O 1º Juizado de Violência Doméstica de Rondônia deve julgar, nos próximos dias, o dentista Jean José Dunga de Oliveira, de 41 anos, preso em Porto Velho desde 11 de junho. Ele é acusado de ter omitido que era portador do HIV e mantido relações sexuais sem preservativo com ex-namoradas entre 2023 e abril de 2026.
Jean foi denunciado pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO) em duas ações, pelos crimes de perigo de contato de moléstia grave e lesão corporal gravíssima. Pelo menos uma outra mulher também o acusa de ter cometido o mesmo crime, mas o caso ainda está em investigação.
Segundo as vítimas ouvidas pela coluna, o dentista escondia o diagnóstico e, em alguns casos, teria induzido as mulheres a manter relações sexuais sem preservativo.
Uma das vítimas afirma que havia um padrão nas mulheres com quem Jean se relacionava. “Ele é uma pessoa que tem família conhecida e gera confiança na pessoa. Ele tem boa comunicação e se aproveitou dessa fragilidade”, relatou.
Diagnóstico desde 2017
Segundo a investigação, Jean sabia que era portador do HIV desde pelo menos 2017. Médicos que o acompanhavam afirmaram que ele não era assíduo no tratamento, o que poderia impedir a redução da carga viral a níveis indetectáveis.
A defesa do dentista sustenta que ele fazia tratamento e não acreditava que estivesse infectando as mulheres. Os advogados também pedem o aprofundamento das investigações.
Nova vítima muda o rumo do caso
Inicialmente, três mulheres foram ouvidas em um mesmo inquérito. O MP-RO chegou a pedir a prisão do dentista, mas a Justiça negou o pedido sob o argumento de “falta de contemporaneidade”, já que os casos ocorreram entre 2023 e 2025.
A situação mudou em maio deste ano, quando uma quarta vítima procurou as autoridades. Segundo a investigação, Jean teria mantido relações sexuais sem preservativo com ela mesmo depois de já ter sido interrogado sobre as acusações anteriores.
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O novo caso aumentou a preocupação do Ministério Público com a possibilidade de existirem outras mulheres que tenham sido expostas ao HIV, inclusive fora de Rondônia.
“Uma das vítimas afirma que ele viajava sempre, frequentava casas de swing”, afirmou a promotora Eiko Danieli Araki.
Para o MP-RO, o comportamento investigado indica que outras possíveis vítimas podem ainda não saber que foram expostas ao vírus ou podem ter receio de procurar as autoridades.
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