Todo começo de ano carrega uma simbologia própria: a ideia de recomeço, de colocar a vida em ordem e de cuidar melhor do que ficou em segundo plano na correria da rotina. Entre resoluções pessoais e promessas silenciosas, a saúde costuma ocupar lugar de destaque, especialmente quando surge a decisão de fazer um check-up. Ainda assim, esse movimento quase sempre vem acompanhado de dúvidas sobre quais exames realizar e qual é, de fato, o caminho mais adequado para uma avaliação completa.
Ao contrário do que muitos imaginam, o check-up não segue um modelo engessado nem se resume a um pacote padronizado de exames laboratoriais. Especialistas explicam que a base dessa avaliação está na análise individual de cada paciente. Fatores como idade, sexo, histórico familiar, doenças prévias, hábitos alimentares, prática de atividades físicas, rotina de trabalho e contexto social influenciam diretamente na escolha dos exames e na interpretação dos resultados.
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CONSULTA MÉDICA
O ponto de partida do check-up é a consulta médica. Antes de qualquer exame laboratorial, o clínico geral realiza uma escuta detalhada, reunindo informações sobre o estado geral de saúde do paciente, uso contínuo de medicamentos, queixas atuais e antecedentes familiares. Esse momento é decisivo para identificar fatores de risco e definir prioridades, evitando exames desnecessários e direcionando a investigação de forma mais precisa.
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O exame físico também desempenha papel central nessa etapa inicial. Aferição da pressão arterial, avaliação do peso, cálculo do índice de massa corporal (IMC), análise da frequência cardíaca e observação de sinais clínicos ajudam a construir um panorama mais completo da saúde. A partir desses dados, o médico decide quais exames laboratoriais são realmente indicados para cada caso.
EXAMES DE SANGUE
Entre os exames mais solicitados em um check-up de rotina estão o hemograma completo, que avalia glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas, podendo indicar anemia, infecções ou processos inflamatórios. A glicemia em jejum e a hemoglobina glicada permitem identificar diabetes ou pré-diabetes, enquanto o lipidograma, que inclui colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos, é fundamental para avaliar o risco cardiovascular.
Outros exames frequentemente incluídos são a creatinina, para análise da função renal, e as enzimas hepáticas TGO (AST) e TGP (ALT), que ajudam a verificar a saúde do fígado. Também podem ser solicitados o ácido úrico, associado ao risco de gota e problemas renais, o TSH, que avalia o funcionamento da tireoide, o exame de urina tipo 1, o parasitológico de fezes e a dosagem de vitaminas como D e B12, importantes para a saúde óssea, imunológica e neurológica.
Exames de imagem não fazem parte da rotina básica do check-up e não devem ser solicitados de forma indiscriminada. Eles entram em cena quando há sintomas específicos, fatores de risco conhecidos ou protocolos de rastreamento bem definidos. A decisão depende sempre da avaliação clínica e dos achados da consulta inicial.
A INFLUÊNCIA DA FAIXA ETÁRIA
Com o avanço da idade, o check-up tende a se tornar mais direcionado. Entre as mulheres, passam a fazer parte da rotina exames como o preventivo do colo do útero e a mamografia, de acordo com a faixa etária e o histórico individual. Já entre os homens, a avaliação da próstata pode ser indicada a partir dos 40 anos, especialmente quando há casos da doença na família.
Nessa fase da vida, os médicos também costumam discutir exames voltados ao rastreamento do câncer de intestino e realizar uma análise mais cuidadosa da saúde cardiovascular, considerando fatores como pressão arterial, colesterol, glicemia e estilo de vida. O acompanhamento, no entanto, vai além dos exames: aspectos sociais, ocupacionais e o acesso aos serviços de saúde também influenciam o tipo de cuidado necessário.
REVISÃO DE HÁBITOS
Além de detectar riscos antes do surgimento dos sintomas, o check-up anual funciona como um momento estratégico para revisar hábitos. Após os excessos comuns das festas de fim de ano, a consulta médica permite retomar uma alimentação mais equilibrada, planejar a volta à atividade física, checar se as vacinas estão em dia e discutir mudanças possíveis dentro da realidade de cada pessoa.
Mais do que uma bateria de exames, o check-up bem conduzido é um processo contínuo de acompanhamento da saúde, baseado no diálogo entre médico e paciente. A proposta não é apenas identificar doenças, mas promover prevenção, qualidade de vida e decisões mais conscientes ao longo do ano.
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