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Fantástico mostra casa de luxo paga com esquema de corrupção do prefeito de Ananindeua

Investigação do Ministério Público aponta que empresas contratadas pela prefeitura teriam feito transferências para quitar imóvel avaliado em R$ 4 milhões

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Imagem ilustrativa da notícia Fantástico mostra casa de luxo paga com esquema de corrupção do prefeito de Ananindeua camera Investigação do Ministério Público aponta que empresas contratadas pela prefeitura teriam feito transferências para quitar imóvel avaliado em R$ 4 milhões | Reprodução/TV Globo/Redes Sociais

Uma casa de luxo no litoral do Nordeste comprada por meio de Pix. É com esse questionamento que as apresentadoras Maju Coutinho e Poliana Abritta introduzem a reportagem sobre o mega escândalo de corrupção envolvendo o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos.

A matéria começa investigando quem é o proprietário de uma casa localizada em um condomínio de alto padrão no município de Fortim, no interior do Ceará, à beira-mar da praia da cidade. Após conversar com o segurança do local, o repórter Maurício Ferraz confirma que o dono do imóvel é Daniel Santos.

A casa de luxo de Daniel Santos no Ceará
📷 A casa de luxo de Daniel Santos no Ceará |Reprodução/TV Globo

Um dos pontos que mais chama a atenção na reportagem é que a casa do prefeito foi a primeira construída no condomínio, a chamada “casa modelo”. Segundo a reportagem, o imóvel está avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões. Já completamente mobiliado e pronto para uso, o valor pode chegar a R$ 4 milhões.

De acordo com a investigação apresentada na matéria, a casa foi comprada em nome de uma empresa ligada ao prefeito, a Agropecuária JD. No entanto, o Ministério Público suspeita que o pagamento tenha sido feito com recursos provenientes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da prefeitura de Ananindeua, verbas que deveriam ser destinadas a áreas como saúde, educação e infraestrutura.

A reportagem também detalha como funcionaria o suposto esquema que envolve o prefeito. Segundo o Ministério Público, o dinheiro usado para comprar o imóvel no Ceará teria sido repassado por cinco empresas que mantinham contratos com a prefeitura, em um mecanismo que os investigadores chamaram de “vaquinha da corrupção”.

Na prática, sempre que uma dessas empresas recebia pagamentos da prefeitura por serviços prestados ou fornecimento de materiais, parte do valor era transferida para quitar parcelas da casa de luxo do prefeito.

O esquema

Para ilustrar o funcionamento do esquema, a reportagem apresenta o contrato da empresa NEO BRS, que presta serviços à Secretaria Municipal de Educação de Ananindeua, fornecendo materiais como cadernos, canetas, tesouras e réguas.

Em 2024, duas notas fiscais foram emitidas para pagamento pelos serviços prestados: uma no dia 30 de setembro, no valor de R$ 995.038, e outra em 1º de outubro, no valor de R$ 493.099 — totalizando quase R$ 1,5 milhão.

Segundo a investigação mostrada na reportagem, um dia após receber o pagamento, a NEO BRS transferiu R$ 866.034,25 para a empresa responsável pelo empreendimento imobiliário que construiu a casa de luxo do prefeito no Ceará. O valor corresponderia a uma das parcelas do imóvel.

Outro exemplo apresentado envolve a empresa Ferreira Comercial, fornecedora de produtos de limpeza para a mesma secretaria. Documentos exibidos na reportagem indicam que a prefeitura pagou R$ 521.581,40 à empresa em 2 de outubro de 2024. No dia seguinte, a empresa transferiu R$ 250 mil para pagar outra parcela do imóvel. A equipe da reportagem tentou localizar a empresa no endereço registrado, mas não encontrou representantes no local.

A investigação aponta ainda a participação de integrantes da própria gestão municipal. Um deles seria Alexandre Gomes, que assumiu a Secretaria de Habitação em fevereiro de 2025. De acordo com a reportagem, pouco após assumir o cargo, ele teria realizado dois depósitos que somam R$ 1 milhão, também destinados ao pagamento de parcelas da casa. Ele foi procurado pela reportagem, mas não foi encontrado.

Ouvido na matéria, o procurador-geral de Justiça do Pará, Alexandre Tourinho, afirmou que as investigações apontam para uma evolução patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo prefeito, além de indícios de lavagem de dinheiro e possível atuação de organização criminosa.

A investigação se baseia, entre outros pontos, no crescimento do patrimônio de Daniel Santos. Durante a campanha pela reeleição, o prefeito declarou possuir bens que somavam quase R$ 5 milhões. No entanto, o Ministério Público do Pará pediu o bloqueio de mais de R$ 130 milhões em bens ligados a ele, incluindo uma fazenda adquirida por R$ 16 milhões.

A reportagem também revelou que o mesmo esquema de repasses teria sido utilizado para a compra de um avião avaliado em mais de R$ 10 milhões. A aeronave, no entanto, teria desaparecido. O Ministério Público suspeita que o prefeito tenha se desfeito do avião após receber informações sobre a operação que investigava o caso.

A equipe de reportagem procurou Daniel Santos na sede da prefeitura, mas ele não foi localizado. Em nota, o prefeito afirmou que as acusações são falsas e que está sendo vítima de perseguição política.

Diante das investigações, Daniel Santos é alvo de apuração por suspeitas de corrupção ativa, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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O caso está sendo analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após a defesa do prefeito argumentar que a esposa dele, Alessandra Haber, deputada federal, poderia ser citada no processo. O Ministério Público, porém, afirma que não há confirmação de envolvimento da parlamentar nas investigações.

Veja a reportagem completa:

TV Globo
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