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INTOLERÂNCIA

Pastor de Flávio Bolsonaro ataca N. Sra. Aparecida: "Deus odeia"

Polêmica envolvendo a padroeira do Brasil trouxe ao debate a proximidade do candidato com o bispo JB Carvalho, autor de críticas à devoção católica a Maria.

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Imagem ilustrativa da notícia Pastor de Flávio Bolsonaro ataca N. Sra. Aparecida: "Deus odeia" camera Em livro publicado em 2001, JB Carvalho faz críticas à devoção católica a Maria e questiona o título de Aparecida como padroeira do Brasil. | Felipe Silva/Divulgação

A recente polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida voltou a colocar sob os holofotes a ligação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, igreja evangélica de Brasília frequentada pelo senador. Carvalho já publicou críticas à devoção católica a Maria e chegou a questionar, em livro, o reconhecimento de Aparecida como padroeira do Brasil.

A relação entre Flávio e a instituição religiosa, porém, não começou com a atual controvérsia eleitoral. Em 2024, o senador e a mulher, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na Comunidade das Nações. Já no fim de 2025, depois de anunciar sua pré-candidatura à Presidência, Flávio voltou à igreja para uma aparição pública.

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COMO A POLÊMICA TROUXE A IGREJA DE VOLTA AO CENTRO DO DEBATE

O assunto ganhou força depois que Flávio afirmou, em agosto deste ano, que, caso fosse eleito presidente, "um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo".

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A declaração provocou reações entre católicos e acabou sendo relacionada ao histórico religioso da família e à igreja frequentada pelo senador. O debate ganhou um elemento adicional porque o fundador da Comunidade das Nações possui um posicionamento público bastante crítico em relação à devoção mariana.

O QUE JB CARVALHO ESCREVEU SOBRE NOSSA SENHORA

As críticas de JB Carvalho à devoção mariana aparecem em "A Bomba: A verdade pode ser explosiva". Em um dos trechos reproduzidos publicamente, o bispo afirma: "Deus odeia o culto à Rainha dos Céus".

Na argumentação apresentada no livro, Carvalho recorre a passagens dos capítulos 7 e 44 do livro bíblico de Jeremias para sustentar sua interpretação de que a chamada "Rainha dos Céus" era uma divindade cultuada na antiguidade. Ele associa essa prática à idolatria e à ideia de que a adoração deveria ser dirigida exclusivamente a Deus.

Em outro trecho, o autor resume sua interpretação afirmando que "A adoração a essa entidade representa uma disputa pela glória reservada exclusivamente a Ele".

O livro também apresenta críticas diretamente relacionadas à devoção católica a Maria. Em outro trecho, Carvalho afirma: "Maria não é senhora" e questiona práticas da devoção mariana, incluindo a repetição da Ave-Maria no rosário.

CRÍTICAS A NOSSA SENHORA APARECIDA

A posição de Carvalho vai além da crítica teológica à devoção mariana. No livro, ele questiona a própria condição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.

Em um dos trechos atribuídos à obra, o bispo afirma: "A lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal". Ele também sustenta que não haveria amparo constitucional para estabelecer uma figura religiosa como padroeira de toda a nação.

Em outro momento, Carvalho defende que a referência a Aparecida seja retirada da simbologia nacional e escreve sobre a necessidade de "destronarmos a Rainha em nossa nação". Na sequência, manifesta sua defesa de que "Jesus Cristo seja nosso Único Senhor no Brasil".

LIVROS DE JB CARVALHO TAMBÉM CHEGARAM A JAIR BOLSONARO

A relação de Carvalho com a família Bolsonaro aparece ainda em episódios envolvendo seus livros. Em novembro de 2025, Flávio visitou Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, levando consigo "Metanoia: A chave está em sua mente", obra de autoria de JB Carvalho.

Pouco mais de um mês depois, em janeiro de 2026, Michelle Bolsonaro levou ao ex-presidente outro livro do bispo: "A jornada de meninos a homens", publicado em 2019 e voltado à formação masculina a partir de uma perspectiva cristã.

Os episódios se somam ao batismo de Flávio e Fernanda e à presença do senador nos cultos da Comunidade das Nações.

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