A saúde mental do trabalhador ganhou mais visibilidade nos últimos anos, com debates frequentes sobre bem-estar, qualidade de vida e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Ainda assim, pressões excessivas, cobranças constantes e jornadas longas e exaustivas seguem fazendo parte da rotina de milhões de pessoas, criando um ambiente propício ao adoecimento.
Quando não há cuidado adequado, o que começa como um período de estresse intenso pode evoluir rapidamente para um quadro mais sério: a síndrome do esgotamento profissional, conhecida como burnout. A condição vai além do cansaço comum do dia a dia e se caracteriza por uma exaustão profunda, física, emocional e mental.
CONTEÚDOS RELACIONADOS
- Check-up anual: médicos indicam os exames essenciais para avaliar a saúde
- Vai beber? "Síndrome do Coração Festeiro" é perigo real à saúde
- Canetas emagrecedoras: o que acontece quando você para de usar?
Na maioria dos casos, os sintomas iniciais são confundidos com estresse ou fadiga passageira. No entanto, enquanto o estresse tende a ser temporário e diminui com descanso ou resolução de problemas, o burnout é um processo crônico, resultado de uma exposição prolongada a ambientes de trabalho emocionalmente exigentes.
Reconhecendo a gravidade do problema, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a classificar, em 2022, o burnout como uma doença ocupacional. Segundo especialistas, essa distinção é fundamental para ampliar a conscientização e estimular a busca por tratamento.
“O estresse faz parte da vida e pode surgir por diferentes motivos, como dificuldades financeiras ou conflitos familiares. Em geral, ele diminui quando a situação é resolvida ou quando a pessoa consegue descansar”, explica a psicóloga Yamara Garcia, do Grupo Reinserir, em São Paulo. “Já o burnout se desenvolve quando há uma exposição contínua a um trabalho emocionalmente desgastante, levando a um esgotamento profundo”, completa.
Quando a síndrome se instala, os impactos são significativos. Pessoas com burnout costumam se sentir desmotivadas, incompetentes e improdutivas. “É essencial estar atento às mudanças físicas, emocionais e comportamentais”, alerta a psicóloga Larissa Rebouças, do Hospital Brasília.
Entre os principais sinais estão o cansaço extremo constante, insônia ou sono de má qualidade, dores frequentes e baixa imunidade. Do ponto de vista emocional, surgem falta de motivação, sensação de fracasso, ansiedade, tristeza sem causa aparente e irritabilidade. Já no comportamento, é comum o distanciamento do trabalho, queda de rendimento, isolamento social e o consumo excessivo de café, álcool ou medicamentos para suportar a rotina.
Quer mais notícias de saúde? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.
O burnout também compromete a vida fora do ambiente profissional. Pessoas afetadas têm dificuldade em relaxar ou sentir prazer, mesmo nos momentos de descanso, o que prejudica relacionamentos e o bem-estar emocional. Por isso, especialistas reforçam a importância de buscar ajuda profissional ao menor sinal de alerta.
“A psicoterapia é fundamental, pois ajuda o indivíduo a repensar sua relação com o trabalho e a desenvolver estratégias mais saudáveis de enfrentamento. Em alguns casos, também é necessária uma avaliação médica para verificar a indicação de tratamento medicamentoso”, explica Larissa.
Ignorar os sinais ou normalizar a exaustão é um erro comum. Muitos trabalhadores evitam procurar ajuda por medo de parecerem fracos ou incapazes. No entanto, reconhecer o problema e agir precocemente é o primeiro passo para evitar o agravamento da síndrome.
Mudanças no estilo de vida, pausas regulares na rotina e a redefinição de limites também são estratégias importantes no enfrentamento do burnout. Segundo Yamara Garcia, o cuidado deve ser coletivo, mas merece atenção especial em relação às mulheres, que frequentemente acumulam jornada profissional e responsabilidades familiares. “Essa sobrecarga emocional aumenta a prevalência do burnout entre elas”, afirma.
Sem tratamento adequado, o esgotamento profissional pode evoluir para quadros mais graves, como depressão e crises de pânico. Por isso, cuidar da saúde mental deixou de ser uma escolha e se tornou uma necessidade urgente no mundo do trabalho.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar