O ator Lúcio Mauro Filho revelou que recebeu um diagnóstico de câncer no intestino durante um check-up realizado depois de tratar complicações da Covid-19. O artista contou sobre a doença durante entrevista ao programa Alt Tabet e afirmou que nunca havia tornado o diagnóstico público.
“Quando terminou o tratamento, fiz um check-up. Aí descobri um câncer no intestino. Eu nunca contei isso para ninguém”, afirmou.
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Lúcio Mauro Filho não informou quando recebeu o diagnóstico, qual era o estágio da doença ou quais tratamentos realizou.
O relato chama atenção para o câncer colorretal, que pode se desenvolver durante um período sem provocar sintomas evidentes. Por isso, além de observar possíveis sinais, o acompanhamento médico e o rastreamento são importantes para identificar alterações precocemente.
Quais são os sinais de alerta?
A coloproctologista Aline Amaro explica que uma das principais situações que devem despertar atenção é uma mudança persistente no funcionamento habitual do intestino.
“Uma característica importante do câncer colorretal é que ele pode crescer durante algum tempo sem dar sinais muito claros. Quando surgem sintomas, devemos prestar atenção principalmente a alterações que representam uma mudança em relação ao funcionamento habitual daquela pessoa”, afirma.
Segundo a médica, nem sempre os sintomas aparecem de maneira intensa. Mudanças que persistem, mesmo quando parecem discretas, também devem ser investigadas.
“Muitas vezes o paciente não apresenta uma queixa muito intensa, mas percebe que alguma coisa mudou. E é justamente essa mudança persistente que não deve ser normalizada”, explica Amaro.
Entre os sinais que podem estar relacionados ao câncer colorretal estão:
- Sangue nas fezes;
- Mudanças persistentes no funcionamento intestinal;
- Episódios recorrentes de diarreia ou constipação;
- Dor abdominal;
- Anemia sem causa evidente;
- Cansaço;
- Perda de peso sem explicação.
A presença de sangue nas fezes também merece atenção e não deve ser automaticamente atribuída às hemorroidas.
“Também precisamos desfazer uma ideia bastante comum de que sangue nas fezes é sinônimo de hemorroida. Hemorroidas realmente são uma causa frequente de sangramento, mas existem outras possibilidades, inclusive pólipos e tumores”, diz.
A médica ressalta ainda que não é possível determinar a origem de um sangramento apenas observando sua aparência.
“Não é possível diferenciar as causas apenas pela quantidade ou pela cor do sangue.”
Por isso, sangramentos recorrentes devem ser avaliados por um profissional de saúde, principalmente quando aparecem acompanhados de outros sintomas.
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É possível ter câncer colorretal sem sintomas?
Uma pessoa pode desenvolver câncer colorretal sem apresentar sinais claros, especialmente nas fases iniciais.
É justamente nesse cenário que o rastreamento ganha importância. O objetivo é identificar alterações antes que elas provoquem sintomas ou evoluam para uma doença mais avançada.
“O objetivo do rastreamento é justamente conseguir encontrar alterações antes que o organismo comece a avisar que alguma coisa está errada”, afirma Amaro.
O câncer colorretal pode surgir a partir de pólipos, alterações que podem permanecer no intestino durante anos e, em determinadas situações, sofrer transformações até originar um tumor.
A colonoscopia permite visualizar essas alterações e, em alguns casos, retirá-las durante o próprio procedimento.
“Quando falamos em câncer colorretal, o rastreamento tem uma característica muito interessante: nós não estamos procurando apenas um câncer em estágio inicial, podemos encontrar uma alteração antes mesmo de ela se tornar um câncer”, explica a médica.
Quando começar o rastreamento?
Segundo Aline Amaro, para pessoas consideradas de risco habitual, a American Cancer Society recomenda atualmente que o rastreamento comece aos 45 anos, com continuidade regular até os 75 anos para pessoas com expectativa de vida superior a dez anos.
No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou em 2026 um protocolo de rastreamento no SUS utilizando o teste imunoquímico fecal, conhecido como FIT, para pessoas assintomáticas entre 50 e 75 anos. Resultados positivos são encaminhados para investigação complementar.
A recomendação pode mudar de acordo com as características de cada paciente.
“Não existe uma única estratégia para todo mundo. A idade, os antecedentes pessoais e principalmente a história familiar precisam entrar nessa decisão”, ressalta.
Pessoas que têm familiares diagnosticados com câncer colorretal, determinadas síndromes hereditárias ou algumas doenças inflamatórias intestinais podem precisar iniciar a investigação mais cedo.
Fatores que podem aumentar o risco
O desenvolvimento do câncer colorretal está relacionado a diferentes fatores. Alguns não podem ser modificados, como idade, predisposição genética, histórico familiar e determinadas doenças inflamatórias intestinais.
Outros estão relacionados ao estilo de vida, incluindo sedentarismo, excesso de peso, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e alimentação com pouca fibra e presença frequente de carnes processadas.
A especialista, porém, alerta para a importância de evitar a culpabilização de quem desenvolve a doença.
“É importante falar disso sem criar culpa, porque câncer não tem uma única causa e uma pessoa pode ter hábitos extremamente saudáveis e ainda assim desenvolver um tumor”, pondera.
Entre as medidas que podem contribuir para reduzir o risco estão a prática regular de atividade física, o controle do peso, não fumar, reduzir o consumo de álcool e priorizar alimentos como verduras, frutas, legumes, feijões, cereais integrais e outras fontes de fibras.
Rastreamento pode identificar alterações antes dos sintomas
O relato de Lúcio Mauro Filho chama atenção para a importância do acompanhamento médico e da realização de exames preventivos. O câncer colorretal pode permanecer silencioso, e a ausência de sintomas não significa necessariamente que não existam alterações.
O rastreamento pode ajudar a identificar lesões em fases iniciais e, em determinadas situações, encontrar alterações que ainda nem evoluíram para um câncer.
A escolha do exame e o momento adequado para iniciar a investigação devem levar em consideração fatores como idade, histórico familiar, antecedentes pessoais e outros fatores de risco.
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