A Copa do Mundo é um dos eventos mais aguardados pelos brasileiros e mobiliza famílias inteiras em torno de uma paixão nacional. Entre a expectativa pelos jogos, a troca de figurinhas e os encontros para acompanhar as partidas com familiares ou entre amigos, as crianças e adolescentes vivenciam esse período de maneira intensa, criando vínculos afetivos com a seleção brasileira, além de ter a oportunidade de ver seus ídolos, nacionais e internacionais em campo, criando quase uma “proximidade” com seus jogadores favoritos além de sentir uma sensação de união que envolve o torneio. Mas, nem tudo é tão mágico assim, quando o resultado esperado não acontece, a decepção também pode ser sentida de forma profunda pelos mais jovens, principalmente pelas crianças.
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Durante as competições esportivas, crianças e adolescentes tendem a desenvolver uma forte identificação com os atletas e com a torcida e, por esse motivo, uma derrota da Seleção pode ser interpretada emocionalmente como uma perda pessoal. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) revelam que 30% dos adolescentes brasileiros relatam sentir-se tristes frequentemente, enquanto 42% apresentam irritabilidade constante. Em competições esportivas, derrotas podem funcionar como gatilhos para intensificar esses sentimentos. Entre adultos, a pressão também é significativa: estudos da Unicamp mostram que 3 em cada 10 atletas de alto rendimento apresentam sintomas de depressão, evidenciando que a frustração esportiva impacta todas as idades.
“Quando algo não sai como a gente espera, pode aparecer tristeza, irritabilidade ou até raiva e nas crianças e adolescentes, esses sentimentos são vividos de forma ainda mais intensa”, explica a coordenadora do Departamento de Psicologia do Sabará Hospital Infantil, Cristina Borsari.
De acordo com a psicóloga, a atuação dos pais e responsáveis torna-se fundamental nessa situação. Ou seja, minimizar as emoções ou reagir de forma exagerada diante da derrota pode trazer maiores consequências negativas. “Os pais devem acolher os sentimentos, validar, legitimar a tristeza e demonstrar empatia são atitudes que contribuem para o desenvolvimento da inteligência emocional. Reconhecer a frustração com frases simples, como ‘eu entendo que você está triste e os motivos para isso’, ajuda a criança a compreender que emoções difíceis fazem parte da vida e podem ser enfrentadas de forma saudável”, afirma Cristina.
Não há um tempo exato para que a criança supere uma frustração. Em geral, tristeza passageira ou irritabilidade temporária são esperadas. Mas, algumas vezes, o resultado esportivo é apenas o gatilho para sentimentos mais profundos que ainda não foram elaborados. Os pais devem estar atentos quando o sofrimento se torna frequente e traz mudanças significativas no comportamento, como alterações no sono, na alimentação, isolamento ou crises frequentes de choro. Nesses casos, buscar apoio psicológico pode ser essencial para compreender o que a derrota mobilizou emocionalmente.
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Nesses momentos, o caminho mais indicado é oferecer alternativas de lazer, promover momentos de convivência e estimular outras atividades prazerosas, promovendo a sensação de prazer e felicidade entre os pequenos. “Uma derrota da seleção pode ser passageira no placar, mas para milhares de crianças e adolescentes brasileiros ela representa um desafio emocional real. Por isso o cenário ideal é sempre do acolhimento da família, que desempenha um papel essencial para transformar a experiência esportiva em uma oportunidade de aprendizado, fortalecimento emocional e construção de resiliência”, finaliza a especialista.
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