Há riquezas que moldam destinos nacionais e há cifras tão expressivas que despertam apetites além das fronteiras. Quando recursos naturais alcançam valores trilionários, deixam de ser apenas números em relatórios técnicos e passam a influenciar discursos políticos, estratégias militares e jogos de poder no cenário internacional. É nesse ponto que economia, geopolítica e soberania se cruzam, e a Venezuela surge como peça central desse tabuleiro.
As reservas de petróleo da Venezuela podem valer cerca de 18,4 trilhões de dólares, segundo estimativa baseada na quantidade de barris disponíveis no país e na cotação internacional do petróleo. O país possui aproximadamente 303 bilhões de barris de petróleo em reservas, enquanto o preço do barril do petróleo Brent, com vencimento em março de 2026, fechou a última sexta-feira (2) em 60,75 dólares. A multiplicação desses dois fatores coloca o país no topo do ranking mundial de reservas petrolíferas em valor de mercado.
CONTEÚDO RELACIONADO
- Vice da Venezuela convoca resistência e afirma que país não será colônia
- Líderes mundiais classificam ataque dos EUA à Venezuela como ilegal
- América Latina convoca reunião emergencial após ataque dos EUA à Venezuela
Esse montante, no entanto, não é fixo. O valor das reservas tende a variar de acordo com as oscilações diárias do preço do petróleo no mercado internacional, que funciona de segunda a sexta-feira. Mesmo assim, especialistas apontam que eventuais flutuações não seriam suficientes para retirar das reservas venezuelanas o status de riqueza trilionária, dada a dimensão extraordinária de seus recursos energéticos.
Quer mais notícias de ? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.
INTERESSE DECLARADO DOS EUA
Para analistas internacionais, esse volume de petróleo ajuda a explicar o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro no sábado(3). Durante coletiva de imprensa após a operação, o presidente norte-americano Donald Trump mencionou a palavra petróleo quase 20 vezes. Já o termo democracia, frequentemente utilizado como justificativa em intervenções desse tipo, não apareceu nenhuma vez em seu discurso.
"A nossa presença na Venezuela tem tudo a ver com o petróleo. Acho que nós teremos muita riqueza saindo daquele solo e essa riqueza vai ajudar os Estados Unidos na forma de reembolso pelos danos causados ao nosso país", afirmou Trump. Segundo ele, empresas petrolíferas americanas devem investir bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura venezuelana, considerada precária, e iniciar rapidamente a exploração com foco em lucro.
IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DA VENEZUELA
Atualmente, cerca de 80% do petróleo venezuelano é exportado para a China, o que torna o país um ponto sensível na disputa estratégica entre Washington e Pequim. A presença chinesa no setor energético venezuelano é vista como um fator decisivo na escalada de tensões, já que o controle dessas reservas representa influência direta sobre o mercado global de energia.
Em meio a esse cenário, o futuro político da Venezuela permanece incerto. Trump chegou a afirmar que os Estados Unidos deveriam governar o país, ampliando as preocupações sobre uma intervenção prolongada. Até o momento, porém, não houve invasão terrestre. Internamente, o regime chavista conseguiu manter-se no poder após a Câmara Constitucional da Suprema Corte da Venezuela determinar, no último sábado (3), que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a Presidência na ausência de Nicolás Maduro.
Enquanto decisões judiciais e disputas diplomáticas se desenrolam, o petróleo segue como o eixo central da crise: uma riqueza capaz de redefinir alianças, justificar ações militares e transformar a Venezuela em um dos territórios mais cobiçados do planeta no século XXI.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar