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CASO INÉDITO

"Advogado IA" vence pela 1ª um julgamento no Reino Unido

Escritório utiliza apenas a ferramenta digital e cobrou £400 para recupera £7.000 no caso do cliente.

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Imagem ilustrativa da notícia "Advogado IA" vence pela 1ª um julgamento no Reino Unido camera A plataforma do escritória foi responsável por toda a etapa preparatória do processo. | Reprodução

Uma vitória judicial em Londres pode mudar para sempre a forma como as pessoas acessam a Justiça e chamou atenção da mídia mundial. Por trás do resultado, não havia um escritório tradicional, mas uma plataforma de inteligência artificial.

A Garfield AI, escritório digital baseado em inteligência artificial, venceu uma ação de cobrança de dívida no Tribunal do Condado de Wandsworth, em Londres. A vitória é considerada inédita na Inglaterra.

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A cliente, a consultora de recursos humanos freelancer Tamires Camal Taquidir, buscava receber 7.000 libras em honorários não pagos por uma empresa do setor de hospitalidade.

Além disso, a outra parte apresentou uma contra-ação, o que elevou o caso ao nível de julgamento formal. Ao final, o tribunal decidiu a favor de Taquidir e concedeu o valor integral devido.

Assim, o resultado consolidou a Garfield como referência em um modelo jurídico que, até o momento, não tinha precedentes documentados.

Como a IA conduziu o trabalho?

A plataforma da Garfield foi responsável por toda a etapa preparatória do processo.

Por isso, documentos como cartas iniciais, petições e declarações de testemunhas foram elaborados pela tecnologia, sem intervenção de advogado humano nessa fase.

A audiência durou cerca de três horas e contou com a presença de um barrister (profissional responsável pela sustentação oral em tribunal) contratado pelo escritório.

No modelo jurídico britânico, o trabalho preparatório é atribuição do solicitor, figura que a plataforma substituiu com IA.

Portanto, a cliente pagou apenas cerca de 400 libras à Garfield, enquanto o lado oposto compareceu ao tribunal com solicitor e barrister contratados de forma convencional.

O modelo e seus números

A Garfield recebeu autorização do órgão regulador da advocacia na Inglaterra e no País de Gales em 2025. Desde então, a plataforma processou mais de 600 cobranças de dívida.

Além disso, a empresa afirma ter recuperado cerca de 500.000 libras em disputas, a maioria resolvida por acordo antes de decisão judicial. O caso de Taquidir foi, contudo, o primeiro a chegar a julgamento e a resultar em vitória.

Entretanto, a vitória da Garfield levanta questões diretas para o setor jurídico. Afinal, a IA demonstrou capacidade para levantar jurisprudência e construir argumentos legais.

Outra atribuição foi a de redigir documentos processuais com precisão em contexto regulado. Esse resultado pode representar uma ameaça uma parcela específica da força de trabalho jurídica, sobretudo os profissionais que realizam tarefas preparatórias de rotina.

No entanto, a sustentação oral no julgamento permaneceu sob responsabilidade humana, justamente o ponto destacado pelo veículo The Guardian.

Acesso à Justiça e novos riscos

O modelo da Garfield alega reduzir custos processuais de forma expressiva, o que abre a possibilidade de que pessoas com menos recursos financeiros consigam acionar a Justiça para causas que antes seriam inviáveis economicamente.

Contudo, ventilou-se o argumento no País de que o aumento no volume de processos tende a pressionar ainda mais um sistema judicial já lento.

Há também o risco de um ciclo fechado entre máquinas: uma IA prepara o processo e outra, integrada ao sistema judiciário, analisa as alegações. Assim, os humanos poderiam participar apenas nas fases mais avançadas.

Esse cenário levanta desafios éticos ainda sem resposta.

O que dizem os especialistas?

A Canadian Lawyer Magazine afirmou que o caso representa uma prova de conceito que a profissão jurídica ainda não tinha.

Afinal, não é a IA auxiliando um advogado, mas a IA substituindo o trabalho preparatório em um ambiente regulado, contra um oponente com representação convencional e com um juiz para decidir o resultado.

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O Financial Times classificou o feito como um sinal do potencial da inteligência artificial de transformar o setor jurídico. Por isso, o debate sobre regulação, ética e impacto social da IA na advocacia deve se intensificar ao longo de 2026.

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