Nos últimos anos, a degradação dos solos vem avançando em ritmo acelerado em diferentes regiões do planeta, colocando em risco a produção de alimentos, o acesso à água e a sobrevivência de milhões de pessoas. Esse é um dos principais alertas da COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), que teve início nesta segunda-feira (17/08), em Ulan Bator, na Mongólia.
O evento segue até o dia 28 deste mês e reúne representantes de governos, cientistas, organizações da sociedade civil e do setor privado para discutir soluções para o problema. Segundo os dados oficiais mais recentes, a desertificação já afeta cerca de 40% das áreas terrestres do planeta e atinge diretamente 3,2 bilhões de pessoas. A cada ano, aproximadamente 100 milhões de hectares de terras saudáveis e produtivas são degradados, provocando perdas econômicas estimadas em US$ 880 bilhões.
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De acordo com autoridades ambientais, esse cenário ainda tende a piorar. Até 2050, a estimativa é de que a seca poderá atingir três quartos da população mundial, enquanto cerca de 700 milhões de pessoas poderão ser deslocadas, a partir de 2030, em razão da escassez de água e da degradação dos ecossistemas.
O desafio de recuperar os solos:
Sob o lema "Restaurar as terras, restaurar a esperança", a COP17 ocorre após a COP16, realizada em Riad, na Arábia Saudita, terminar sem grandes avanços. Durante a abertura da conferência, pesquisadores e especialistas reforçaram que a desertificação não significa simplesmente o avanço dos desertos, mas também envolve a perda das propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos em áreas de clima árido, semiárido e subúmido seco.
Para Tamsir Mbaye, pesquisador do Instituto Senegalês de Pesquisa Agrícola, o momento exige que os compromissos assumidos sejam transformados em ações concretas. "A COP17 acontece num momento em que a degradação das terras se tornou uma ameaça global, com consequências diretas para a segurança alimentar, a disponibilidade de água e os meios de subsistência de milhões de pessoas", disse.
Ele também ressalta que, nos países ricos, a degradação pode ser mascarada pelo uso intensivo de fertilizantes e outros insumos, enquanto nações mais pobres, especialmente da África Subsaariana, enfrentam baixa produtividade e dificuldade de acesso a esses recursos.
Diante desse cenário, a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação ressalta que a restauração dessas terras exigiriam um investimentos de cerca de US$ 1 bilhão por dia. Mbaye aponta experiências positivas no Senegal e defende a integração entre pesquisa, poder público e organizações não governamentais.
"Se olharmos para o exemplo do Senegal, temos experiências promissoras. Os resultados mostram que, ao associar a pesquisa, o poder público e outros atores, como as ONGs, é possível restaurar os solos e melhorar a renda das populações", afirma.
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Brasil leva experiência do Semiárido
O Brasil participa da conferência com a maior delegação já enviada pelo país a um encontro da ONU dedicado ao combate à desertificação. Com mais de 100 representantes do governo federal, da comunidade científica, da sociedade civil e do setor privado, o país também mantém um "Pavilhão Brasil" na área oficial da COP17, espaço destinado à apresentação de políticas públicas, pesquisas e iniciativas de restauração ecológica, com destaque para ações desenvolvidas no Semiárido e na Caatinga, bioma brasileiro mais vulnerável ao fenômeno.
De acordo com as autoridades, a participação brasileira ocorre diante de um cenário preocupante. Atualmente, cerca de 18% do território nacional está em áreas suscetíveis à desertificação, onde vivem aproximadamente 39 milhões de pessoas.
Por conta disso, durante o encontro, a delegação tem como objetivo apresentar experiências de adaptação às secas e recuperação de áreas degradadas, além de ampliar o debate sobre segurança hídrica e alimentar, temas diretamente relacionados às mudanças climáticas e à degradação dos solos.
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