Uma investigação que envolve recursos públicos, empresas contratadas por prefeitura e a compra de um imóvel de alto padrão no litoral do Ceará expõe a deputada federal Alessandra Haber (Podemos-PA), esposa de Daniel Santos, ex-prefeito de Ananindeua.
Uma reportagem publicada pelo portal Metrópoles revelou suspeitas de que emendas parlamentares destinadas pela deputada federal teriam sido utilizadas, de forma indireta, em um esquema que acabou beneficiando empresas ligadas ao pagamento de uma casa de praia em Fortim (CE). O imóvel foi adquirido pela parlamentar em conjunto com o marido, Daniel Santos.
Segundo a apuração, a casa foi comprada em outubro de 2024, já mobiliada e pronta para uso. O pagamento não teria sido feito diretamente pelo casal. De acordo com informações repassadas ao Ministério Público do Pará (MP-PA) pela incorporadora responsável, os valores teriam sido quitados por terceiros, incluindo empresas com contratos ativos com a prefeitura durante a gestão de Daniel Santos.
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Parte dos recursos sob investigação teria origem em emendas parlamentares enviadas ao município, entre elas uma transferência de R$ 17,5 milhões, conhecida como “emenda pix”, destinada a obras de infraestrutura. A reportagem aponta que, após receberem pagamentos da prefeitura, algumas empreiteiras teriam feito repasses à incorporadora do imóvel. Em um dos casos citados, uma empresa transferiu R$ 500 mil no mesmo dia em que recebeu R$ 2,99 milhões por serviços prestados.


Outras fornecedoras, inclusive do setor educacional, também aparecem nas investigações, com depósitos realizados próximos às datas de recebimento de recursos públicos. O imóvel, considerado de alto padrão, teria sido quitado em cerca de cinco meses.
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O caso chegou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi encaminhado à Justiça do Pará por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Até o momento, não há posicionamento público da deputada sobre o caso.
Reportagem do Fantástico ampliou repercussão
As suspeitas ganharam ainda mais visibilidade após reportagem exibida pelo programa Fantástico, que trouxe novos detalhes sobre a investigação. A matéria apontou que o imóvel, avaliado entre R$ 2,5 milhões e R$ 4 milhões, teria sido pago por meio de transferências via Pix, envolvendo empresas prestadoras de serviço.
De acordo com o Ministério Público, há indícios de que recursos oriundos de contratos públicos tenham sido utilizados no pagamento da casa, em um esquema que envolveria múltiplas empresas. Pelo menos cinco delas teriam participado de repasses à incorporadora, prática que foi apelidada de “vaquinha” pelos investigadores.
Além do imóvel no Ceará, a apuração também inclui outros bens, como uma fazenda de alto valor e um avião avaliado em mais de R$ 10 milhões, que teria sido negociado após o início das investigações. As autoridades ainda analisam possíveis indícios de evolução patrimonial incompatível, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As investigações seguem em andamento, e o caso permanece sob análise da Justiça.
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