A Anvisa aprovou o registro do Aquipta, nome comercial do atogepanto hidratado, medicamento oral da AbbVie indicado para o tratamento da enxaqueca. Assim, o Brasil passa a contar com mais uma opção dentro de uma classe recente de remédios desenvolvidos especificamente para essa doença.
O atogepanto pertence ao grupo dos gepants, substâncias que bloqueiam o receptor do CGRP, molécula central nos mecanismos de dor da enxaqueca.
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Por isso, o medicamento age de forma diferente de anticonvulsivantes, antidepressivos e remédios para pressão alta, que foram incorporados à prevenção das crises sem ter sido criados para esse fim.
A agência autorizou duas apresentações do produto: comprimidos de 10 mg e de 60 mg, ambos em caixas com 28 unidades. O registro é válido até setembro de 2036.
Ação do fármaco
Durante uma crise de enxaqueca, o sistema nervoso trigeminal libera o CGRP, que se liga a receptores e deflagra uma sequência de sinais associados à dor.
O atogepanto ocupa esses receptores e, dessa forma, reduz a ação da molécula e interrompe essa cadeia.
Por ser uma molécula pequena administrada por via oral, ele se diferencia dos anticorpos monoclonais anti-CGRP, que também previnem a enxaqueca, mas são aplicados por injeção.
Os estudos de fase 3 demonstraram eficácia tanto na enxaqueca episódica quanto na crônica. No estudo ADVANCE, publicado no New England Journal of Medicine, os resultados foram os seguintes:
- 910 adultos acompanhados por 12 semanas;
- Dose de 60 mg reduziu 4,2 dias de enxaqueca por mês (versus 2,5 dias no placebo);
- 60,8% dos pacientes com 60 mg tiveram queda de pelo menos 50% nas crises (versus 29% no placebo).
No estudo PROGRESS, publicado no The Lancet, os participantes tinham cerca de 19 dias de enxaqueca por mês. Com a dose de 60 mg, a redução foi de 6,9 dias mensais, ante 5,1 dias com placebo.
Cerca de 41% dos tratados alcançaram queda de ao menos 50% nas crises, contra 26% no grupo placebo. Ambos os ensaios tiveram financiamento da Allergan, hoje parte da AbbVie.
Contudo, esses estudos não foram desenhados para comparar o atogepanto diretamente com outros preventivos já disponíveis. Portanto, os dados não permitem afirmar que o medicamento seja superior às demais opções existentes.
Entre os efeitos adversos mais comuns, constipação e náusea apareceram em cerca de 10% dos pacientes que usaram 60 mg no estudo com enxaqueca crônica.
Aquipta não é o pioneiro
O Aquipta não é, aliás, o primeiro gepant oral aprovado no país. Em maio deste ano, a Anvisa já havia autorizado o Nurtec ODT, da Pfizer, tanto para o tratamento das crises quanto para a prevenção da enxaqueca episódica.
Ainda assim, a chegada de novas opções nessa classe amplia o leque para médicos e pacientes. A escolha do tratamento preventivo considera, entre outros fatores:
- Frequência e intensidade das crises;
- Outras doenças do paciente;
- Resposta a tratamentos anteriores;
- Efeitos adversos e acesso à terapia.
No entanto, a aprovação sanitária não garante disponibilidade imediata. A AbbVie informou que o atogepanto ainda passará pela avaliação da CMED, órgão que define preços máximos para medicamentos no Brasil.
A empresa não informou data de lançamento nem previsão de valor, já que os preços variam entre os mercados.
Além disso, o registro da Anvisa não equivale à incorporação ao SUS. Para isso, a Conitec precisa realizar uma avaliação própria, que leva em conta evidências clínicas, comparação com terapias disponíveis e relação entre custos e benefícios.
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Logo, as próximas etapas regulatórias e comerciais vão definir o alcance real do Aquipta para quem convive com crises frequentes de enxaqueca.
Confira a resolução da Anvisa que libera a substância no Brasil!
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