A França entrou em campo fora das quatro linhas antes mesmo da semifinal da Copa do Mundo de 2026 contra a Espanha. Uma declaração do ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy sobre a seleção francesa gerou reação da Federação Francesa de Futebol e da embaixada do país em Madri.
Em uma coluna publicada no jornal El Debate, Rajoy elogiou o desempenho dos atuais campeões mundiais, mas fez uma afirmação que acabou sendo contestada: "Dito, (a França) não tem nenhum jogador francês. E está jogando muito bem. Será um adversário formidável", disse Mariano Rajoy, em coluna do jornal El Debate.
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A declaração, porém, não condiz com a composição do elenco francês. Dos 26 convocados para a Copa do Mundo, 23 nasceram na França. Os outros três nasceram em países diferentes, mas possuem cidadania francesa e atendem às regras para defender a seleção nacional.
Em resposta, a Embaixada da França na Espanha publicou uma nota para esclarecer a situação. "Sem querer gerar polêmica, vale lembrar os fatos: todos os jogadores da seleção francesa são franceses. Dos 26 jogadores, 23 nasceram na França. Os 3 que nasceram no exterior também são franceses".
Os atletas nascidos fora do território francês são Michael Olise, que nasceu em Londres, na Inglaterra; Marcus Thuram, natural de Parma, na Itália; e Brice Samba, que nasceu em Kinshasa, na República Democrática do Congo. Todos possuem nacionalidade francesa por origem familiar ou vínculo legal.
A repercussão foi imediata. Veículos da imprensa europeia também comentaram o episódio. Os jornais ARA e Le Monde classificaram a fala de Rajoy como "racista", enquanto a emissora RMC tratou o caso como uma "gafe".
A diversidade do elenco francês está diretamente ligada à história do país. O passado colonial da França em nações africanas como Argélia, Marrocos, Tunísia, Senegal e Costa do Marfim favoreceu fluxos migratórios que ajudaram a formar uma sociedade multicultural ao longo das últimas décadas.
Esse cenário também se reflete na seleção. Kylian Mbappé, por exemplo, nasceu na França, mas é filho de pai camaronês e mãe argelina. Já Ousmane Dembélé, eleito o melhor jogador do mundo, tem ascendência mauritana.
O impacto da imigração francesa no futebol internacional vai além dos Bleus. Ao todo, 76 jogadores desta Copa nasceram na França e defenderam outras seleções, com destaque para Argélia, Haiti e República Democrática do Congo. Entre eles está o zagueiro Aymeric Laporte, que atuou pelas categorias de base francesas antes de optar por representar a Espanha em 2021.

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