Relatos de mulheres que engravidaram inesperadamente enquanto utilizavam canetas emagrecedoras, como as à base de semaglutida e tirzepatida, ganharam repercussão nas redes sociais e deram origem ao termo “Bebês Ozempic”. Em alguns casos, as gestações ocorreram mesmo com o uso de métodos contraceptivos, levantando dúvidas sobre os efeitos dessas medicações na saúde reprodutiva.
Apesar de serem associadas à perda de peso e ao controle metabólico, essas substâncias não funcionam como estimulantes da ovulação. Segundo a médica obstetra Taime Sgambati, em entrevista ao portal Terra, a redução significativa de peso pode, indiretamente, favorecer o retorno da ovulação em algumas mulheres que apresentam ciclos menstruais irregulares.
“A perda de peso rápida melhora a sensibilidade à insulina e pode restabelecer a ovulação em mulheres com ciclos irregulares, como nas pacientes com Síndrome dos Ovários Policísticos. No entanto, esses medicamentos não são tratamentos para infertilidade e não garantem melhora na qualidade dos óvulos ou reversão do envelhecimento ovariano”, explica a especialista.
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Como as canetas podem interferir na contracepção
Um dos pontos de atenção está relacionado ao funcionamento do sistema digestivo. A tirzepatida, por exemplo, retarda o esvaziamento gástrico. Além disso, efeitos colaterais como náuseas, vômitos e diarreia podem ocorrer durante o tratamento.
Essas alterações podem comprometer a absorção de medicamentos administrados por via oral, incluindo anticoncepcionais em determinadas situações. Por isso, mulheres que utilizam as canetas e não desejam engravidar podem receber orientação médica para reforçar a contracepção com métodos de barreira ou alternativas que não dependam do sistema gastrointestinal.
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Outro alerta envolve o uso das medicações durante a gestação. Ainda não existem dados suficientes para estabelecer a segurança da semaglutida e da tirzepatida para o feto.
“O ideal é planejar a suspensão prévia, como interromper a semaglutida pelo menos dois meses antes de tentar engravidar, devido ao longo tempo de permanência do fármaco no organismo”, orienta Taime.
O que fazer em caso de gravidez
A mulher que descobrir uma gravidez enquanto utiliza uma caneta emagrecedora deve procurar atendimento médico e informar tanto o profissional responsável pela prescrição quanto o obstetra. A suspensão do medicamento deve ser orientada por esses especialistas, que também poderão avaliar a necessidade de mudanças no tratamento.
Quando existe diabetes associada, por exemplo, pode ser necessário substituir a medicação por alternativas consideradas adequadas durante a gestação. O acompanhamento pré-natal deve começar o quanto antes.
Além disso, a médica alerta que a perda de peso muito intensa ou acelerada, especialmente sem acompanhamento nutricional, pode provocar desidratação, perda de massa muscular e alterações no ciclo menstrual, com possíveis impactos sobre a função reprodutiva.
Planejamento é fundamental
Para mulheres que utilizam essas medicações e pretendem engravidar, a recomendação é realizar uma consulta pré-concepcional. O atendimento permite avaliar o momento adequado para interromper o tratamento, revisar doses, controlar a glicemia e verificar as condições nutricionais antes da gestação.
“Quem usa essas medicações e deseja engravidar deve realizar uma consulta pré-concepcional para revisar a dose, o momento ideal de suspensão, o controle glicêmico, o estado nutricional e a suplementação necessária, como o ácido fólico”, afirma a obstetra.
A orientação médica é especialmente importante porque o planejamento permite reduzir riscos e adequar tratamentos antes da concepção. Em caso de gravidez não planejada durante o uso das canetas, a recomendação é não entrar em pânico e buscar assistência especializada o mais rápido possível.
“Se a gravidez acontecer inadvertidamente, não entre em pânico: suspenda o medicamento com orientação profissional e inicie o acompanhamento pré-natal o quanto antes para garantir uma gestação saudável”, conclui Taime Sgambati.
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