Um exame que utiliza apenas uma escovação na mucosa da boca e fornece o resultado em menos de uma hora pode transformar o diagnóstico do câncer bucal. Desenvolvido por pesquisadores da Queen Mary University of London, o teste foi validado em um estudo com 1.090 amostras de 545 pacientes e demonstrou alta precisão na identificação do carcinoma espinocelular oral. De acordo com os pesquisadores, a tecnologia tem potencial para evitar mais de 90% das biópsias invasivas realizadas desnecessariamente em pacientes com lesões de baixo risco.
Os resultados foram publicados na revista científica Nature Biomarker Research e apresentam a validação da terceira geração do teste molecular, denominado qMIDSV3. O método dispensa a retirada de fragmentos de tecido com bisturi, utilizando apenas uma biópsia por escovação para analisar a expressão de quatro genes ligados ao desenvolvimento do câncer bucal.
O qMIDSV3 entrega o resultado em aproximadamente 60 minutos, reduzindo significativamente o tempo de espera em comparação com a histopatologia tradicional, cujo diagnóstico costuma levar entre cinco e 21 dias e depende da análise de patologistas bucais altamente especializados. Outra vantagem é que o exame pode ser realizado com os mesmos equipamentos e a infraestrutura já utilizados para os testes de PCR da Covid-19, o que facilita sua implementação em laboratórios.
Segundo o autor do teste, Muy-Teck, em informações repassadas ao portal G1, o exame foi projetado para funcionar bem em locais com recursos médicos limitados. Com uma amostra simples, o teste é coletado por meio de uma escovação da mucosa bucal, procedimento que pode ser realizado por enfermeiros treinados. Com isso, os pacientes podem passar pela triagem sem a necessidade de consultar inicialmente um especialista.
Teh também ressaltou que o teste utiliza materiais de baixo custo e de fácil acesso, com um custo inferior a US$ 10 por amostra. Segundo o pesquisador, isso torna a tecnologia mais viável para implementação em comunidades de diferentes regiões do mundo, ampliando o acesso ao diagnóstico precoce e contribuindo para uma detecção mais equitativa do câncer bucal.
Quer mais notícias sobre Brasil? Acesse nosso canal no WhatsApp
Como funciona o novo teste
O exame é realizado com uma escova citológica estéril, utilizada para coletar células da superfície da lesão suspeita na boca. Em seguida, uma segunda amostra é retirada da mucosa oral saudável do lado oposto, permitindo a comparação entre os tecidos.
No laboratório, as amostras são submetidas à técnica de RT-qPCR, que analisa a expressão de quatro genes — INHBA, S100A16, YAP1 e POLR2A. Com base nesses dados, um algoritmo calcula um índice de malignidade capaz de estimar o risco de câncer.
De acordo com os pesquisadores, a coleta não interfere em uma eventual avaliação histopatológica posterior e pode ser repetida durante o acompanhamento do paciente, já que o procedimento não exige cortes nem a remoção de tecido.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar