Neste fim de semana, o confronto entre Irã e Estados Unidos ganhou novos contornos com declarações de ambos os lados e a sinalização de que tanto a via diplomática quanto a possibilidade de uma nova escalada militar seguem em aberto. Teerã afirma estar preparado para qualquer cenário e coloca sobre Washington a responsabilidade pela próxima decisão.
A crise se intensificou após o Irã encaminhar uma proposta por meio do Paquistão, que atua como mediador do conflito. Em resposta, autoridades iranianas afirmam que aguardam um posicionamento norte-americano.
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Decisão “nas mãos dos EUA”, diz Teerã
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o país apresentou uma alternativa para encerrar de forma definitiva as hostilidades e agora espera a resposta dos Estados Unidos. “A bola está no campo dos EUA”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi. A declaração foi feita após o Irã apresentar um plano ao Paquistão, mediador do conflito.
Segundo ele, o plano foi entregue ao mediador paquistanês com o objetivo de encerrar o que chamou de “guerra imposta”. Gharibabadi ainda destacou que Teerã não trabalha com uma única hipótese.
“O Irã apresentou um plano ao mediador paquistanês com o objetivo de pôr fim de forma permanente à guerra imposta e agora a bola está no campo dos Estados Unidos, que deve optar entre a via diplomática ou a continuação da abordagem confrontativa. O Irã, com o objetivo de garantir seus interesses e sua segurança nacional, está preparado para as duas opções", disse Kazem Gharibabadi, segundo a emissora estatal IRIB
Cresce a tensão militar e o risco de retomada do conflito
Enquanto a diplomacia segue incerta, o clima entre os dois países também se deteriora no campo militar. Mais cedo, as Forças Armadas do Irã afirmaram que consideram “provável” a retomada dos confrontos em breve, mesmo após um cessar-fogo temporário que já dura cerca de um mês.
Em declaração divulgada pela agência estatal Fars, o vice-comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, Mohammad Jafar Asadi, afirmou que há desconfiança em relação ao compromisso dos Estados Unidos com qualquer acordo.
Segundo ele, as ações norte-americanas estariam sendo guiadas por interesses políticos e econômicos. “As autoridades norte-americanas agem motivadas pela mídia e também pelo preço do petróleo”, afirmou Asadi, acrescentando que Washington busca “se livrar do problema que criou”.
O militar também reforçou o estado de prontidão das forças iranianas diante de qualquer eventual escalada. “As Forças Armadas estão totalmente preparadas para quaisquer novas aventuras ou imprudências dos americanos”, afirmou Mohammad Jafar Asadi, em comunicado.
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Trump endurece discurso e critica proposta
Do outro lado, o governo dos Estados Unidos ainda não se manifestou oficialmente sobre as falas mais recentes de Teerã. No entanto, o presidente Donald Trump já havia sinalizado insatisfação com a proposta iraniana.
Em evento realizado na Flórida, o republicano voltou a criticar o país e deixou em dúvida a continuidade das negociações, ao afirmar que “talvez seja melhor não fazer um acordo” com os iranianos.
Trump também reforçou a posição contrária ao programa nuclear iraniano, afirmando que não pode permitir que “lunáticos” tenham acesso a armas nucleares.
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