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HÁ 1.400 ANOS

Estudo revela que crianças tinham rostos tatuados no vale do Nilo

Pesquisadores descobriram tatuagens faciais em crianças de 1.400 anos no Sudão, revelando tradições culturais e religiosas da antiga Núbia.

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Imagem ilustrativa da notícia Estudo revela que crianças tinham rostos tatuados no vale do Nilo camera Reconstrução artística da tatuagem na testa de uma menina de 3 anos de Kulubnarti e das tatuagens geométricas na mão direita de uma mulher sepultada no sítio arqueológico de Semna Sul | Mary Nguyen/UMSL

Pesquisadores que analisaram restos humanos provenientes de cemitérios antigos na região que hoje corresponde ao norte do Sudão encontraram evidências de uma prática rara e surpreendente: crianças pequenas, algumas com menos de dois anos de idade, tinham tatuagens faciais há cerca de 1 400 anos. Os achados, publicados recentemente em revista científica, ampliam o conhecimento sobre tradições corporais na antiga Núbia, ao longo do vale do rio Nilo.

A investigação envolveu o estudo de mais de mil restos humanos recuperados de três sítios — Semna South, Kulubnarti e Qinifab School — por meio de tecnologia de imagem de alta resolução capaz de revelar desenhos na pele mumificada que não são visíveis a olho nu. A técnica de multispectral imaging foi essencial para identificar marcas em ossos e tecidos antigos, aumentando significativamente o número de indivíduos com tatuagens já documentados nesse contexto arqueológico.

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Entre os restos analisados, várias crianças apresentaram desenhos no rosto, especialmente na testa, bochechas e têmporas. Em alguns casos, as marcas formavam padrões geométricos repetidos, e uma criança de aproximadamente 18 meses tinha tatuagens claramente definidas. Há ainda indícios possíveis de tatuagens até mesmo em um bebê com menos de um ano de idade, o que sugere que a prática pode ter sido aplicada desde tenra idade.

Os especialistas que assinam o estudo — incluindo Anne Austin (Universidade de Missouri) e Brenda Baker (Arizona State University) — veem essas tatuagens como um reflexo de significados culturais e possivelmente religiosos da época. Em comunidades cristãs da Núbia entre os séculos VII e IX, as marcas podem ter servido como símbolos de identidade espiritual, proteção ou pertencimento social. Há ainda a hipótese de que algumas tatuagens poderiam ter sido feitas com propósitos associados à saúde, como rituais vinculados a doenças comuns da região, como a malária.

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Os resultados dessa pesquisa, publicados no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), não apenas revelam uma prática de modificação corporal extraordinariamente antiga, mas também ampliam a compreensão sobre como sociedades africanas medievais expressavam crenças, laços comunitários e identidade por meio do corpo humano. A presença de tatuagens em crianças tão jovens é considerada especialmente rara no registro arqueológico mundial, destacando a singularidade dessa tradição no vale do Nilo.

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