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FIM DA GUERRA?

Zelensky propõe encontro direto com Putin

Presidente ucraniano aceita cessar-fogo durante negociações de paz.

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Imagem ilustrativa da notícia Zelensky propõe encontro direto com Putin camera "A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra por meio de um compromisso direto entre o senhor e nós. Proponho uma reunião", escreveu Zelensky no documento. | Reprodução / YouTube

Em meio a bombardeios recordes e negociações congeladas, o conflito entre Rússia e Ucrânia completa quase quatro anos de destruição. Agora, uma carta aberta do presidente ucraniano pode representar uma virada.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez nesta quinta-feira (4), uma proposta formal ao líder russo, Vladimir Putin. Por meio de uma carta aberta, ele sugeriu um encontro direto entre os dois líderes.

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Além disso, o documento indica que Kiev está disposta a aceitar um cessar-fogo total enquanto durem as negociações para o fim completo da guerra.

"A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra por meio de um compromisso direto entre o senhor e nós. Proponho uma reunião", escreveu Zelensky no documento.

O presidente ucraniano também destacou que as conversas precisam ser conduzidas com "honestidade, dignidade e garantias de que a guerra não será reacendida".

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu à imprensa estatal russa que Putin receberia Zelensky em Moscou "a qualquer momento". No entanto, o próprio presidente russo ainda não se manifestou sobre a proposta.

Negociações paralisadas há meses

As conversas entre os dois países enfrentam um impasse prolongado. As rodadas anteriores de negociação, que ocorreram em Istambul, Abu Dhabi e Genebra, não chegaram a um acordo sobre a divisão territorial no pós-guerra.

Além disso, as tratativas lideradas pelos Estados Unidos praticamente congelaram por causa do envolvimento norte-americano no conflito com o Irã.

As posições dos dois lados seguem opostas. Por um lado, Moscou exige que Kiev retire suas tropas de toda a região de Donetsk, incluindo cidades fortemente defendidas pelos ucranianos.

Por outro lado, a Ucrânia rejeita qualquer retirada unilateral e defende o congelamento do conflito nas linhas de frente atuais.

Além disso, Kiev apresenta duas exigências centrais para qualquer acordo:

  • Garantias de segurança ocidentais para impedir que a Rússia retome a ofensiva após um cessar-fogo;
  • Recuperação do controle sobre a usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, tomada pelos russos no início da invasão.

A Rússia ocupa cerca de 20% do território ucraniano, entre eles a Crimeia e partes do Donbas. Segundo analistas, as forças russas conquistaram aproximadamente 1,5% do território ucraniano desde o início de 2024.

Rússia intensifica ataques e lança drones em número recorde

O Kremlin declarou que a guerra entrou em um "novo paradigma". Isso se refletiu nos dados de ataques aéreos: em maio de 2025, a Rússia disparou 8.150 drones contra a Ucrânia, o maior volume registrado desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022.

O número representa um aumento de 24% em relação a abril do mesmo ano, segundo análise da agência AFP com base em dados da Força Aérea ucraniana.

Além dos drones, Moscou lançou 211 mísseis no período. Entre eles, foi utilizado pela terceira vez desde 2022 o míssil balístico Oreshnik, de alcance intermediário e com capacidade de transportar ogivas nucleares.

Esses ataques aconteceram mesmo durante uma trégua de três dias que o Kremlin anunciou nas comemorações do Dia da Vitória, data que marca o fim da Segunda Guerra na Europa.

O cessar-fogo temporário gerou expectativas de retomada das negociações de paz. Contudo, Kiev e Moscou trocaram acusações mútuas de violações e mantiveram os ataques em diversas frentes do conflito.

Economia ucraniana sofre impacto severo

Os ataques russos ao sistema de energia da Ucrânia agravaram de forma direta a crise econômica do país.

O índice mensal de recuperação da atividade empresarial do Instituto de Pesquisa Econômica de Kiev ficou negativo em fevereiro de 2025 pela primeira vez desde 2023.

Isso indica que mais empresas relataram piora do que melhora nos negócios em comparação ao ano anterior.

A situação se agravou ainda mais depois que a Hungria manteve, na última segunda-feira, seu veto a um empréstimo militar de 90 bilhões de euros da União Europeia destinado a apoiar Kiev.

Portanto, a Ucrânia segue sem acesso a esse recurso financeiro estratégico. O custo para reconstruir o país, caso a guerra terminasse agora, seria enorme.

Segundo estimativa do Banco Mundial, elaborada em conjunto com as Nações Unidas, a Comissão Europeia e o governo ucraniano, a reconstrução da economia e da infraestrutura exigiria:

  • US$ 588 bilhões (cerca de R$ 3 trilhões) ao longo de dez anos;
  • Investimentos em setores como energia, habitação, transporte e serviços públicos.

Essa cifra ilustra a dimensão dos danos acumulados desde o início da invasão.

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Contudo, qualquer processo de reconstrução depende, antes de tudo, de um acordo de paz que ainda está longe de ser concretizado.

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