O Brasil registrou um aumento significativo no aumento do número de casos de violência contra a mulher, desde crimes sexuais ao feminicídio. Na internet, alguns perfis com discursos violentos passaram a ser denunciados.
A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para investigar a trend “Caso ela diga não”, que viralizou nas redes sociais e passou a ser alvo de denúncias por incentivar a violência contra mulheres. A investigação é conduzida pela Diretoria de Crimes Cibernéticos da corporação.
A apuração teve início após a circulação de vídeos no TikTok, especialmente no período próximo ao Dia Internacional da Mulher, em que homens simulam reações violentas diante de uma negativa em situações românticas. Nos conteúdos, os participantes encenam pedidos de casamento ou gestos de afeto e, após uma suposta rejeição, passam a simular agressões como socos, chutes, facadas e até disparos de arma de fogo.
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Segundo a Polícia Federal, alguns perfis responsáveis pela divulgação do material já foram identificados. A corporação solicitou a derrubada de contas e a remoção dos conteúdos. A plataforma onde os vídeos foram publicados informou que já retirou parte do material do ar.
Além disso, a PF determinou a preservação de dados relacionados às publicações para subsidiar o inquérito. As informações coletadas serão analisadas pelos investigadores para identificar os responsáveis e avaliar eventuais crimes.
Debate chega ao Congresso
A repercussão do caso também chegou ao Congresso Nacional. Nesta terça-feira (10), a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve votar um requerimento que solicita à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de investigação sobre a publicação viral.
A proposta é de autoria do deputado federal Pedro Campos (PSB). O pedido também prevê que plataformas digitais sejam oficiadas para fornecer dados sobre o alcance das publicações, informações sobre os responsáveis pelos perfis e as medidas administrativas adotadas para conter a disseminação dos vídeos.
Para a Polícia Federal, a abertura do inquérito representa uma sinalização de enfrentamento à propagação de conteúdos que incentivem crimes contra mulheres no ambiente digital, especialmente durante o mês dedicado ao debate sobre direitos femininos.
Conteúdos ainda circulam nas redes
Mesmo após a remoção de alguns perfis e publicações, vídeos com a frase “treinando caso ela diga não”, ou variações da expressão, ainda podem ser encontrados nas redes sociais.
Nos conteúdos, os autores iniciam a gravação com encenações românticas, como ajoelhar-se para pedir uma mulher em casamento. Em seguida, após a simulação de uma rejeição, passam a encenar agressões físicas ou ataques com armas brancas.
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Contexto de violência crescente
A investigação ocorre em meio a um cenário preocupante de violência contra a mulher no Brasil. Em 2025, o país registrou o maior número de feminicídios da última década.
Ao todo, 1.568 mulheres foram assassinadas em razão da condição de gênero, um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando foram registrados 1.492 casos. Em média, quatro mulheres foram mortas por dia no país no último ano.
Posicionamento da plataforma
Em nota enviada à imprensa, o TikTok afirmou que removeu os conteúdos que violavam suas Diretrizes da Comunidade assim que foram identificados.
Segundo a empresa, equipes de moderação seguem monitorando a plataforma para detectar possíveis publicações relacionadas ao tema.
“A nossa política não permite discurso de ódio, comportamento violento ou a promoção de ideologias de ódio. Nossa prioridade é manter a comunidade segura e protegida, e continuamos investindo em medidas que reforçam a segurança na plataforma”, informou a empresa.
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