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INFLUÊNCIA POLÍTICA

"Flávio esquema pandemia”: entenda o que está por trás da busca no Google

Busca ganhou força após mobilização nas redes sociais e reúne acusações sobre hospitais federais, contratos suspeitos e investigações ligadas à CPI da Covid.

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Imagem ilustrativa da notícia "Flávio esquema pandemia”: entenda o que está por trás da busca no Google camera Saiba todos os detalhes sobre as acusações e investigações sobre Flávio Bolsonaro durante a pandemia, envolvendo hospitais federais e irregularidades contratuais. | Lula Marques/Agência Brasil

A expressão “Flávio esquema pandemia” ganhou repercussão nas pesquisas do Google após o deputado federal André Janones (Rede-MG) incentivar, na quarta-feira (21/10), integrantes do chamado Exército do Lula a pesquisarem por “Flávio Bolsonaro esquema pandemia”.

A mobilização reacendeu acusações contra o senador Flávio Bolsonaro, envolvendo a suposta influência política na administração de hospitais federais do Rio de Janeiro durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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As denúncias abrangem indicações políticas para cargos de direção, contratos com suspeitas de sobrepreço e problemas no funcionamento de unidades hospitalares durante a pandemia de Covid-19. O assunto também voltou ao debate após reportagens sobre a atuação de empresários ligados à negociação da vacina Covaxin e a abertura de investigações relacionadas a fatos apresentados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.

As acusações, porém, precisam ser diferenciadas das conclusões judiciais: os episódios mencionados não foram comprovados judicialmente como integrantes de um único esquema criminoso comandado pelo senador.

Denúncias apontam influência política em hospitais federais

Uma investigação publicada pela Agência Pública em 1º de outubro reuniu documentos, auditorias e depoimentos sobre a suposta influência de Flávio Bolsonaro na rede federal de saúde do Rio de Janeiro entre 2019 e 2022.

Segundo os relatos apresentados pela reportagem, o senador teria participado de articulações para indicações políticas e decisões administrativas, embora não ocupasse cargo na estrutura do Ministério da Saúde.

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) fez uma das acusações mais contundentes sobre a atuação atribuída ao parlamentar.

“Toda a estrutura de poder e de indicação política, e as empresas que participariam de licitações, que ganhariam ou perderiam, tudo isso estava dentro do grupo cuja cabeça era o senador Flávio Bolsonaro”, afirmou Otoni, em declaração reproduzida pela Agência Pública.

A acusação foi feita em março de 2026. O relato do parlamentar, no entanto, não constitui uma conclusão judicial sobre a responsabilidade de Flávio Bolsonaro.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), também atribuiu ao senador influência sobre a rede hospitalar federal durante o governo de Jair Bolsonaro. “Era, de fato, o poderoso chefão dos hospitais federais”, declarou Padilha à Agência Pública.

O ministro afirmou que nomeações para cargos de direção e decisões relacionadas a contratos passavam pelo senador. Também mencionou suspeitas envolvendo funcionários fantasmas em contratos de terceirização e a ocupação política de cargos administrativos.

A investigação ouviu gestores, ex-gestores, servidores públicos e integrantes de órgãos de controle. Procurada pela Agência Pública, a assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu aos pedidos de entrevista, segundo a publicação.

Hospitais tinham leitos fechados durante a pandemia

As condições de funcionamento dos hospitais federais do Rio de Janeiro também foram alvo de questionamentos durante e depois da emergência sanitária.

O relatório final da CPI da Covid, aprovado em outubro de 2021, apontou que aproximadamente 30% dos leitos clínicos e de terapia intensiva dos hospitais e institutos federais do Rio permaneceram fechados durante a pandemia, embora parte da estrutura pudesse ter sido disponibilizada para atendimento.

Em abril de 2023, uma fiscalização da Câmara dos Deputados identificou 735 leitos inoperantes ou bloqueados na rede federal da capital fluminense.

Os parlamentares também registraram alas fechadas, obras paralisadas, equipamentos sem utilização e problemas na prestação de serviços de saúde.

No Hospital Federal de Bonsucesso, um incêndio ocorrido durante a pandemia provocou a morte de quatro pacientes internados com Covid-19. A unidade também enfrentava dificuldades relacionadas à disponibilidade de profissionais e ao funcionamento de serviços especializados.

O deputado Daniel Soranz (PSD-RJ), médico sanitarista e ex-secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, criticou a influência atribuída ao senador. “Flávio teve uma influência nefasta para os hospitais federais, foi algo terrível”, afirmou à Agência Pública.

Os problemas identificados na rede hospitalar, contudo, não demonstram, isoladamente, que todas as falhas de atendimento ou restrições de leitos tenham resultado de uma atuação direta do senador.

Auditorias apontaram R$ 69 milhões em sobrepreço

Além das condições dos hospitais, auditorias identificaram suspeitas de sobrepreço em processos de contratação de materiais e medicamentos.

Em uma licitação para a compra de materiais de cirurgia vascular do Hospital Federal dos Servidores do Estado, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou aproximadamente R$ 69 milhões em preços superdimensionados, o equivalente a 57% do valor estimado.

Outra análise, relacionada à aquisição de medicamentos contra o câncer, apontou R$ 18,1 milhões em sobrepreço estimado.

Os valores se referem a irregularidades identificadas em auditorias preventivas, antes da assinatura dos contratos. Por isso, não devem ser interpretados automaticamente como dinheiro efetivamente pago a mais ou desviado dos cofres públicos.

A Agência Pública também relatou relações entre empresas contratadas pelos hospitais e pessoas ligadas a políticos do Rio de Janeiro.

Em agosto de 2026, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigasse uma possível participação de Flávio Bolsonaro nas irregularidades relacionadas à rede hospitalar federal.

O pedido de investigação, por si só, não comprova a participação do senador nas irregularidades mencionadas.

Flávio Bolsonaro foi citado em investigação ligada à CPI da Covid

As denúncias sobre os hospitais federais não são o único episódio que relaciona o nome de Flávio Bolsonaro às apurações sobre a pandemia.

Em setembro de 2025, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para apurar fatos apresentados no relatório final da CPI da Covid.

O senador estava entre os agentes públicos mencionados nas conclusões da comissão parlamentar. Em 2021, a CPI recomendou seu indiciamento por incitação ao crime, em razão de condutas relacionadas ao enfrentamento da pandemia.

Ao autorizar a investigação, Dino destacou que a comissão havia identificado indícios de possíveis crimes contra a administração pública, incluindo fraudes em licitações, superfaturamento e desvio de recursos.

A decisão de abertura do inquérito, entretanto, não atribuiu automaticamente todos esses possíveis crimes a Flávio Bolsonaro. A instauração de uma investigação também não equivale ao oferecimento de denúncia formal pelo Ministério Público nem a uma condenação judicial.

Reportagem relata festa com empresários ligados à Covaxin

Outra frente de repercussão surgiu após uma reportagem da Revista Piauí, publicada em 21 de outubro de 2026, sobre um encontro social do qual Flávio Bolsonaro teria participado em julho de 2020.

Segundo a publicação, o senador esteve em uma festa em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, organizada pelos empresários Danilo Trento e Francisco Maximiano, ligados à Precisa Medicamentos.

A reportagem relata a presença de lobistas e mulheres contratadas para o evento, além da suposta entrega de um relógio da marca Rolex ao senador. O texto também relaciona o encontro às tentativas dos empresários de ampliar o acesso a integrantes do governo federal.

A Precisa Medicamentos participou das negociações para a aquisição da vacina indiana Covaxin pelo governo federal. O contrato foi investigado pela CPI da Covid e acabou suspenso em meio a suspeitas de irregularidades.

A presença em um evento com empresários, isoladamente, não comprova envolvimento em irregularidades na negociação da vacina. As alegações sobre a festa e o suposto presente precisam ser avaliadas separadamente de eventuais provas de participação em atos ilícitos.

Segundo a repercussão da reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, os envolvidos ainda não haviam se manifestado sobre as novas alegações naquele momento.

O que Flávio Bolsonaro diz sobre as acusações?

Flávio Bolsonaro contestou as conclusões da CPI da Covid em 2021 e questionou a consistência jurídica do relatório que recomendou seu indiciamento.

“Tenho a convicção de que, assim que for analisado juridicamente por qualquer estagiário em direito, onde quer que for parar esse relatório, ele será arquivado”, declarou na ocasião.

O senador também questionou as suspeitas relacionadas à negociação da vacina Covaxin. “Como há desvio de dinheiro público de uma vacina que não foi comprada?”, afirmou durante as discussões sobre o relatório da comissão parlamentar.

Em relação à investigação da Agência Pública sobre os hospitais federais do Rio de Janeiro, o veículo informou que não recebeu resposta aos pedidos de entrevista encaminhados à assessoria do senador.

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