Imagine caminhar por uma grande metrópole e encontrar gatos dormindo na entrada de lojas, ocupando cadeiras de restaurantes, circulando pelas estações de metrô ou observando o movimento das janelas. Em diferentes pontos, há potes de água, recipientes com comida e pequenas casas instaladas nas calçadas para abrigar os animais. Essa é uma cena comum em Istambul, na Turquia, cidade que tem uma população estimada em mais de 160 mil gatos vivendo livremente nas ruas.
Localizada entre a Europa e a Ásia, Istambul transformou os felinos em parte da paisagem urbana e da identidade cultural. Por lá, muitos animais não são vistos apenas como gatos abandonados, mas como integrantes da comunidade. Comerciantes alimentam aqueles que permanecem perto de seus estabelecimentos; moradores deixam água e comida nas calçadas e, em algumas estações de transporte e áreas comerciais, contam com abrigos preparados especialmente para eles.
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A presença dos gatos é tão marcante que acaba chamando a atenção de turistas que visitam a cidade. Em meio a mesquitas históricas, palácios, mercados e paisagens às margens do estreito de Bósforo, os felinos aparecem em praticamente todos os lugares, circulando com naturalidade entre moradores e visitantes.
Por que Istambul tem tantos gatos?
A grande população de gatos em Istambul está relacionada a uma combinação de fatores históricos, culturais e geográficos. Não existe um único acontecimento que explique a presença de tantos animais, mas parte dessa história remonta ao período em que a cidade, então conhecida como Constantinopla, era um importante centro comercial entre o Mediterrâneo, o Mar Negro, a Europa e a Ásia.
Durante séculos, navios transportaram alimentos, grãos, tecidos e outras mercadorias pelas rotas comerciais que passavam pela região. Os ratos representavam um problema frequente nas embarcações, e os gatos eram levados a bordo para ajudar a controlar os roedores.
Quando os navios chegavam aos portos, alguns felinos permaneciam em terra. Com a continuidade das atividades comerciais, novos animais também chegavam à cidade. Armazéns, mercados e construções antigas ofereciam ambientes favoráveis à presença dos gatos, que se tornaram aliados no controle de pragas.
Com o passar do tempo, porém, a relação entre os moradores e os animais ultrapassou essa função prática.
Durante o Império Otomano, o cuidado com animais de rua passou a fazer parte de práticas cotidianas e de caridade. Essa tradição atravessou gerações e ajuda a explicar por que alimentar um gato que vive nas ruas continua sendo um hábito comum em Istambul.
Gatos são cuidados pelos moradores
Em diferentes bairros da cidade, os cuidados com os felinos são compartilhados por moradores e comerciantes. Uma pessoa deixa comida, outra abastece um recipiente com água e alguém pode oferecer abrigo ou levar o animal ao veterinário quando necessário.
Assim, muitos gatos acabam recebendo cuidados de várias pessoas, sem necessariamente terem um único responsável.
A diversidade dos animais também chama a atenção. Há gatos pretos, brancos, amarelos, rajados e tricolores, além de felinos com pelagens curtas ou longas e olhos de diferentes cores.
A Turquia também é conhecida por raças como o Angorá Turco e o Van Turco. Entretanto, a aparência dos gatos que circulam pelas ruas de Istambul não significa que eles pertençam a uma raça específica. A variedade encontrada na cidade também é resultado de séculos de circulação e reprodução de animais.
Apesar da relação próxima entre a população e os felinos, a presença de tantos animais sem tutor também exige cuidados com a saúde e o controle populacional.
Prefeitura oferece atendimento veterinário aos animais
A administração municipal de Istambul mantém serviços veterinários destinados aos animais sem tutor. Entre os procedimentos oferecidos estão vacinação, castração, tratamentos, identificação, registro e atendimento a gatos feridos.
Segundo os dados apresentados pela prefeitura, até o fim de setembro de 2026, os serviços veterinários municipais haviam registrado mais de 130 mil atendimentos e tratamentos, além de mais de 31 mil castrações.
Para os gatos que não são adotados, a política municipal prevê que, depois dos procedimentos de saúde, eles possam retornar à região onde viviam.
A iniciativa busca oferecer assistência aos animais que continuam circulando livremente pela cidade, ao mesmo tempo que reconhece a relação construída entre os felinos e as comunidades locais.
Para quem visita Istambul pela primeira vez, a cena pode causar surpresa. Em muitos lugares do mundo, um gato nas ruas é imediatamente associado ao abandono. Na metrópole turca, embora também existam desafios relacionados à presença de animais sem tutor, muitos felinos são alimentados e protegidos pela própria comunidade.
É possível adotar um gato em Istambul e levá-lo ao Brasil?
Sim, é possível levar um gato da Turquia para o Brasil, mas o processo exige planejamento, regularização e cumprimento das exigências sanitárias dos dois países. Não basta encontrar um animal nas ruas e transportá-lo diretamente até o aeroporto.
Na Turquia, o gato precisa passar pelo processo de adoção e regularização. As exigências incluem identificação por microchip, registro no sistema oficial e documentação para a saída do animal do país. Também é necessário obter um certificado veterinário oficial emitido pelas autoridades turcas.
Para entrar no Brasil, cães e gatos domésticos devem estar acompanhados de um Certificado Veterinário Internacional (CVI), emitido ou referendado pela autoridade veterinária oficial do país de origem.
De acordo com as regras brasileiras descritas no material de referência, não é exigida autorização prévia de importação para cães e gatos domésticos, e o microchip não é uma exigência geral do Brasil. No caso de um animal vindo da Turquia, entretanto, a identificação pode ser necessária para cumprir as regras de saída do país.
Quais são os requisitos sanitários?
Para gatos com 90 dias ou mais, é necessária a vacinação antirrábica dentro do prazo de validade. Se for a primeira dose contra a raiva, devem transcorrer pelo menos 21 dias entre a aplicação e o embarque.
O animal também precisa receber tratamento contra parasitas internos e externos nos 15 dias anteriores à emissão do certificado veterinário. Além disso, deve passar por exame clínico nos dez dias anteriores à emissão do CVI, para comprovar que está saudável e apto a viajar.
As regras da companhia aérea também precisam ser verificadas antes da compra da passagem. Cada empresa estabelece condições para o transporte de animais, incluindo dimensões da caixa, limites de peso e disponibilidade de lugares para pets na cabine ou no compartimento de carga.
Por isso, quem se encantar por um gato durante uma visita a Istambul precisa organizar a adoção e a documentação com antecedência.
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