O Tribunal de Justiça de Rondônia determinou a demissão do juiz Robson José dos Santos, encerrando de forma definitiva sua atuação na magistratura. A decisão foi tomada em fevereiro, após a conclusão de um processo administrativo disciplinar que apontou uma série de condutas consideradas incompatíveis com o exercício do cargo. A informação foi divulgada no sábado (02).
Durante o estágio probatório, período em que o juiz ainda não possui estabilidade, o tribunal entendeu que os elementos reunidos ao longo da apuração indicavam que ele não estava apto para a função.
Vida antes da magistratura
Nascido na periferia do Recife, ele começou a trabalhar ainda criança, vendendo pipoca e picolé nas ruas para ajudar no sustento da família. Estudava à noite, enfrentou privações e chegou a relatar, em entrevistas, episódios de fome durante a juventude.
Ao longo da vida, ele prestou mais de 70 concursos públicos. Entre reprovações e tentativas frustradas, manteve a persistência por mais de uma década até conquistar uma vaga na magistratura de Rondônia. A aprovação transformou sua trajetória em um exemplo de superação e o projetou como símbolo de mobilidade social por meio do serviço público. Essa narrativa, porém, acabou sofrendo uma reviravolta rapidamente.
Investigação por condutas inapropriadas
Entre os episódios analisados, um deles chamou a atenção: ao ser recepcionado por servidores com um café da manhã, o magistrado teria feito um comentário de caráter depreciativo.
A investigação apontou um ambiente de trabalho marcado por condutas consideradas grosseiras e desrespeitosas em relação a servidores, assessores e outros profissionais do sistema de Justiça.
Além disso, também foram relatadas atitudes vistas como incompatíveis com a função, incluindo decisões que não levavam em conta protocolos básicos de funcionamento do Judiciário.
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Condutas ainda mais graves são investigadas
Fora do fórum, as condutas atribuídas ao magistrado passaram a assumir contornos ainda mais graves.
O processo administrativo apontou que Robson teria mantido relação inadequada com presos, incluindo visitas a unidades prisionais em circunstâncias fora do padrão institucional.
Em um dos episódios, o juiz é acusado de ter permitido que um detento utilizasse seu celular para realizar ligações externas, conduta que, em tese, pode caracterizar irregularidade funcional e até crime.
Há ainda relatos de que ele teria levado crianças para visitar um preso fora do horário permitido e autorizado a presença de pessoas sem vínculo com o Judiciário em ambientes que tratavam de casos sigilosos, como audiências envolvendo violência doméstica.
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