Nos bastidores da política brasileira, onde cinema, poder e disputas ideológicas frequentemente se cruzam, uma nova controvérsia ganhou força nesta semana envolvendo a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O filme "Dark Horse", ainda em fase de produção, passou a ocupar o centro do debate público após a divulgação de mensagens e áudios que apontariam negociações em busca de financiamento milionário para o projeto audiovisual.
Em meio à repercussão, o deputado federal Mário Frias, produtor executivo do longa e ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro, veio a público na última quarta-feira (13) para negar qualquer participação societária do senador Flávio Bolsonaro na produção, além de rechaçar a existência de recursos provenientes do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
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FRIAS DESMENTE VERSÃO DE FLÁVIO BIOLSONARO
Segundo Mário Frias, Flávio Bolsonaro teve atuação restrita à autorização do uso da imagem da família do ex-presidente na obra cinematográfica. De acordo com o deputado, o senador não possui participação financeira nem societária no filme ou na produtora responsável pelo projeto.
Frias afirmou ainda que o sobrenome Bolsonaro naturalmente contribui para atrair investidores privados interessados na produção de uma obra de grande porte, mas reforçou que não houve envolvimento direto do senador na administração do projeto.
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O parlamentar também negou que a GOUP Entertainment tenha recebido qualquer quantia ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro. Em declaração pública, Frias sustentou que não existe "um único centavo" do empresário no financiamento de "Dark Horse!" e enfatizou que o projeto não utiliza recursos públicos ou incentivos da Lei Rouanet.
Vale lembrar, porém, que longas-metragens comerciais não podem ser financiados pela Lei Rouanet. No setor audiovisual brasileiro, o principal mecanismo público de financiamento para produções cinematográficas de grande porte é o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), voltado especificamente ao desenvolvimento da indústria do cinema e do entretenimento.
INTERCEPT DIVULGA MENSAGENS E ÁUDIOS
A nova onda de repercussão surgiu após o Intercept Brasil divulgar mensagens, documentos e gravações de áudio atribuídas a Flávio Bolsonaro. Segundo a publicação, o senador teria buscado um aporte de US$ 24 milhões - aproximadamente R$ 134 milhões - junto ao ex-banqueiro para viabilizar a conclusão do filme.
Em um dos áudios divulgados, Flávio relata dificuldades financeiras enfrentadas pela produção e menciona atrasos nos pagamentos necessários para manter o andamento do longa-metragem.
"Dark Horse" é dirigido pelo cineasta Cyrus Nowrasteh e estrelado pelo ator Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus Cristo no filme The Passion of the Christ.
FLÁVIO BOLSONARO FALA EM "PATROCÍNIO PRIVADO"
Após a divulgação do material, Flávio Bolsonaro afirmou que sua atuação se limitou à busca de patrocinadores privados para um projeto cinematográfico sobre o próprio pai.
Em nota, o senador declarou que não houve utilização de dinheiro público, tampouco intermediação de vantagens governamentais. Ele também afirmou que conheceu Daniel Vorcaro apenas em 2024, quando Jair Bolsonaro já não ocupava mais a Presidência da República e, segundo ele, ainda não existiam acusações públicas contra o empresário. Contudo, em um dos áudios vazados, o próprio senador menciona as dificuldades enfrentadas por Vorcaro no final de 2025 por conta das investigações da Polícia Federal.
O parlamentar acrescentou que retomou contato com Vorcaro devido aos atrasos no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para concluir o longa e negou qualquer recebimento de vantagens pessoais ou favorecimento político.
PRESSÃO POR INVESTIGAÇÃO
A repercussão do caso ampliou a pressão política em torno da chamada CPI do Banco Master. Parlamentares da oposição passaram a cobrar esclarecimentos sobre as tratativas reveladas, enquanto aliados de Bolsonaro insistem que a iniciativa trata exclusivamente de financiamento privado para uma obra cinematográfica sem vínculo com recursos públicos.
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