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TRUMP E BIDEN

Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões pela 1ª vez

Valor mais que dobrou em menos de uma década e acende alertas sobre a situação fiscal do país

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Imagem ilustrativa da notícia Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões pela 1ª vez camera Dívida dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, segundo o Departamento do Tesouro. | Reprodução/Daniel Torok/Casa Branca

A dívida total do governo dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, segundo dados divulgados pelo Departamento do Tesouro nesta quarta-feira (20). O valor representa mais que o dobro do registrado há menos de uma década e aumenta os alertas sobre a situação fiscal da maior economia do mundo.

O balanço diário do Tesouro apontou que a dívida pública total em circulação chegou a US$ 40,047 trilhões na terça-feira (19). Desse montante, US$ 32,266 trilhões correspondem a títulos do Tesouro em poder do público, enquanto US$ 7,782 trilhões são classificados como dívida intragovernamental.

A dívida federal era de US$ 19,95 trilhões em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu a Presidência pela primeira vez.

Pandemia teve impacto no endividamento

Parte significativa do aumento ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando os governos de Trump e Joe Biden ampliaram os gastos para financiar medidas de resposta à crise sanitária e econômica.

No primeiro mandato de Trump, a dívida pública aumentou em aproximadamente US$ 7,8 trilhões. Mais da metade desse crescimento ocorreu durante os últimos nove meses do mandato, período marcado pela resposta à pandemia.

Durante o governo Biden, a dívida aumentou em cerca de US$ 8,4 trilhões. Além das medidas relacionadas à recuperação econômica após a pandemia, o período foi marcado por investimentos em infraestrutura, incentivos para energia limpa e outras despesas federais.

Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, o endividamento aumentou em aproximadamente US$ 3,8 trilhões. Somados os dois mandatos, o crescimento chega a cerca de US$ 11,6 trilhões.

Déficit e gastos pressionam contas

O Tesouro informou na semana passada que os Estados Unidos registraram um déficit de US$ 432 bilhões em julho, o quarto maior déficit mensal da história do país.

Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, o déficit já superou o resultado de todo o ano fiscal de 2025, ainda faltando dois meses para o encerramento do período.

Entre os fatores que pressionam as contas estão o aumento dos gastos com programas de seguridade social e assistência médica, além do pagamento dos juros da própria dívida.

Os Estados Unidos gastam cerca de US$ 7 trilhões por ano. Aproximadamente 60% desse valor é destinado a programas obrigatórios, como Previdência Social, Medicare, Medicaid e benefícios para veteranos.

Juros da dívida aumentam

O custo para financiar a dívida também se tornou uma preocupação. Os Estados Unidos gastam cerca de *US$ 1,1 trilhão por ano com juros*, valor que cresce conforme o estoque da dívida aumenta e as taxas de juros permanecem elevadas.

No ano fiscal de 2025, o custo do serviço da dívida superou pela primeira vez os gastos com o Departamento de Defesa. Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, os juros também ultrapassaram as despesas com o Medicare, tornando-se o segundo maior item do orçamento federal, atrás apenas da Seguridade Social.

Investidores acompanham mercado de títulos

O aumento da dívida também tem reflexos no mercado de títulos do Tesouro americano. Os rendimentos dos títulos de longo prazo atingiram níveis elevados, enquanto investidores passaram a exigir uma remuneração maior para manter papéis de vencimento mais distante.

Investidores estrangeiros detêm quase um terço dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Segundo analistas, uma eventual redução da demanda externa pode deixar uma parcela maior dos títulos nas mãos de investidores mais sensíveis aos preços, aumentando a volatilidade do mercado.

Nesta quarta-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou o aumento das recompras de títulos do Tesouro com vencimentos entre 10 e 30 anos para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.

Projeto de Trump também deve aumentar a dívida

O cenário fiscal também é influenciado pelas decisões de política econômica do atual governo.

De acordo com estimativas do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), a legislação conhecida como “One Big Beautiful Bill” poderá acrescentar cerca de US$ 4,7 trilhões à dívida federal.

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Grupos que acompanham as contas públicas defendem medidas para conter o crescimento do endividamento, incluindo aumento de receitas, redução de despesas ou uma combinação das duas estratégias.

O desafio é agravado pelo envelhecimento da população. Os gastos com aposentadorias e assistência médica aumentam, enquanto as receitas provenientes de impostos sobre salários e renda não acompanham o ritmo das despesas federais.

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