Em momentos de instabilidade global, palavras ditas diante de microfones costumam ter peso maior que tanques e aviões. Na diplomacia internacional, declarações públicas podem redesenhar alianças, acirrar conflitos e transformar discursos em sinais claros de intenções políticas, especialmente quando partem da maior potência militar do planeta e miram países estratégicos da América do Sul.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite do último domingo (4) que seu governo está "no comando da Venezuela" e declarou que o país sul-americano estaria "morto" no atual cenário político e econômico. As falas ocorreram durante conversa com jornalistas e incluíram ataques diretos ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ampliando a tensão regional.
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"NÓS ESTAMOS NO COMANDO"
Questionado sobre quem estaria no controle da Venezuela, Trump disse que daria uma resposta "muito controversa", antes de afirmar categoricamente: "Isso significa que nós estamos no comando. Nós estamos no comando". Na mesma ocasião, o republicano não descartou a possibilidade de operações militares na Colômbia, respondendo "parece bom para mim" ao ser perguntado sobre uma eventual invasão do país vizinho.
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Trump também voltou a atacar Gustavo Petro, a quem chamou de “doente”, repetindo acusações de que o presidente colombiano produziria e venderia cocaína para os Estados Unidos. As declarações reforçam o tom agressivo adotado pelo líder norte-americano em relação a governos sul-americanos que considera hostis a Washington.
INTERESSE NO PETRÓLEO VENEZUELANO
No caso venezuelano, Trump afirmou que a recuperação do país dependeria diretamente de investimentos de grandes companhias petrolíferas. "É um país morto neste momento. Precisamos reerguê-lo, e isso exigirá grandes investimentos das empresas de petróleo para que a infraestrutura volte a funcionar", declarou, deixando explícito o interesse estratégico nas reservas de petróleo da Venezuela.
O presidente dos EUA também minimizou críticas feitas pela vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que condenou ações norte-americanas. Segundo Trump, ela seria uma peça necessária para garantir "acesso total" ao país, embora tenha ironizado as declarações da dirigente.
PRESIDENTE INTERINA RECONHECIDA
No domingo, a Suprema Corte da Venezuela determinou que Delcy Rodríguez assumisse como presidente interina, enquanto o tribunal define a nova estrutura legal de poder no país. Após a decisão, as Forças Armadas venezuelanas reconheceram oficialmente a vice-presidente como chefe de Estado, em anúncio feito pelo ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López.
O governo brasileiro também reconheceu Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela. Em declaração oficial, a diplomata Maria Laura da Rocha, que exercia interinamente o comando do Itamaraty, afirmou que, na ausência de Nicolás Maduro, cabe à vice-presidente assumir a liderança do país.
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