
Parentes, amigos, intelectuais, artistas, políticos e anônimos lotaram o Salão Julio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul na tarde deste sábado (30) para se despedir do escritor Luis Fernando Verissimo. Ele morreu minutos antes da 1h no hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, onde estava internado desde o dia 11 de agosto em razão de múltiplas enfermidades.
No mesmo local, em novembro de 1975, há quase 50 anos, foi velado o pai de Luis Fernando, Erico Verissimo (1905-1975), também escritor e maior nome da literatura do Rio Grande do Sul.
Conteúdo relacionado:
- Luis Fernando Verissimo morre aos 88 anos
- Artistas e autoridades lamentam a morte de Luis Fernando Veríssimo
- Relembre a trajetória Luis Fernando Verissimo, gigante da literatura brasileira
Para a filha mais velha, Fernanda Verissimo, jornalista, a coincidência simboliza a relação do pai com o estado e o Brasil. "É uma demonstração da comoção e do respeito que ele merece", afirmou ela. "É como se Erico estivesse morrendo outra vez", acrescentou Luis Augusto Fischer, professor do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Verissimo, que havia sofrido um acidente vascular cerebral em 2021 e enfrentava dificuldades motoras e de fala, teve um fim tranquilo. "Ele simplesmente fechou os olhos e se foi", contou o filho caçula, o músico Pedro Verissimo.
O ex-governador Olívio Dutra disse que Verissimo era um intérprete não apenas das diversas facetas do Rio Grande do Sul, mas de todo o país. "Com seu humor fino e articulado, ele compunha um retrato de nossa sociedade e se posicionava pela justiça e a solidariedade", afirmou.
Clarissa Jaffe, irmã de Verissimo que vive nos Estados Unidos, chegou a Porto Alegre quando o escritor já estava hospitalizado e não se comunicava mais. "Quando o vi na cama do hospital, eu disse: Luis Fernando não está mais aqui. Foi o meu jeito de reagir à emoção de vê-lo assim", contou.
Durante a internação e mesmo após a transferência para a UTI, há duas semanas, familiares e amigos cercaram Verissimo de atenção. "Falávamos com ele, pegávamos a mão dele, o filho, Pedro, cantava para ele", disse Clarissa. "Foi assim que nós fomos lidando com isso."
Para a irmã, o carinho do público durante o velório é reconfortante. "É uma maravilha o que está acontecendo aqui, as pessoas que falam sobre ele, isso me toca muito."
Apesar da distância —Clarissa mora nos Estados Unidos há mais de 60 anos—, os irmãos eram próximos. "Nós sempre fomos muito amigos", afirmou.
Companheira de Verissimo havia 61 anos, Lucia Verissimo disse que o mais importante foi ter construído "uma verdadeira parceria, acompanhando toda a trajetória dele". "Tenho orgulho dessa história, de ter tido três filhos maravilhosos com ele e acompanhar todo o trabalho dele por esses anos todos", ressaltou.
No segundo tomo de seu livro de memórias, "Solo de Clarineta II", o sogro de Lucia, Erico Verissimo, descreveu um episódio que atesta o temperamento do filho: o dia em que, diante de uma vitirine, apontou um par de alianças à namorada, Lucia, pediu-a em casamento e deu-lhe cinco minutos para se decidir. A versão de Erico corresponde à realidade, atestou Lucia.
"A história está bem contada. Foram cinco minutos para decidir se casava ou não", diverte-se. E complementou, rindo: "Casamos. Loucos por loucos, os dois. E deu certo, não me arrependo. Acho que ele também não. Mas também não era louco de se arrepender, né?"
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar