Em meio aos desdobramentos da "Operação Make Up", realizada nesta quinta-feira (10/09), que apura suspeitas de desvio de recursos públicos, a Polícia Federal apontou incompatibilidade entre a renda de Mário Frias e os R$ 645,4 mil transferidos pelo deputado à GoUp Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”.
Segundo os investigadores, os repasses foram feitos diretamente para a empresa ligada a produtora do filme e ocorreram em um período inferior a 60 dias, não são compatíveis com os créditos identificados nas contas bancárias do deputado.
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De acordo com a corporação, a análise financeira indica que Frias recebe R$ 44.008,52 por mês, rendimento que é incompatível com o volume de recursos enviado à produtora em um intervalo tão curto.
“Essa circunstância faz com que ele transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros, e coloca o parlamentar como participante ativo da engrenagem financeira sob investigaçã”, afirmou a PF.
Com isso, a PF considera Frias um "agente central" do esquema e afirma que "há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas". A investigação também identificou uma "coincidência temporal" entre a gravação do filme e o envio de emendas parlamentares.
Além dos R$ 645,4 mil transferidos diretamente à produtora, Frias, que foi produtor executivo de “Dark Horse”, destinou uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão ao Instituto Conhecer Brasil. O dinheiro deveria financiar um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo, mas, segundo a investigação, a iniciativa não teria saído do papel.
Operação Make Up
A Operação Make Up foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os principais alvos, estão Frias e Karina Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (IBC) e produtora do filme "Dark Horse".
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As medidas cautelares foram determinadas em decisão no último dia 03 de setembro, cujo sigilo foi retirado nesta quinta-feira (10/09), quando a operação foi deflagrada.
Ao justificar as restrições, Dino afirmou que “elemntos colhidos apontam risco concreto de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferências na colheita dos elementos probatórios ainda pendentes de arrecadação”.
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