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LUXO, FUTEBOL E INVESTIGAÇÃO

Prefeito de Ananindeua vai à final da Libertadores em jato ligado à corrupção

Prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, é investigado por corrupção e fraudes, enquanto pacientes renais enfrentam colapso na saúde local.

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Imagem ilustrativa da notícia Prefeito de Ananindeua vai à final da Libertadores em jato ligado à corrupção camera A aeronave, é justamente um dos símbolos do suposto esquema de enriquecimento ilícito investigado nas operações Aqueronte e Hades | Reprodução

Enquanto pacientes renais de Ananindeua tentam reorganizar a vida depois do fechamento do único centro de hemodiálise do município por falta de repasses da prefeitura, e moradores ainda sentem os efeitos do colapso na rede hospitalar, o prefeito Daniel Santos (PSB) volta ao centro de uma polêmica que mistura luxo, futebol e investigação por corrupção. Informações obtidas pelo DIÁRIO apontam que o médico e político teria utilizado o jatinho Cessna Citation Jet, matrícula PS-FGK, registrado em nome da Agropecuária JD Ltda., empresa de sua família, para viajar a Lima, no Peru, com escalas em Itaituba e Rio Branco, no Acre.

Não, o médico Daniel Santos não está em nenhuma missão humanitária. O único propósito da viagem é acompanhar, in loco, a final da Conmebol Libertadores 2025 entre Flamengo e Palmeiras, no Estádio Monumental U, em Lima.

A aeronave, porém, é justamente um dos símbolos do suposto esquema de enriquecimento ilícito investigado nas operações Aqueronte e Hades, conduzidas pelo Ministério Público do Pará (MPPA), que levaram ao bloqueio judicial de cerca de meio bilhão de reais em bens do prefeito e de aliados, incluindo imóveis, fazendas, veículos, embarcações, maquinário agrícola e as aeronaves da família – inclusive o Cessna Citation – que a esta altura deve estar estacionado em algum pátio para aeronaves na capital peruana.

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O jato que hoje encarna a vida de luxo do prefeito foi adquirido em dezembro de 2022, por R$ 10,9 milhões, junto à Maia Aviation Importação e Exportação. O comprador formal é a Agropecuária JD Ltda., sediada em Tomé-Açu e de propriedade de Daniel Santos.

O Cessna Citation Jet PS-FGK, que está transportando o prefeito para acompanhar um jogo de futebol é apontado pelo Gaeco/MPPA como um dos bens de alto valor adquiridos com propina, no contexto das operações Aqueronte e Hades, ao lado de fazendas, máquinas e grandes volumes de combustível. O avião está dentro do pacote de bens sob bloqueio judicial (sequestro), num montante que chega a cerca de R$ 500 milhões em imóveis, veículos, embarcações e aeronaves.

Embora não esteja “confiscado”, há uma ordem judicial para que o prefeito apresente a aeronave, e o próprio promotor da Hades, Arnaldo Célio da Costa Azevedo, disse publicamente que o avião “ainda não foi apreendido porque não estava em solo paraense”, cobrando que ele cumpra a ordem.

Fontes dentro da aviação civil informaram ser impossível rastrear os voos feitos pelo Citation de Daniel Santos. “O PS-FGK já voou em rotas como Belém–Brasília e trecho “perto de Itaituba–Belém”, mas por ordem do dono (da aeronave) foi solicitada a restrição de rastreio no FlightAware, ou seja, não é possível ver todos os voos em detalhe”, revelou um operador de voo.

O FlightAware é um serviço de rastreamento de voos que fornece informações em tempo real sobre a localização, histórico e previsão de voos comerciais, privados e de aviação geral.

OPERAÇÕES AQUERONTE E HADES

As operações Aqueronte e Hades, somadas à denúncia apresentada em outubro de 2025, construíram contra Daniel Santos um mosaico de acusações que vai muito além de um voo de luxo para assistir à Libertadores. Segundo o MPPA, o prefeito, cinco empresários e ex-servidores públicos teriam formado uma organização criminosa para fraudar licitações, direcionar contratos de obras e fornecimento de medicamentos, superfaturar serviços e, em contrapartida, receber vantagens indevidas na forma de terras, aviões, combustível e máquinas agrícolas.

A Procuradoria-Geral da República, se manifestou em outubro deste ano no processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça defendendo o afastamento de Daniel do cargo em razão da gravidade dos fatos e do risco de interferência nas apurações. A Procuradoria-Geral da República defendeu que o prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel Santos (PSB), seja novamente afastado do cargo, em manifestação enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deve decidir o caso nos próximos dias.

O prefeito da segunda maior cidade do Pará, também presidente estadual do PSB, é investigado por suspeitas de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro. Segundo os procuradores, empresas contratadas pela prefeitura teriam financiado bens pessoais milionários do prefeito — um enredo digno de série policial, mas que, infelizmente, se passa na vida real e com dinheiro público.

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CASA DE LUXO EM FORTALEZA

O parecer da PGR ganhou peso após vir a público a negociação de uma casa de luxo de frente para o mar, na região de Fortaleza (CE). Avaliado em R$ 2,5 milhões, o imóvel inclui R$ 1,1 milhão em móveis e um kit piscina de R$ 415 mil, totalizando R$ 4,1 milhões. O pagamento, porém, não teria sido feito pelo prefeito, e sim por meio de dez depósitos de cinco empresas e quatro pessoas físicas, formando um mosaico financeiro que, para os investigadores, indica possível lavagem de dinheiro.

Antes disso, o Tribunal de Justiça do Pará havia afastado Daniel Santos no dia 5 de agosto, mas ele reassumiu o cargo na manhã seguinte, após obter uma liminar do STJ. Agora, caberá ao ministro Sebastião Reis Júnior, relator do processo, decidir se mantém ou revoga a liminar — o que pode resultar em um novo afastamento.

A perplexidade dos investigadores aumentou quando, poucas horas depois de reassumir a prefeitura, no dia 6 de agosto, foi assinado, em nome da esposa dele, a deputada federal Alessandra Haber (MDB-PA), o contrato da casa de praia paga por terceiros. Para a PGR, o episódio mostra que o prefeito “continua praticando atos que, supostamente, classificam-se como ilícitos criminais”, reforçando a necessidade de tirá-lo da função enquanto o processo segue.

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