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AGENDA CULTURAL

Exposição "Carolinas" chega à Caixa Cultural nesta terça-feira (14)

Mostra reúne sete artistas negras paraenses, que dialogam com obra de Carolina Maria de Jesus.

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Imagem ilustrativa da notícia Exposição "Carolinas" chega à Caixa Cultural nesta terça-feira (14) camera O evento reúne sete artistas negras paraenses em um diálogo poético com o legado de Carolina Maria de Jesus. | Divulgação

A exposição "Carolinas" abre suas portas nesta terça-feira (14), às 19h, na Caixa Cultural Belém, com a presença ilustre de Vera Eunice de Jesus, filha de Carolina Maria de Jesus, na abertura da mostra que debaterá a obra da escritora.

O evento reúne sete artistas negras paraenses em um diálogo poético com o legado da autora de "Quarto de Despejo". São elas: Beatriz Paiva, Glenda Beatriz, Itatiane Moraes, Júlia Margalho, Mina Ribeirinha, Potira e Paula Sampaio.

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A realização é da Via Press Comunicação, com patrocínio da Caixa por meio do Ministério da Cultura do Governo Federal.

A exposição "Carolinas" é um projeto itinerante que já percorreu importantes centros culturais do país. Antes de chegar à capital paraense, a mostra passou por Salvador, Fortaleza, Feira de Santana e São Paulo.

Em cada cidade, a curadoria elege artistas visuais negras que estabelecem conexões com a trajetória e as ideias de Carolina Maria de Jesus. Assim, a exposição se reinventa a cada parada, sem perder o fio condutor que a sustenta.

A montagem em Belém ocorreu sob a curadoria de Vânia Leal, que buscou artistas cujas pesquisas caminham com identidade, ancestralidade e vivências amazônidas. Para a curadora, a seleção não se limita a ilustrar conceitos.

Segundo ela, o objetivo é 'fincar a bandeira da produção intelectual e visual de mulheres negras do Norte'. Além disso, cada artista traz uma linguagem própria, entre pintura, fotografia, performance ou instalação, para compor uma mostra que pulsa com a força da Amazônia.

As sete Carolinas amazônidas

A curadoria de Vânia Leal reuniu sete perfis distintos, mas igualmente potentes.

Beatriz Paiva

Bacharel em Artes Visuais pela Universidade da Amazônia, integrante do coletivo Ilustra Pretice PA e criadora da plataforma Goma de Tapioca.

Sua pesquisa investiga a relação entre arte e cidade, com foco na afetividade da mulher negra lésbica e na territorialidade amazônida.

Glenda Beatriz

Cenógrafa e artista visual que usa materiais amazônicos para criar esculturas e instalações. Seu trabalho articula narrativas orais e o imaginário da Amazônia urbana.

Itatiane Moraes

Natural de Cametá, é escultora autodidacta formada na infância ribeirinha do Tocantins. Usa o nó do taperebazeiro como material central, com profunda conexão com a identidade das comunidades das margens.

Júlia Margalho

Fotógrafa e documentarista criada no Maranhão. Investiga memória familiar e ancestralidade por meio da fotografia, do vídeo e de outros suportes.

Mina Ribeirinha

Escritora urbana (grafiteira) desde 1999 e cofundadora da Graffiti Tinta Preta Produtora. Atua também com moda urbana afro-amazônica por meio da Tinta Preta Grife.

Paula Sampaio

Fotojornalista com carreira iniciada nos anos 1980. Vencedora do 4º Prêmio Marc Ferrez de Fotografia (Funarte, 1993) e bolsista do Mother Jones International Fund for Documentary Photography (1997).

Documenta populações às margens de grandes rodovias amazônicas.

Potira

Artista multilinguagens e estudante de Artes Visuais na UFPA, com passagem pela Universidade do Porto.

Trabalha com ilustração, animação, muralismo, videomapping e poesia, e aborda temas como raça, classe, imigração e pertencimento.

Um projeto político e estético

A exposição foi idealizada por Elaine Hazin, diretora da Via Press Comunicação. Para ela, "Carolinas" nasce de um compromisso de longo prazo com o legado de Carolina Maria de Jesus.

Além da homenagem à escritora, a mostra pretende dar visibilidade ao espólio literário ainda inédito da autora, que permanece pouco discutido nos círculos literários do país. Dessa forma, o projeto une arte e política em um mesmo gesto.

Segundo Hazin, a exposição funciona como uma força que une mulheres negras e periféricas.

Ela acrescenta que o projeto instiga debates sobre gênero, raça, empoderamento feminino e lugar de fala. Assim, a mostra evidencia o poder das autorias femininas que emergem das margens.

Programação completa

Além da exposição, que ficará em cartaz até 8 de novembro de 2026, a programação inclui atividades educativas com a curadora Vânia Leal. Entre elas está a visita mediada "Entre Vozes e Presenças: percursos pelas Carolinas".

Ela ocorre nos dias 18 de julho e 26 de setembro de 2026, às 17h. A atividade propõe um percurso pelas obras, com acesso livre ao público.

Além disso, outra opção é a oficina "Curadoria como escuta', que ocorre no dia 22 de agosto, das 16h às 18h. A atividade exige inscrição prévia pelo site ou pelo Instagram @caixaculturalbelem.

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A visitação regular ocorrerá de terça a domingo, das 10h às 21h, na Galeria I da CAIXA Cultural Belém, localizada na Avenida Marechal Hermes, S/N, Galpão 6A, Porto Futuro II. A entrada é franca e a classificação indicativa é livre.

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