Em 1998, um jovem trabalhador morreu pisoteado por um cavalo em uma propriedade rural pertencente a um dos maiores jogadores do Brasil na época. Quase três décadas depois, sua família ainda espera por justiça.
Cristiano Donizeti Machado de Campos perdeu a vida no sítio do ex-jogador de futebol Marcelinho Carioca. O jovem foi enviado para recapturar um cavalo que havia fugido da propriedade, mas não tinha nenhum treinamento para lidar com o animal. Por isso, ao tentar cumprir a tarefa, ele foi atacado, pisoteado e não resistiu aos ferimentos.
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Além disso, Cristiano não possuía contrato formal de trabalho no local, o que dificultou ainda mais a luta jurídica da família nos anos seguintes.
Ainda assim, três meses após a morte de Cristiano, seus pais, Servio Machado de Campos, de 75 anos, e Pedra Batista, de 69, ingressaram com um processo judicial contra Marcelinho Carioca. O pedido inicial de indenização era de R$ 137 mil.
No entanto, o ex-jogador negou qualquer responsabilidade pelo acontecido, com o argumento de que o jovem havia sido contratado pelo caseiro da propriedade e de que a morte teria resultado de descuido do próprio trabalhador.
Depois de anos de contestações e recursos, o valor da indenização subiu para R$ 690 mil, por conta dos juros e da correção monetária acumulados.
O dinheiro que nunca chegou
Apesar das derrotas sucessivas na Justiça, Marcelinho Carioca jamais pagou a indenização determinada pelos tribunais. A Justiça chegou a bloquear as contas do ex-jogador, mas não encontrou valores disponíveis para quitar a dívida.
Diante disso, a família adotou uma nova estratégia legal: tenta agora penhorar eventuais créditos que Marcelinho possa receber em razão de seu envolvimento no escândalo da Fazenda Boi Gordo, um esquema financeiro investigado pelas autoridades.
Pais vivem dificuldades financeiras enquanto aguardam resolução
Servio e Pedra enfrentam dificuldades financeiras no dia a dia e seguem sem receber o valor ao qual têm direito por decisão judicial. Thiago Campos, irmão de Cristiano e filho do casal, resumiu o desejo da família com poucas palavras.
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"Nosso sonho é ver nossos pais com uma vida tranquila", afirmou ele, esperando que os idosos possam deixar de trabalhar nas ruas e viver com dignidade.
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