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AVANÇO NA MEDICINA

Canetas antiobesidade reduzem amputações em diabéticos, diz estudo

Pesquisa indica que agonistas de GLP-1 estão associados a menor mortalidade, menos internações e redução de amputações em pacientes com diabetes tipo 2 e DAP

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Imagem ilustrativa da notícia Canetas antiobesidade reduzem amputações em diabéticos, diz estudo camera Autores do estudo reforçam necessidade de novas pesquisas para comprovar hipotese. | Reprodução/Freepik

As canetas antiobesidade, medicamentos injetáveis que agem reduzindo o apetite, retardando o esvaziamento gástrico e aumentando a saciedade, também podem ajudar a reduzir complicações graves em pacientes com diabetes e doença arterial periférica (DAP). É o que sugere um estudo publicado nesta quarta-feira (1º/07) na revista científica Journal of the American Heart Association.

A pesquisa analisou os prontuários médicos de 2.133 adultos com diabetes tipo 2 e doença arterial periférica, condição que compromete a circulação sanguínea nas pernas e afeta mais de 236 milhões de pessoas em todo o mundo. No estudo, os cientistas avaliaram os medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, que incluem algumas das principais canetas antiobesidade conhecidas atualmente, como o Ozempic.

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Os participantes foram acompanhados entre 2010 e 2025 e os resultados mostraram que os pacientes tratados com agonistas de GLP-1 apresentaram desempenho superior ao dos usuários de metformina, medicamento mais prescrito para diabetes tipo 2, em diferentes desfechos clínicos.

Entre os usuários dos agonistas de GLP-1, a mortalidade por qualquer causa foi de 10,31%, contra 14,49% no grupo da metformina. As hospitalizações ocorreram em 69,3% dos pacientes, enquanto no grupo de comparação o índice foi de 74,7%. Já a necessidade de revascularização também foi menor, passando de 7,27% para 4,69%.

Além disso, o estudo ainda identificou redução nos casos de amputações. As amputações maiores ocorreram em 2,30% dos pacientes tratados com agonistas de GLP-1, contra 4,36% entre os usuários de metformina. Já as amputações menores foram registradas em 4,03% e 6,42% dos pacientes, respectivamente. Apesar das diferenças, as taxas de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e eventos renais graves permaneceram semelhantes entre os grupos.

Segundo os pesquisadores do estudo, os benefícios foram mais expressivos em pacientes com doença arterial periférica em estágio avançado, incluindo aqueles com maior risco de amputação, além de pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, classificação de obesidade. Atualmente, as opções de tratamento para a DAP são limitadas e o principal medicamento indicado, o cilostazol, tem uso restrito por causa de efeitos colaterais e contraindicações, principalmente em pacientes com insuficiência cardíaca.

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Contudo, os autores ressaltam que os resultados devem ser interpretados com cautela. Como o trabalho foi baseado na análise de prontuários médicos, ele demonstra apenas uma associação entre o uso dos agonistas do receptor de GLP-1 e a redução das complicações, sem comprovar uma relação direta de causa e efeito. Além disso, o estudo não permitiu confirmar a adesão ao tratamento, acompanhar as doses utilizadas nem comparar os diferentes medicamentos da classe, que foram avaliados em conjunto.

A hipótese dos pesquisadores é que esses medicamentos contribuam para melhorar a função do endotélio, camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos, além de reduzir o estresse oxidativo e a inflamação vascular. Segundo eles, esses mecanismos podem retardar a formação de placas de gordura nas artérias das pernas e diminuir o comprometimento da circulação.

Porém, apesar dos resultados promissores, os autores afirmam que novos estudos ainda são necessários para confirmar os achados e avaliar se os benefícios também podem ser observados em pacientes com doença arterial periférica sem diabetes tipo 2.

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