimos nos resguardar por mais duas temporadas. O que nos resta é desejar boa sorte para ele, que seja muito feliz lá. Fico feliz de conduzir as negociações. Ele teve uma valorização muito boa na questão salarial. É um grande profissional, um excelente ser humano. Está caminhando para ser pai e pesou bastante na tomada de decisão dele. É muito querido no clube."

Principal mudança desde a 1ª passagem pelo clube:
"A maior evolução se dá à estrutura física. Na Curuzu estamos com mais salas. Um vestiário mais estruturado e agora com o Centro de Treinamento. Lembro quando fui lá pela primeira vez com o Ricardo (Gluck Paul) e o Maurício (Ettinger) e o terreno era uma grande floresta. Agora, retorno e encontro um CT desenvolvido com dois campos e o terceiro em construção, uma estrutura sendo construída, academia, tudo sendo possível com a contribuição do torcedor que abraçou nossa campanha, a 'Payxão que Constrói', e o torcedor se faz presente e está ajudando a realizar este sonho junto do clube. Então, não tenho dúvidas de que o Paysandu evoluiu significativamente na estrutura. Isso faz o clube ter um diferencial competitivo. Para apresentar o Paysandu aos atletas, apresentamos o CT, a torcida, o poder que a torcida tem de desenvolver o clube."

A torcida do Paysandu:
"Existe uma coisa única. Só quem vive o futebol do norte, o futebol paraense, vai ter a oportunidade de diferenciar o amor desta torcida. As pessoas são calorosas e vivem o futebol. A torcida do Paysandu é apaixonante e podemos falar e mostrar que nos últimos jogos mais de 70 mil torcedores no estádio, sendo 60% deste público de mulheres, sendo uma ação inédita e espetacular do clube em alusão ao mês da mulher. Então, esse torcedor tem um potencial incrível de consumir e utilizar o produto. Sempre que saio na rua, vejo um torcedor usando algum acessório do clube, seja camisa, bermuda, boné, chaveiro. É um torcedor que vive e consome o clube. Quando converso com os atletas, com o Luizinho, e todos percebem isso. É completamente diferente você viver em uma cidade, um estado onde as pessoas amam tanto o clube quanto o torcedor do Paysandu ama."

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